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Citi destoa do mercado e vê recuperação do dólar nos próximos meses

Projeções do banco americano contrastam com o consenso de outras instituições do páis e apostam na reaceleração dos EUA e alta do DXY

Citi: banco vê espaço para uma reversão do movimento de baixa visto no dólar (Designed by/Freepik)

Citi: banco vê espaço para uma reversão do movimento de baixa visto no dólar (Designed by/Freepik)

Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 16h14.

Enquanto a maior parte dos grandes bancos dos Estados Unidos aposta em um dólar mais fraco ao longo de 2026, o Citi vai na contramão. O banco americano é hoje é um dos poucos a apontar otimismo com uma recuperação da moeda, sustentada pela expectativa de uma reaceleração da economia dos EUA.

Um cenário que, segundo o Citi, está sendo "subprecificado" pelos investidores. Em relatório recente, o estrategista Daniel Tobon afirma que o "dólar continua sendo guiado por fatores cíclicos, e não estruturais", apesar de uma maioria no mercado apontar enfraquecimento de longo prazo da divisa americana.

Segundo o banco, o desempenho mais fraco do dólar observado ao longo do segundo semestre de 2025 refletiu principalmente o esfriamento do mercado de trabalho nos Estados Unidos, que abriu espaço para um Federal Reserve (Fed, o banco central do país) mais dovish, isto é, com uma postura mais favorável à redução dos juros.

As incertezas relacionadas à tarifas de importação impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, sobre os países e o impacto delas no crescimento também puxaram o dólar para baixo. O índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, começou o ano passado perto dos 110 pontos e encerrou na casa dos 98,32 pontos.

Ao longo de 2026, porém, o banco vê espaço para uma reversão desse movimento. A projeção do Citi aponta o índice DXY em 102,7 pontos no horizonte de seis a 12 meses.

A título de comparação, na sessão desta quarta-feira, 7, o indicador estava praticamente estável com ligeira alta de 0,03%, aos 98,63 pontos, por volta das 15h30.

A visão do Citi contrasta com a de outros grandes bancos de Wall Street. O Morgan Stanley, por exemplo, projeta um dólar mais fraco na primeira metade do ano, com o DXY caindo cerca de 5%, para 94 pontos, e encerrando o ano no mesmo nível em que começou, aos 98 pontos.

Já o Bank of America (BofA) espera uma depreciação da divisa americana a partir do segundo trimestre. O Citi, no entanto, diz esperar uma reaceleração da economia dos EUA no primeiro semestre de 2026.

"Fatores cíclicos, por exemplo crescimento relativo, taxas relativas, devem continuar a ser o principal motor do dólar americano em relação a questões estruturais, por exemplo, diversificação do banco central, fragmentação do comércio global, à medida que 2026 se desenrola", afirma o estrategista do Citi no relatório.

Euro enfrente dificuldades para se valorizar, diz Citi

Nesse contexto, o banco também argumenta que o euro enfrenta dificuldades técnicas para se valorizar frente ao dólar. Segundo o banco, o EUR/USD não conseguiu superar um patamar historicamente importante, a média móvel de 200 meses, ao longo de 2025, o que indica resistência à alta. Além disso, níveis mais recentes, como a região de 1,18, também têm funcionado como um teto para o câmbio europeu.

Para a instituição financeira, esses sinais sugerem que o euro perdeu força e que o movimento mais provável no início do ano é de queda, com o dólar se fortalecendo.

Na prática, uma queda do EUR/USD em direção a 1,10, como projeta o banco, significa que o dólar se valoriza em relação ao euro. Ou seja, cada euro passaria a comprar menos dólares do que hoje. O Citi vê esse movimento como uma correção natural após o euro não sustentar avanços recentes e romper tendências de alta.

Ainda assim, o banco ressalta que esse cenário depende de fatores-chave. "A manutenção da independência do Fed, a ausência de uma deterioração mais forte do mercado de trabalho nos EUA e um quadro contido de inflação na Europa, que não leve o Banco Central Europeu a subir juros", finaliza Tobon no relatório.

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