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Demanda por vestuário não desacelerou, diz CFO da Riachuelo: 'Natal foi forte'

Em meio a previsões de trimestre "desafiador", companhia diz ter mantido demanda aquecida e fluxo consistente nas loja

Balanço da Guararapes: Riachuelo registrou crescimento de 7,2% nas vendas de vestuário em mesmas lojas, após ter crescido 14,6% em 2024 nessa mesma métrica (Leandro Fonseca/Exame)

Balanço da Guararapes: Riachuelo registrou crescimento de 7,2% nas vendas de vestuário em mesmas lojas, após ter crescido 14,6% em 2024 nessa mesma métrica (Leandro Fonseca/Exame)

Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 06h00.

O quarto trimestre de 2025 está sendo visto pelo mercado como um período de teste para o setor de varejo. Juros elevados, encarecimento do crédito e a pulverização das vendas entre diversas datas promocionais no período levantavam dúvidas sobre a força das empresas, sobretudo o varejo de vestuário, que, apesar de cada vez mais digitalizado, ainda é fortemente amparado pelo varejo físico. Na Riachuelo, primeira no segmento a divulgar resultados nessa temporada, a história é positiva.

Para o CFO da companhia, Miguel Cafruni, não houve evidências de retração na demanda por moda no período mais relevante para o comércio — o mês do Natal. "Não vimos de modo algum uma desaceleração", afirmou o executivo à EXAME, ao comentar o desempenho trimestral e anual do do grupo Guararapes. "O nosso Natal foi muito forte".

A XP Investimentos avaliava que companhias de varejo e consumo deveriam sentir mais intensamente os efeitos do prolongamento da táxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano. O Bank of America (BofA), por sua vez, classificou o período como "desafiador" para a maioria dos nomes do setor, citando o avanço das apostas on-line, o clima adverso e a competição agressiva do comércio eletrônico pressionando as lojas físicas.

Além disso, as promoções das datas duplas (como 11.11) e a Black Friday poderiam diluir o pico histórico de vendas de fim de ano e aumentar o peso das compras com desconto, reduzindo margens justamente no período mais importante para o varejo.

Segundo Cafruni, não houve sinais de enfraquecimento do consumidor em nenhum desses períodos. "Não temos nenhum sinal de desaceleração ou de menos fluxo em nossas lojas. Não percebemos nem no terceiro trimestre, nem no quarto, nem nesse comecinho de ano agora", complementou.

Especificamente no quarto trimestre, a dona da Riachuelo registrou crescimento de 7,2% nas vendas de vestuário em mesmas lojas, após ter crescido 14,6% em 2024 nessa mesma métrica.

Cafruni observa que fatores sazonais, como um inverno mais prolongado do que o esperado impactaram o ritmo temporal de vendas, mas não indicaram fraqueza do consumo. Ao contrário, como mostrou o balanço do terceiro trimestre, se a empresa tivesse mais produtos de inverno em estoque as vendas poderiam ter sido ainda maiores.

No quarto trimestre, o cenário climático voltou a surpreender, com temperaturas mais amenas que a média. Ainda assim,

O desempenho também ficou acima das projeções do mercado, como a estimativa do UBS BB, que apontava crescimento de 5,3% nas vendas em mesmas lojas para a companhia.

"Crescemos agora 7,2% em vendas de vestuário em mesmas lojas em cima de uma base que a gente tinha crescido 14,6% em cima de 2023", afirmou o executivo.

Execução distinta em Black Friday e no Natal

Sobre a performance nas principais datas promocionais, o CFO também relativizou a hipótese de impactos negativos esperados pelo mercado. Segundo ele, o mérito desse resultado é da execução da empresa no planejamento da Black Friday.

O CFO detalhou que a Riachuelo começou as ações promocionais já em novembro com campanhas segmentadas, como "dia do jeans", "dia do básico" e "dia do vestido", estimulando consumidores ao longo do mês e distribuindo melhor a demanda.

"Para não deixar para a última semana", afirmou. Isso ajudou, na avaliação de Cafruni, tanto a trazer consumo para mais cedo quanto a organizar melhor o abastecimento do centro de distribuição para as lojas físicas.

No varejo físico, o executivo citou viradas de coleção e colaborações especiais como fatores que reforçaram a atração de clientes. "No varejo físico, fomos bastante competente nas viradas de coleção e voltar a estimular consumo”, disse, destacando que itens de moda, ao contrário de eletrônicos, podem gerar compras complementares em datas diferentes.

"Você não compra um celular na Black Friday para comprar outro 15 ou 20 dias depois, no Natal. Já em vestuário é diferente. Você pode aproveitar uma oportunidade na Black Friday, comprar um produto com preço mais acessível, e depois adquirir outra peça para usar no Natal", afirmou.

Parte dessa contínua busca pro produtos de vestuário também é atribuída pela companhia à intensificação de investimentos em moda e inovação. A empresa vem chamando atenção para collabs como Helô Rocha, maior colaboração da companhia, com mais de 140 peças que se desdobram em diferentes categorias, e Triya, lançada no início de 2026.

No acumulado de 2025, a companhia registrou um lucro líquido histórico de R$512 milhões, o dobro do registrado em 2024. E a operação de Mercadorias foi apontada como um dos principais vetores desse desempenho anual.

Ao longo de 2025, a margem bruta de Vestuário atingiu 56,7%, com expansão de 2,4 pontos percentuais em relação a 2024, alcançando o "melhor patamar dos últimos sete anos e refletindo maior eficiência operacional e avanço consistente na potência do core business de moda".

"A nossa categoria tem uma competição entre datas mais branda, não tão forte quanto em produtos de ticket mais alto, como eletrônicos ou linha branca. A gente conseguiu surfar e navegar bem esse período", disse Cafruni.

O grupo terminou o quarto trimestre com lucro líquido de R$ 322 milhões, alta de 28,8% ante o mesmo período de 2024, no melhor resultado para um quarto trimestre em cinco anos. No acumulado de 2025, a companhia registrou um Ebitda consolidado de R$ 1,8 bilhão, avanço de 20% frente a 2024.

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