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Busca por risco leva dólar a R$ 5,20 e fortalece o real

O dólar à vista recua frente ao real nesta sexta-feira, 9, acompanhando a valorização das moedas de países emergentes

Dólar nesta sexta, 6: a moeda americana caía 0,70%, cotada a R$ 5,218, próxima da mínima do dia, de R$ 5,205 ( user3222645/Freepik)

Dólar nesta sexta, 6: a moeda americana caía 0,70%, cotada a R$ 5,218, próxima da mínima do dia, de R$ 5,205 ( user3222645/Freepik)

Publicado em 6 de fevereiro de 2026 às 16h19.

Última atualização em 6 de fevereiro de 2026 às 16h31.

O dólar à vista recua frente ao real nesta sexta-feira, 9, acompanhando a valorização das moedas de países emergentes em um ambiente global mais favorável ao risco. Por volta das 16h02, a moeda americana caía 0,70%, cotada a R$ 5,218, próxima da mínima do dia, de R$ 5,205.

O movimento marca uma reversão em relação à sessão anterior, quando o dólar fechou em leve alta de 0,08%, a R$ 5,254, influenciado principalmente por fatores externos.

Na quinta, 5, o avanço do índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, refletiu um ambiente de maior cautela nos mercados globais, após dados mais fracos do mercado de trabalho dos Estados Unidos.

Segundo Alexandre Viotto, chefe de banking da EQI Investimentos, a alta do dólar na véspera foi essencialmente técnica e ligada ao fluxo externo. "Foi um movimento muito mais puxado por fatores lá fora. Aqui, localmente, não teve nada que justificasse uma pressão maior. A gente pode considerar até um movimento flat, natural do dia a dia do mercado", afirmou.

Já nesta sexta, o cenário mudou de forma significativa. O apetite por risco ganhou força no exterior, impulsionado por novos anúncios de investimentos de grandes empresas de tecnologia, especialmente no segmento de inteligência artificial.

"O mercado foi surpreendido, em certa medida, porque, embora o tema já estivesse no radar, havia a expectativa de algum desinvestimento em determinados segmentos. O que se viu foi o oposto: os investimentos anunciados por empresas como a Amazon impulsionaram as ações no exterior e também ativos de maior risco. O Bitcoin, que vinha em queda, voltou a ser negociado acima de US$ 68 mil", disse.

Nesse ambiente, moedas emergentes passaram a se beneficiar, com o real surfando essa onda de valorização frente ao dólar.

Dólar deve seguir caindo frente ao real?

Apesar do recuo hoje, em janeiro, o dólar também chegou a tocar os R$ 5,206, o menor nível de fechamento desde 28 de maio de 2024, quando terminou o pregão vendida a R$ 5,1534.

Na avaliação do executivo, a tendência estrutural de enfraquecimento do dólar ainda deve persistir ao longo do ano, sustentada tanto pela política econômica americana quanto pelo cenário global. "O dólar mais fraco está no radar dos investidores e é uma tendência para este ano", afirma.

Ele pondera, no entanto, que movimentos de curto prazo podem trazer correções, seja por realização de lucros ou mudanças pontuais no fluxo. Ainda assim, Viotto vê espaço para a moeda americana se aproximar mais de R$ 5 do que de R$ 5,50, especialmente antes de abril, quando o cenário eleitoral brasileiro deve começar a ganhar mais peso na formação dos preços.

O principal risco para essa leitura, segundo ele, está no campo geopolítico. Um eventual conflito de maior escala envolvendo o Irã, com impacto direto sobre o Estreito de Ormuz e o mercado global de petróleo, poderia mudar de forma abrupta o humor dos investidores. "Fora isso, o meu call segue sendo de dólar mais fraco", concluiu.

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