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Balanço da Nvidia não assusta – mas não empolga; ações caem 3%

Gigante dos chips traz resultado em linha com o esperado, mas não fortes o suficiente para dar novo fôlego ao rali da inteligência artificial; tarifas de Trump pesam

Huang, CEO: Inovação do DeepSeek deve exigir 'milhões de vezes mais' poder computacional (I-HWA CHENG/AFP/Getty Images)

Huang, CEO: Inovação do DeepSeek deve exigir 'milhões de vezes mais' poder computacional (I-HWA CHENG/AFP/Getty Images)

Natalia Viri
Natalia Viri

Editora do Exame INSIGHT

Publicado em 27 de fevereiro de 2025 às 12h30.

Última atualização em 27 de fevereiro de 2025 às 12h31.

A Nvidia entregou resultados em linha com as expectativas no seu último trimestre fiscal e apontou uma “demanda incrível”, nas palavras do fundador Jensen Huang, para sua nova geração de chips Blackwell – aliviando o temor de uma desaceleração mais forte na demanda pelos seus chips.

Mas a reação das ações aos números mostra que os investidores estão mais céticos com a tese da inteligência artificial.

No início do pregão nesta quinta-feira (27), os papéis subiam cerca de 2% na Nasdaq, antes de virar para queda de 3% – muito longe das disparadas que seguiram as divulgações dos balanços anteriores.

Sinalizações de preocupações com pressões de margem em meio ao desenvolvimento da nova linha de chips e a incerteza tarifária com as políticas de Trump também pesaram.

A receita da Nvidia no trimestre fiscal encerrado em 26 de janeiro foi de US$ 39,2 bilhões, alta de 78% na comparação anual e de 12% sobre o trimestre anterior. O lucro cresceu na mesma proporação e ficou em US$ 0,89 por ação, contra previsão de US$0,84.

O guidance para o primeiro trimestre fiscal do ano, que se encerra no fim de abril, é de US$ 43 bilhões, um pouco acima dos US$ 42,3 bilhões estimado por analistas.

Não bastou

“Em linha” e “um pouco acima” não costumavam ser expressões usadas para a Nvidia – e num mercado movido a expectativas, ajudam a explicar a reação das ações de hoje.

A receita no quarto trimestre ficou acima do esperado, mas foi pela menor margem desde fevereiro de 2023. Os lucros, por sua vez, tiveram a menor diferença em relação às estimativas desde novembro de 2022, segundo dados compilados pela Bloomberg.

A Nvidia só frustrou as expectativas de analistas uma vez nos últimos cinco anos. E superou o consenso em mais de 10% consistentemente nos últimos trimestres, o que acabou por elevar a barra.

Para este ano, o CEO Jensen Huang tem mantido o tom positivo, sinalizando que a demanda por seus produtos segue aquecida.

“Vamos crescer fortemente em 2025”, disse o empresário durante a teleconferência com analistas. A companhia teve US$ 11 bilhões em receitas com a nova geração de chips Blackwell no quarto trimestre, num movimento que ela descreveu como “a rampagem de produto mais rápida” da sua história.

Com o desempenho do pregão de hoje, a Nvidia acumula queda de 12% no ano, recuperando-se em parte das quedas espetaculares que chegaram a ceifar US$ 597 bilhões de valor de mercado em apenas um dia de negociação – após o lançamento do DeepSeek, a tecnologia chinesa análoga ao ChatGPT que foi desenvolvida a uma fração do custo.

Efeito DeepSeek

Reforçando o que já vinha dizendo nas últimas semanas, Huang afirmou a analistas que o DeepSeek é mais um vetor de crescimento de demanda por seus chips do que redução, pois vai aumentar o interesse em uma nova abordagem para inteligência artificial.

Segundo ele, o modelo da DeepSeek depende de ajustes mais finos, que vão demandar mais sessões de computação do que o treinamento numa tacada só de outros softwares,

“Na verdade, essa abordagem pode requerer milhões de vezes mais poder de computação do que temos hoje”, ele disse, ressaltando a tecnologia chinesa como uma “inovação excelente”.

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