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'Combo' de dados de trabalho nos EUA move os mercados nesta quarta

Dados do mercado de trabalho testam apostas sobre os próximos passos do banco central dos Estados Unidos

Esses indicadores chegam em um momento de debate interno e divisão no Fed sobre o futuro da trajetória dos juros no país (TIMOTHY A. CLARY /AFP)

Esses indicadores chegam em um momento de debate interno e divisão no Fed sobre o futuro da trajetória dos juros no país (TIMOTHY A. CLARY /AFP)

Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 05h30.

Os mercados globais iniciam esta quarta-feira, 7, com os investidores atentos a novos sinais sobre o rumo da economia dos Estados Unidos e, principalmente, sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

A agenda do dia é concentrada em indicadores do mercado de trabalho por lá, que seguem no centro das decisões de política monetária.

Pela manhã, às 10h15, será divulgado o relatório ADP de variação de empregos no setor privado, referente a dezembro.

O dado ganha ainda mais relevância após a surpresa negativa registrada no último levantamento, divulgado em 3 de dezembro, quando o setor privado americano eliminou 32 mil vagas, contrariando a expectativa de criação de cerca de 40 mil postos de trabalho.

O resultado marcou uma inflexão no ritmo de contratações e reforçou a leitura de desaceleração da atividade econômica, justamente em um momento em que o mercado já precificava um corte de juros pelo Fed.

Embora o ADP não seja uma prévia exata do payroll, o relatório oficial de empregos dos EUA, ele funciona como um importante termômetro para o mercado. Um número distante do consenso tende a aumentar a cautela em ao payroll, que será divulgado na sexta-feira, 9.

Para dezembro, a expectativa é de criação de 52 mil vagas no setor privado (ADP) e de 55 mil vagas formais no payroll, com a taxa de desemprego fechando 2025 em 4,5%, segundo o banco Daycoval.

Mais tarde, ao meio-dia, os investidores acompanham a divulgação do Jolts, que mede o número de vagas de emprego em aberto.

O último dado disponível, referente a outubro e divulgado em 9 de dezembro, mostrou 7,7 milhões de vagas, acima das expectativas e também superior ao número de setembro. Leituras mais fortes do Jolts indicam um mercado de trabalho ainda aquecido, o que reduz o espaço para cortes de juros. Já sinais de arrefecimento reforçam a possibilidade de um afrouxamento monetário.

Fed está dividido e maioria aposta na manutenção dos juros

Esses indicadores chegam em um momento de debate interno e divisão no Fed sobre o futuro da trajetória dos juros no país.

A ata da última reunião, divulgada em 30 de dezembro, mostrou que a maioria dos dirigentes ainda vê espaço para novos cortes de juros, desde que a inflação siga desacelerando. Na reunião de 9 e 10 de dezembro, o Fed reduziu a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,50% a 3,75%, mas o documento deixou claro que não há consenso sobre o ritmo dos próximos passos.

Parte do comitê defende cautela, argumentando que manter os juros inalterados por um período permitiria avaliar melhor os efeitos defasados da política monetária sobre o emprego e a atividade. A ata reforça que não existe um caminho pré-definido para os juros e que as decisões seguirão condicionadas à evolução dos dados econômicos, especialmente inflação e mercado de trabalho.

Apesar das discussões internas, o mercado mantém majoritariamente a expectativa de manutenção dos juros na próxima reunião do Fed, marcada para 28 de janeiro. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, cerca de 82% das probabilidades apontam para estabilidade da taxa básica.

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