Johnnie Walker: dona da marca aposta em nova estratégia para recuperar vendas (Divulgação)
Publicado em 6 de agosto de 2026 às 09h35.
As ações da Diageo dispararam nesta quinta-feira, 6, depois que a maior fabricante de bebidas destiladas do mundo anunciou um plano para cortar cerca de US$ 1 bilhão em custos nos próximos três anos, na tentativa de recuperar o crescimento do negócio.
Os papéis da dona de marcas como Johnnie Walker, Smirnoff, Tanqueray e Guinness sobem 6% na Bolsa de Londres (com o ticker DGE) e avançavam 5,76% no pré-mercado de Nova York (DEO). As informações são da Bloomberg.
O otimismo também se espalhou pelo setor, com as ações de Rémy Cointreau e Pernod Ricard em alta em Paris, indicando que investidores enxergam o movimento como um possível sinal de recuperação para o mercado de bebidas premium.
O CEO Dave Lewis assumiu o comando da Diageo em janeiro com o desafio de recuperar o desempenho de uma empresa cujo crescimento vinha perdendo força e cujas ações acumulavam queda superior a 50% em relação ao pico registrado durante a pandemia.
De um lado, consumidores ao redor do mundo reduziram o consumo de bebidas alcoólicas. De outro, a estratégia da companhia de concentrar seu portfólio em produtos premium perdeu força diante de um ambiente marcado por inflação elevada e menor poder de compra.
Até o fim de 2025, apenas 38% das vendas da Diageo estavam concentradas em produtos de preço padrão ou de entrada, enquanto 62% pertenciam às categorias premium e de luxo, segundo o relatório anual da empresa. A intenção agora é equilibrar esse portfólio.
A avaliação da companhia é que produtos mais acessíveis podem compensar margens menores por meio de um volume maior de vendas.
E a estratégia já começou a aparecer em algumas marcas do grupo. Uma garrafa de 1 litro do whisky Bell's, por exemplo, passou a ser vendida por £ 18,50, o equivalente a US$ 24,90, em alguns supermercados britânicos, abaixo dos cerca de £ 25 cobrados um ano antes.
A empresa também pretende concentrar esforços para acelerar a recuperação do mercado norte-americano, considerado estratégico para seus resultados. O plano inclui investimentos em marcas inseridas em categorias mais competitivas, melhorias no atendimento aos consumidores e simplificação da estrutura operacional.
A companhia espera, ainda, que a receita orgânica fique praticamente estável neste ano fiscal, depois de recuar 2% nos 12 meses encerrados em 30 de junho, resultado em linha com as expectativas do mercado. No médio prazo, a projeção é de crescimento anual de um dígito baixo.
Desde que assumiu o comando da empresa, Lewis determinou que as equipes buscassem novas oportunidades de redução de custos e iniciou um processo de simplificação da estrutura de gestão regional, incluindo cortes de vagas. O movimento também provocou mudanças na equipe de executivos.
O balanço também trouxe uma baixa contábil de US$ 1,5 bilhão, relacionada, principalmente, às operações da companhia na Turquia, além de ajustes envolvendo a marca de rum Don Papa e outros ativos menores do portfólio.
No mercado britânico, Lewis é conhecido pela reputação de especialista em reestruturações e, antes de assumir a Diageo, liderou a recuperação da Tesco após um escândalo contábil e uma expansão internacional malsucedida que comprometeu o desempenho da varejista em seu principal mercado, o Reino Unido.