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Dona do Johnnie Walker e Smirnoff planeja cortes para recuperar vendas

Investidores esperam que o novo CEO da Diageo consiga tirar a empresa de "três anos de marasmo", marcados por baixo crescimento nas vendas, segundo fontes ouvidas pelo Financial Times

Diageo: novo CEO busca eliminar o que descreve como uma cultura “gorda e feliz” dentro da gigante das bebidas. (Vivien Killilea/Los Angeles Magazine/Getty Images)

Diageo: novo CEO busca eliminar o que descreve como uma cultura “gorda e feliz” dentro da gigante das bebidas. (Vivien Killilea/Los Angeles Magazine/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 08h25.

O novo CEO da Diageo, Dave Lewis, pretende promover uma reestruturação na liderança da maior fabricante de bebidas alcoólicas do mundo, cortando custos e buscando retomar o crescimento do negócio. A empresa é líder mundial na produção de bebidas alcoólicas premium e tem no portfólio marcas como Johnnie Walker, Smirnoff e Tanqueray.

Lewis pretende substituir diversos membros do comitê executivo de 14 pessoas da fabricante do uísque Johnnie Walker e do rum Captain Morgan, segundo fontes ouvidas pelo Financial Times.

Os investidores esperam que o executivo tire a empresa de "três anos de marasmo", marcados por baixo crescimento nas vendas, pontuaram em sigilo ao site.

As fontes esperam que o mandatário aja rápido para eliminar camadas inteiras de gestão, uma estratégia destinada a tornar a operação mais ágil o quanto antes.

O diretor-gerente da Artisan Partners — quinta maior acionista da empresa —, David Samra, afirmou ao Financial Times que não se surpreenderia com cortes hierárquicos.

Planos concretos em breve e desafios

A expectativa do mercado é que Lewis apresente planos concretos em breve, após passar as primeiras semanas no cargo em reuniões com funcionários e visitas a escritórios nos Estados Unidos (EUA) e na Índia.

Um dos desafios imediatos será reduzir a dívida líquida da Diageo, que em junho de 2025 estava em 3,4 vezes os lucros ajustados, acima da meta da empresa de menos de três vezes.

Diageo: novo CEO Dave Lewis. (Jack Taylor/Getty Images)

Os especialistas consultados pelo Financial Times destacaram, ainda, que a Diageo pode vender ativos não essenciais. Ela já vendeu participação na cervejaria EABL por US$ 2,3 bilhões.

Agora a empresa avalia a venda de sua fatia no negócio Sichuan Swellfun, além da equipe de críquete indiana Royal Challengers Bengaluru.

Corte de dividendos no radar?

Analistas da Jefferies, ouvidos pelo Financial Times, afirmam que um corte pela metade nos pagamentos dos dividendos poderia levar a alavancagem para dentro da meta até o fim de 2027.

Além dos ajustes financeiros, há pressão dos acionistas para que parte do orçamento de marketing seja redirecionada para as equipes de vendas, revertendo cortes realizados anteriormente.

Lewis precisará repensar, também, o foco histórico da Diageo em marcas premium, de acordo com os especialistas. Este modelo foi o "mantra" da empresa até o poder de compra dos consumidores diminuir.

O analista da Flossbach von Storch, Kai Lehmann, afirmou ao Financial Times que a Diageo precisa reconhecer os limites do portfólio de luxo e investir mais em marcas acessíveis, como a vodka Smirnoff.

As ações da Diageo caíram quase 40% nos últimos cinco anos.

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