Elon Musk, xAI (VINCENT FEURAY / Colaborador/Getty Images)
Repórter
Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 07h08.
A startup de inteligência artificial xAI, fundada por Elon Musk, acelerou o consumo de caixa em 2025. Documentos internos obtidos pela Bloomberg mostram que a empresa gastou quase US$ 7,8 bilhões (cerca de R$ 42 bilhões na cotação atual) nos primeiros nove meses do ano passado.
Esse gasto foi impulsionado por investimentos em data centers, contratações e desenvolvimento de software.
Só no terceiro trimestre de 2025, o prejuízo líquido foi de US$ 1,46 bilhão (R$ 7,88 bilhões), acima da perda de US$ 1 bilhão (R$ 5,4 bilhões) registrada no primeiro trimestre.
Até setembro, a xAI gastou quase US$ 160 milhões com remuneração em ações, um reflexo da forte disputa por talentos no setor de inteligência artificial.
O faturamento da xAI até setembro somava pouco mais de US$ 200 milhões, bem aquém dos US$ 500 milhões projetados para o ano de 2025.
Apesar disso, o lucro bruto avançou. No terceiro trimestre, foi de US$ 63 milhões, ante US$ 14 milhões no trimestre anterior.
O ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) permaneceu negativo, com perda de US$ 2,4 bilhões até setembro, acima da projeção anterior de US$ 2,2 bilhões para o ano inteiro.
Na última terça-feira, 6, a holding xAI Holdings, que controla a xAI e o X, anunciou que concluiu sua rodada de investimentos Série E, com captação de US$ 20 bilhões (cerca de R$ 107,5 bi na cotação atual).
A xAI não divulgou o valuation após a rodada. Ainda assim, matérias publicadas em 2025 pela Reuters e pelo The Wall Street Journal indicam que a empresa mirava um valor de mercado de até US$ 230 bilhões (R$ 1,235 trilhão).
Participaram do financiamento investidores como Valor Equity Partners, Stepstone Group, Fidelity Management & Research Company, Qatar Investment Authority, MGX e Baron Capital Group. A rodada também contou com investidores estratégicos, como NVIDIA e Cisco Investments, grandes apoiadores da expansão da infraestrutura computacional da empresa.
Segundo a xAI, os recursos serão voltados principalmente à expansão de sua infraestrutura de computação.
A empresa encerrou o ano passado com mais de um milhão de equivalentes de GPUs H100 em operação, distribuídas entre os supercomputadores Colossus I e II, considerados os melhores do mundo quando se trata de IA.
No total, a empresa já levantou pelo menos US$ 40 bilhões em capital próprio desde sua fundação.
Em conversas com investidores, executivos da xAI indicaram que o foco atual está no desenvolvimento acelerado de agentes de IA e outros softwares. Esses produtos devem alimentar o que a empresa chama de “Macrohard”, uma iniciativa de software baseada apenas em IA, até que a tecnologia possa, no futuro, operar robôs humanoides como o Optimus, da Tesla.
A empresa afirmou ter recursos suficientes para manter o ritmo de gastos. Documentos internos descrevem o crescimento do setor como acelerado.
A xAI opera de forma integrada a outros negócios de Musk. O chatbot Grok já está totalmente incorporado ao X (antigo Twitter), e também está disponível em veículos da Tesla. A SpaceX, empresa de foguetes do empresário, já investiu na xAI, que, por sua vez, gastou centenas de milhões de dólares em baterias Megapack da Tesla.
Embora Musk já tenha defendido uma ligação mais formal entre Tesla e xAI, a montadora não é investidora da startup de IA. Em novembro, acionistas da Tesla votaram uma proposta não vinculante para investir na xAI, que não obteve apoio suficiente.