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Donald Trump: presidente que criar 'Força da IA' (Kent Nishimura/AFP/Getty Images)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 21 de setembro de 2026 às 11h01.
Última atualização em 21 de setembro de 2026 às 17h39.
Donald Trump anunciou neste sábado (19) a criação de uma “Força de IA”, inspirada na Força Espacial, e prometeu nomear um novo czar de inteligência artificial. Segundo o Axios, o governo ainda não detalhou funções, orçamento ou posição administrativa da estrutura. A iniciativa reforça a política de regulação mínima, apesar dos alertas da indústria e da preocupação popular.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado, 19, a criação de uma "Força de IA" inspirada na Força Espacial, e disse que vai nomear em breve um novo czar de inteligência artificial (IA) para o governo americano. A medida reforça uma estratégia que já vinha se desenhando havia meses: acelerar o desenvolvimento da tecnologia com o mínimo possível de regulação, contrariando até mesmo parte da própria indústria de tecnologia.
Segundo o site americano Axios, Trump deu poucos detalhes sobre o que a Força de IA faria de fato, qual orçamento teria ou onde seria posicionada dentro do governo federal. Em publicação na rede Truth Social, ele disse que o governo "não vai de forma alguma atrapalhar ou sufocar" o crescimento da IA, mas vai buscar comportamentos "ruins" usando o sistema de Justiça criminal e civil já existente.
A proposta chega poucos dias depois do presidente sugerir, também pelas redes sociais, uma mudança no próprio nome da inteligência artificial, ao lançar uma enquete perguntando aos seguidores se preferem chamá-la de "inteligência superior" ou "inteligência extrema".
O episódio, por mais anedótico que pareça, resume o tom com que a Casa Branca vem tratando um debate que, no resto do setor, é encarado com urgência crescente.
O anúncio chega em um momento de endurecimento da posição antirregulação de Trump, mesmo com os maiores executivos do setor pedindo regras de segurança mais rígidas e com a preocupação pública sobre IA em alta.
No começo do mês, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, publicou um ensaio defendendo que as empresas do setor reduzam o ritmo de desenvolvimento dos modelos mais avançados, para dar tempo de compreender melhor os riscos envolvidos.
A proposta recebeu apoio imediato do CEO da OpenAI, Sam Altman, e de Elon Musk, da xAI, e reacendeu conversas de bastidor entre concorrentes históricos sobre coordenar uma desaceleração conjunta, com Demis Hassabis, do Google DeepMind, também sinalizando apoio à ideia.
Um pesquisador da Anthropic, Jacob Coxon, chegou a pedir demissão da empresa por considerar que o setor "aposta com nossas vidas" na corrida pela superinteligência. Outro pesquisador da companhia, Evan Hubinger, afirmou publicamente acreditar em uma probabilidade superior a 10% da inteligência artificial "matar toda a humanidade" dentro de uma década.
Diante desse coro, Trump optou pelo caminho oposto. Ele já havia criticado publicamente Amodei, chamando de "farsa" os temores de tecnólogos sobre um risco existencial da IA e afirmando que a única salvaguarda de que a tecnologia precisa é um presidente "forte e inteligente".
O atrito com a Anthropic não é novo: a empresa já havia entrado em choque com o governo depois de exigir restrições para o uso militar de seus próprios sistemas, e chegou a ter dois modelos suspensos por ordem do governo americano por motivos de segurança nacional.
A posição de czar de IA e criptomoedas havia sido deixada por David Sacks em março, embora ele continue influente como co-presidente do Conselho de Assessores em Ciência e Tecnologia do presidente.
Seis meses atrás, a Casa Branca não planejava sequer preencher o cargo — um sinal de como a pressão dentro e fora do governo mudou o cálculo político em poucos meses.
O entusiasmo de Trump não encontra o mesmo eco entre eleitores americanos.
Uma pesquisa do New York Times com o Instituto Siena, feita com 1.503 eleitores prováveis e divulgada na mesma semana, encontrou 61% de oposição à construção de data centers para alimentar IA, incluindo 47% dos republicanos e 75% dos democratas — resultado que confirma uma tendência já registrada meses antes, quando a rejeição a esses projetos começou a virar tema de campanha eleitoral em diferentes distritos do país. Parte da resistência tem base concreta: o custo da energia contratada no maior mercado elétrico dos EUA já bateu recorde por causa da demanda dos data centers de IA, pressionando as contas de luz de milhões de consumidores.
Uma pesquisa da AP-NORC com a Universidade de Chicago, também divulgada na semana passada, encontrou 53% de pessoas muito preocupadas com o impacto ambiental da IA, e uma pesquisa da Politico com a Public First encontrou 63% dos adultos americanos vendo pelo menos um risco moderado da IA avançada acabar destruindo a humanidade.
Democratas têm pedido cada vez mais intervenção no setor, mas ainda não se uniram em torno de uma agenda única. O senador Bernie Sanders quer pausar o desenvolvimento de IA avançada e banir permanentemente a chamada superinteligência, IA mais capaz que humanos e capaz de operar além do controle humano.
Já a deputada Alexandria Ocasio-Cortez pediu padrões rígidos de segurança e supervisão pública, e alertou o Congresso a não socorrer as grandes empresas de tecnologia caso a "bolha da IA" estoure.
A Força de IA será uma estrutura do governo americano inspirada na Força Espacial. Segundo o Axios, Donald Trump ainda não explicou quais serão suas funções, seu orçamento ou sua posição dentro do governo federal.
Donald Trump ainda não anunciou quem ocupará o cargo, mas afirmou que fará a nomeação em breve. A função de czar de IA e criptomoedas foi deixada por David Sacks em março, embora ele continue no governo como co-presidente do Conselho de Assessores em Ciência e Tecnologia.
Donald Trump defende que o governo não dificulte o crescimento da inteligência artificial e prefere usar as leis criminais e civis existentes contra condutas inadequadas. O presidente também classificou como “farsa” os alertas de que a IA poderia destruir a humanidade.
Dario Amodei, da Anthropic; Sam Altman, da OpenAI; Elon Musk, da SpaceX; e Demis Hassabis, do Google DeepMind, pediram a desaceleração do desenvolvimento de inteligência artificial nas últimas semanas.
Uma pesquisa do New York Times e do Siena encontrou 61% de oposição à construção de data centers para IA. Levantamentos da AP-NORC e da Politico apontaram, respectivamente, 53% de forte preocupação com o impacto ambiental e 63% de percepção de pelo menos algum risco de a IA avançada destruir a humanidade.
Bernie Sanders propõe pausar o desenvolvimento de IA avançada e proibir permanentemente a superinteligência. Alexandria Ocasio-Cortez defende padrões rígidos de segurança, supervisão pública e a ausência de resgates governamentais para empresas de tecnologia caso a chamada bolha da IA estoure.