(Stephen Zeigler/Getty Images)
Redatora
Publicado em 21 de setembro de 2026 às 17h29.
Durante décadas, parte da psicologia tratou a maturidade como uma fase de menor capacidade de transformação —- hoje, essa ideia perdeu força. Pessoas mais velhas continuam capazes de aprender, formar novas memórias e desenvolver habilidades, segundo o National Institute on Aging, dos Estados Unidos.
A terapia pode ajudar pessoas acima dos 60 a lidar com perdas, aposentadoria, mudanças no corpo e transformações de identidade, mas a discussão vai além da saúde emocional: ela toca em um ponto central para qualquer trajetória profissional — o que acontece quando o papel que definiu uma pessoa por anos deixa de fazer sentido?
Durante muito tempo, alguém pode se apresentar como executivo, médica, professora, engenheiro ou empreendedora.
Quando esse papel muda, surge uma pergunta incômoda: quem sou eu sem aquilo que ocupou tanto espaço na minha vida?
Especialistas ouvidos pelo Estadão relatam justamente esse tipo de conflito. A aposentadoria, por exemplo, pode alterar rotina, relações, senso de utilidade e até a forma como uma pessoa se percebe.
O problema não está apenas em parar de trabalhar —- está em precisar reconstruir significado depois de uma mudança de fase.
Uma ideia importante da reportagem é que autoconhecimento pode florescer muito depois da juventude.
O National Institute on Aging reforça que envelhecer não significa perder a capacidade de aprender. Adultos mais velhos continuam aptos a desenvolver novas habilidades e formar novas memórias, embora alguns processos possam exigir mais tempo.
Isso desmonta uma crença comum no mercado: a de que reinvenção profissional teria prazo de validade. Mudanças de área, novos projetos, consultoria, empreendedorismo ou uma redução deliberada do ritmo podem acontecer em diferentes momentos da vida.
O ponto de partida é entender o que ainda faz sentido e o que já não representa mais a pessoa que você se tornou.
Envelhecer também acrescenta informação. Experiências acumuladas ajudam a reconhecer ambientes em que se trabalha melhor, tipos de liderança que funcionam, limites pessoais e padrões que já se repetiram mais de uma vez.
O próprio National Institute on Aging observa que adultos mais velhos podem preservar — e, em alguns casos, ampliar — conhecimentos ligados à linguagem e ao repertório construído ao longo da vida.
Na carreira, esse repertório pode tornar escolhas mais conscientes. Não porque a pessoa finalmente tenha todas as respostas, mas porque passa a ter mais evidências sobre si mesma.
O autoconhecimento não entrega uma resposta definitiva sobre qual caminho seguir.
Ele melhora a qualidade das perguntas:
A idade muda o contexto. Não elimina a possibilidade de rever escolhas, aprender e construir novos próximos passos.
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