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(Imagem gerada por IA/Exame)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 20 de julho de 2026 às 18h59.
Mesmo depois da Copa do Mundo de 2026 ter acabado e do Brasil ter sido eliminado nas oitavas, a Seleção jogará novamente — mas, dessa vez, sem nenhum jogador humano em campo.
Formada por seis estudantes de cinco universidades e por pesquisadores da área de robótica, a equipe nacional de robôs humanoides vai disputar no fim de agosto, em Pequim, os World Humanoid Robot Games — a competição que funciona como uma espécie de olimpíada das máquinas.
A vaga veio pelo desempenho recente em torneios internacionais. No ano passado, o Brasil terminou em quinto lugar na mesma competição, resultado que reforçou o convite para esta edição.
A preparação segue a lógica de qualquer delegação esportiva e o grupo chegará à capital chinesa algumas semanas antes para se ambientar aos equipamentos.
A segunda edição dos World Humanoid Robot Games acontece de 22 a 26 de agosto, no Ginásio Nacional de Patinação de Velocidade, o "Anel de Gelo" construído para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, em Pequim.
O evento é organizado pelo governo municipal da capital chinesa em conjunto com a China Media Group, a estatal de comunicação do país.
O programa cresceu. Agora são 32 provas divididas em duas categorias: a competitiva, com nove modalidades e 26 provas — entre elas atletismo, futebol, ginástica, levantamento de peso, artes marciais, dança de rua e cabo de guerra —, e a categoria de cenários, com seis provas que simulam ambientes reais, como casa, hotel, indústria, hospital, varejo e resposta a emergências. Cabo de guerra, arremesso de flechas em vaso e levantamento de peso são estreias.
Essas provas de cenário testam a coordenação entre percepção, decisão e manipulação — o que os organizadores chamam de sintonia entre "cérebro, olho e mão" do robô. O objetivo declarado é desenvolver máquinas capazes de assumir funções como operário de fábrica, assistente doméstico ou bombeiro.
O nível técnico também subiu. Segundo Jiang Guangzhi, diretor do Escritório Municipal de Economia e Tecnologia da Informação de Pequim, os robôs jogadores de futebol agora driblam em movimento e executam manobras defensivas complexas — evolução que ele descreveu, em comparação humana, como a passagem de um nível "de jardim de infância" para o "de adolescente".
A primeira edição, em agosto de 2025, reuniu 280 equipes de 16 países e mais de 500 robôs em 26 provas. Foi nela que o Brasil terminou em quinto lugar. Ao fim daquele torneio, foi criada a Federação Mundial dos Jogos de Robôs Humanoides, responsável por organizar as competições e formular padrões técnicos para o setor.
Uma regra do torneio muda a natureza da disputa. Os humanoides são fornecidos pela organização, iguais para todas as equipes, o que elimina a vantagem de quem tem mais dinheiro para investir em hardware.
Na prática, isso transforma o campeonato em uma competição de software — vence quem programar melhor a percepção do ambiente, a tomada de decisão e a coordenação entre as máquinas.
Copa de robôs: Brasil terá Seleção no campeonato (Imsgem gerada por IA/Exame)
Os robôs atuam sem qualquer intervenção externa: não há piloto nem controle remoto, e cada jogada resulta da programação feita pelas equipes.
A convocação chega depois de uma temporada forte na RoboCup 2026, a maior competição de robótica e inteligência artificial (IA) do mundo, realizada entre 30 de junho e 6 de julho em Incheon, na Coreia do Sul.
O evento reuniu mais de 3 mil participantes de 45 países e é organizado desde 1997 pela RoboCup Federation, que usa o futebol de robôs como problema de referência para avançar pesquisas em IA, visão computacional e sistemas autônomos.
O resultado mais expressivo foi do RobôCIn, equipe do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
O robô mais vendido do mundo custa R$ 88 mil — e quer ganhar Wall StreetO grupo conquistou pela primeira vez o vice-campeonato na divisão A da Small Size League (SSL), sendo o único time das Américas no topo do torneio, além de um quinto lugar na Simulação 2D e o nono na Liga Humanoide. Na SSL, das 27 equipes inscritas, apenas dez se qualificaram para a divisão A e oito conseguiram competir com o projeto pronto.
Outras universidades também marcaram presença. A Bahia Robotics Team, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), estreou na Humanoid Soccer League representando o país, na divisão destinada a robôs com mais de 1,25 metro de altura. E o campus de Colatina do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) levou duas equipes, uma delas chegando à semifinal na Simulação 2D, onde perdeu nos pênaltis.
O esforço tem um custo alto para grupos universitários. Segundo a coordenação do RobôCIn, um robô da categoria Small Size League custa entre R$ 15 mil e R$ 30 mil.
Já um humanoide de competição internacional pode variar de R$ 80 mil a mais de R$ 250 mil, dependendo da complexidade mecânica e dos sensores embarcados.
Criado em 2015 por doze estudantes e dois professores, sob coordenação da professora Edna Barros, o RobôCIn acumulou mais de quinze premiações em dez anos, com participações regulares na RoboCup desde 2019.
A escolha do esporte não é acidental. Um campo com bola, adversários e regras é um ambiente caótico o suficiente para exigir das máquinas as mesmas habilidades que a indústria persegue — como enxergar, decidir em tempo real e agir em coordenação com outros agentes.
Os planos do ex-cientista de Musk para criar robôs humanoides na EuropaSegundo Barros, parte das técnicas de navegação e planejamento de trajetória desenvolvidas para os robôs com rodas da SSL vem sendo adaptada para os projetos humanoides, o que abre caminho para aplicações em logística e em ambientes hostis à presença humana.