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Northstar: robô da UMA quer resolver problemas de envelhecimento na Europa (Uma/Reprodução)
Repórter
Publicado em 7 de julho de 2026 às 15h59.
Última atualização em 7 de julho de 2026 às 17h11.
O mundo dá voltas. E, para um ex-cientista da Tesla e da SpaceX, empresas de Elon Musk, essas voltas o levaram de volta à Europa com um objetivo ambicioso: criar o primeiro robô humanoide europeu projetado para o trabalho.
Rémi Cadene é o presidente-executivo (CEO) e cofundador da UMA, startup sediada em Paris. Antes de fundá-la, Cadene trabalhou no desenvolvimento do sistema Autopilot e do robô Optimus, da Tesla, e depois assumiu a liderança da área de robótica da plataforma de inteligência artificial (IA) de código aberto Hugging Face, onde criou o LeRobot, biblioteca aberta que virou infraestrutura essencial para a robótica no mundo todo.
Segundo a Bloomberg, o robô da UMA, chamado de Northstar e equipado com IA, tem como foco ajudar a automatizar processos industriais, e vai mirar a Europa primeiro.
"Os custos de mão de obra são muito altos e, considerando as tendências demográficas, haverá uma demanda significativa", disse Cadene, em referência ao envelhecimento populacional do continente.
A trajetória de Cadene é o que dá musculatura ao projeto. Antes da Tesla, ele passou pela Meta e, no Hugging Face, tornou-se pesquisador principal.
Ele não está sozinho nessa. A UMA reúne um time que a imprensa de robótica apelidou de "supergrupo europeu". Entre os cofundadores estão Pierre Sermanet, que pesquisou aprendizado profundo por duas décadas na Universidade de Nova York e no Google DeepMind, Simon Alibert, cocriador do LeRobot, e Robert Knight, que projeta robôs humanoides há mais de 25 anos.
A empresa, cujo nome é a sigla em inglês para Assistente Mecânico Universal, saiu do modo sigiloso em 1º de dezembro de 2025, com apoio de investidores de peso — entre eles a gestora Greycroft e nomes influentes da IA, como Yann LeCun, um dos pais das redes neurais. A startup afirma que já conversa com cerca de 50 potenciais clientes para identificar aplicações industriais.
Em demonstração na sede da empresa, em Paris, Cadene apresentou um protótipo inicial do Northstar e mostrou sua estabilidade ao empurrá-lo com um bastão.
A UMA pretende entregar uma prova de conceito até o fim deste ano. A primeira versão terá rodas em vez de pernas e será revestida por uma camada externa flexível, semelhante a uma roupa de trabalho.
O objetivo é um robô leve, de cerca de 40 quilos, capaz de operar com segurança ao lado de trabalhadores humanos. Seu diferencial está no sistema de IA. Segundo a empresa, em vez de depender de programação específica para cada tarefa, o robô usa um método de aprendizado em tempo real, que permite observar uma demonstração, aprender uma nova habilidade e aperfeiçoá-la com a prática.
"É assim que uma criança aprende a amarrar os sapatos: primeiro alguém ensina, depois ela melhora com a prática", afirmou Cadene, segundo a Bloomberg.
No laboratório da empresa, braços robóticos equipados com visão computacional foram demonstrados separando buchas plásticas por cor de forma autônoma.
A aposta da UMA se insere em um mercado que virou obsessão do Vale do Silício à China.
O setor de robôs humanoides deve saltar de cerca de US$ 2,92 bilhões em 2025 para US$ 15,26 bilhões em 2030, segundo a consultoria MarketsandMarkets.
As projeções de longo prazo são ainda mais ousadas: o Goldman Sachs estima um mercado de US$ 38 bilhões até 2035, enquanto o Morgan Stanley projeta US$ 5 trilhões até 2050.
O que move essas cifras é a combinação de IA mais capaz e queda de custos.
O Goldman Sachs projeta que as remessas globais podem alcançar 1,4 milhão de unidades por ano até 2035, puxadas por uma redução de 40% no custo dos materiais. As instalações, que eram quase nulas em 2023, já passaram de 16 mil unidades em 2025.
Mas a concorrência é pesada.
A UMA disputa espaço com a Tesla, cujo Optimus tem preço-alvo de US$ 20 mil a US$ 30 mil por unidade em escala, com a americana Figure e com fabricantes chinesas como a Unitree, cujo modelo G1 é vendido a cerca de US$ 16 mil. Por ora, empresas chinesas dominam o mercado atual.
Diante desses gigantes, a tese de Cadene é contraintuitiva. Para ele, a Europa, e não o Vale do Silício ou a Ásia, seria o melhor lugar para erguer uma empresa de humanoides.
O argumento se apoia em dois pilares — a rede industrial histórica do continente e a mão de obra altamente qualificada, combinados a uma população que envelhece e a custos de trabalho elevados.
Na avaliação do executivo, a adoção de robôs pessoais poderá ocorrer em ritmo mais acelerado do que a dos smartphones, cuja popularização levou cerca de 12 anos.
A expectativa é que os próprios humanoides participem da fabricação de novas unidades, reduzindo custos e acelerando a expansão. Resta saber se o primeiro grande nome dessa nova era falará, como quer Cadene, francês.