Atlas, robô humanoide da Boston Dynamics, entregou a bola ao árbitro antes do segundo tempo de Brasil x Noruega e imitou a comemoração de Erling Haaland (Reprodução)
Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 6 de julho de 2026 às 09h47.
Última atualização em 6 de julho de 2026 às 09h53.
O confronto entre Brasil e Noruega na Copa do Mundo teve uma participação incomum no intervalo: Atlas, robô humanoide da Boston Dynamics, entrou em campo para entregar a bola ao árbitro antes do início do segundo tempo.
A cena ocorreu no domingo, em uma partida vencida pela seleção norueguesa por 2 a 0, e acrescentou um elemento de espetáculo tecnológico a um torneio já marcado por drama e controvérsia.
O Atlas, robô bípede de alta mobilidade criado pela companhia americana Boston Dynamics, também imitou a comemoração de Erling Haaland, atacante da Noruega e do Manchester City. O gesto reproduziu a pose de meditação usada pelo jogador após gols, mas não incluiu a tradicional celebração do “robô” popularizada pelo ex-atacante inglês Peter Crouch.
A aparição do humanoide reforça a tentativa de empresas de robótica de levar máquinas avançadas para espaços de grande visibilidade pública, como eventos esportivos globais. O uso de Atlas em campo ocorre em um momento de crescente interesse por robôs capazes de se movimentar em ambientes humanos, ainda que a aplicação comercial desse tipo de tecnologia siga em estágio inicial.
Apresentado pela primeira vez em 2013, em uma versão anterior, Atlas se tornou um dos primeiros robôs humanoides a viralizar na internet. Na época, a máquina tinha cerca de 1,80 metro e 90 quilos. Desde então, a Boston Dynamics divulgou vídeos do robô praticando parkour, realizando danças sincronizadas e executando repetidos backflips, os saltos mortais para trás.
As versões mais recentes ampliaram o efeito de estranhamento. O modelo atual tem articulações capazes de girar 360 graus em partes como cabeça, tronco e membros, recurso que dá ao robô uma mobilidade distante da anatomia humana tradicional.
A Boston Dynamics, hoje controlada pela Hyundai, tenta apresentar Atlas com aparência menos ameaçadora que a de alguns concorrentes. Em janeiro, Robert Playter, então presidente-executivo da empresa, disse ao Business Insider que a inspiração visual veio da luminária da Pixar, numa tentativa de evitar um rosto “assustador” ou “distópico”.
O mercado de humanoides ainda é pequeno, mas pode saltar de US$ 3 bilhões em 2025 para US$ 28 bilhões em 2030, segundo estimativas do Morgan Stanley citadas no texto original. A projeção ajuda a explicar por que empresas tradicionais e startups, companhias emergentes de tecnologia, passaram a disputar espaço nesse segmento.
Empresas como Weave, Sunday Robotics e 1X anunciaram planos para lançar ajudantes robóticos domésticos nos próximos anos. A Tesla também prepara o Optimus, robô humanoide que Elon Musk já descreveu como um possível produto central para o futuro da companhia.
A Boston Dynamics teve presença ampliada nesta Copa do Mundo. Além da participação de Atlas no jogo entre Brasil e Noruega, cães-robôs Spot, outro produto da empresa, foram usados na segurança do estádio de Nova York-Nova Jersey.
Apesar da encenação em campo, a criação de um robô capaz de competir tecnicamente com jogadores como Lionel Messi ainda está distante. Vídeos divulgados pela Boston Dynamics durante a Copa indicam, porém, que Atlas já consegue demonstrar controle razoável com a bola nos pés — o suficiente para transformar uma ação promocional em vitrine para a próxima etapa da robótica humanoide.