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Petróleo se aproxima de US$ 110 após ataque à rota exportadora do Irã

Ilha de Kharg, principal hub de exportação de petróleo do Irã, foi bombardeada neste fim de semana

Ilha de Kharg: rota de 90% das exportações de petróleo iraniano

Ilha de Kharg: rota de 90% das exportações de petróleo iraniano

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 15 de março de 2026 às 19h58.

O barril de petróleo avança acima dos US$ 100 neste domingo após os Estados Unidos realizarem ataques militares à Ilha de Kharg, principal hub de exportação de petróleo do Irã. Os conflitos iniciados com ataques americanas e israelenses ao país chega em sua terceira semana.

O WTI (petróleo americano) avançava 2,64% nas negociações noturnas (overnight) em Nova York, a US$ 101,32 o barril, enquanto o Brent (referência internacional) subia 2,94%, em Londres, a US$ 106,17 — acumulando alta superior a 40% em duas semanas. Na última sexta-feira, o Brent fechou acima dos US$ 100 pela primeira vez em quase quatro anos.

Kharg Island: o nó do fornecimento global

Cerca de 90% das exportações de petróleo iraniano passam pela Ilha de Kharg, pelos cálculos do JPMorgan. O presidente Trump afirmou que os ataques de sexta-feira miraram infraestrutura militar, poupando instalações petrolíferas — mas fez uma ameaça direta: se o Irã continuar bloqueando navios no Estreito de Ormuz, as plataformas de exportação da ilha serão o próximo alvo.

O embaixador americano na ONU, Mike Waltz, reiterou a posição à CNN neste domingo: "Ele deliberadamente atingiu apenas infraestrutura militar, por enquanto", disse Waltz, acrescentando que Trump "certamente manteria essa opção caso queira destruir a infraestrutura energética deles."

A agência de notícias estatal iraniana Fars informou que as exportações de Kharg seguiam normais. O exército iraniano, ainda segundo a Fars, ameaçou atacar áreas em Doha e Dubai que abrigam forças americanas.

A maior disrupção de oferta da história

O fechamento do Estreito de Ormuz — pelo qual passava cerca de 20% do petróleo mundial antes do conflito — foi classificado pela Agência Internacional de Energia (AIE) como a maior interrupção de fornecimento já registrada no mercado global de petróleo.

Natasha Kaneva, chefe de estratégia global de commodities do JPMorgan, alertou em nota a clientes que um ataque direto ao terminal de exportação da ilha de Kharg interromperia imediatamente 1,5 milhão de barris por dia em exportações iranianas — e provavelmente desencadearia "retaliação severa" no Estreito de Ormuz ou contra infraestrutura energética regional.

Nos Emirados Árabes Unidos, operações no porto de Fujairah foram interrompidas após um ataque de drone no início de sábado, bloqueando temporariamente a única rota de exportação disponível enquanto o Estreito permanece fechado. As atividades foram retomadas no domingo.

Liberação histórica de reservas estratégicas

Para conter os preços, mais de 30 países concordaram em liberar 400 milhões de barris de seus estoques estratégicos — a maior ação coordenada do tipo na história. Os EUA contribuirão com 172 milhões de barris de sua Reserva Estratégica de Petróleo.

A AIE informou neste domingo que países asiáticos começarão a liberar os estoques imediatamente; nações das Américas e da Europa iniciarão o processo até o fim de março.

Ainda assim, o secretário de Energia americano, Chris Wright, reconheceu à ABC News que não há garantias de queda nos preços nas próximas semanas. "Não há garantias em guerras", disse Wright.

Perspectivas para o fim do conflito

Kevin Hassett, chefe do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, disse que o Pentágono projeta uma duração de quatro a seis semanas para o conflito — ressalvando que a decisão final cabe ao presidente. Trump sinalizou abertura para negociações no fim de semana, mas o chanceler iraniano Abbas Araghchi afirmou que o Irã não pediu conversas nem cessar-fogo.

A administração americana planeja anunciar ainda esta semana que múltiplos países concordaram em escolta de navios-tanque pelo Estreito de Ormuz, segundo o Wall Street Journal. Mas ainda está em discussão se a operação começaria antes ou depois do fim das hostilidades.

Com informações de CNBC e Bloomberg

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