Os ministros Alexandre de Moraes e Edson Fachin durante sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) (Marcelo Camargo/Agência Brasil/Agência Brasil)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 9 de setembro de 2026 às 18h10.
Última atualização em 10 de setembro de 2026 às 23h30.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, marcou para as 10h do dia 15 de setembro, terça-feira, a sessão extraordinária do plenário da Corte que deverá decidir se abre uma investigação sobre os fatos divulgados em um relatório da Polícia Federal que expõe a relação de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, controlador do extinto Banco Master.
A decisão foi tomada após Fachin ser pressionado por colegas e ex-colegas de Corte, além de interlocutores do governo Lula, a tomar providências após a escalada na crise que toma o STF há pelo menos uma semana e que se agravou com a decisão do ministro André Mendonça de afastar preventivamente o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, por ter produzido relatórios de inteligência usados por Moraes para pedir investigações contra Mendonça.
O presidente do STF também atendeu a um pedido da Advocacia-Geral da União para anular a decisão e reconduzir Rodrigues ao cargo.
Em outra decisão, Fachin retirou o ministro Alexandre de Moraes da relatoria do controverso inquérito das fake news, aberto em 2019 e que o ministro usou para pedir, na semana passada, que André Mendonça fosse investigado por improbidade administrativa, abuso de autoridade e suposta perseguição política na condução dos casos do Banco Master e das fraudes no INSS.
Mendonça retirou o sigilo do processo que inclui as mensagens de Vorcaro e Moraes em 1º de setembro. O processo reúne provas e informações da Polícia Federal obtidas a partir da análise de celulares do banqueiro, preso no âmbito da operação Compliance Zero.
As mensagens trocadas com Moraes e reveladas nos autos incluem pedidos de Vorcaro para que Moraes intervenha junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao delegado-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para blindá-lo. Não há nos autos respostas do ministro ao banqueiro.
Moraes não respondeu, até o momento, sobre o teor das mensagens nem sobre os valores recebidos pelo escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, de empresas ligadas a Vorcaro.
Há pelo menos dois contratos, um de janeiro de 2024 que previa pagamento de R$ 131 milhões em honorários advocatícios e que foi submetido à análise do ministro Alexandre de Moraes antes de sua assinatura.
Outro contrato, de R$ 50 milhões, datado de 12 de maio de 2025, foi firmado entre o Barci de Moraes Sociedade de Advogados e a Vikings Participações Ltda, empresa ligada a Vorcaro, e previa pagamentos de honorários ao longo de três anos, sendo que parte deveria ser feita em cotas de aeronaves.
No relatório que agora será apreciado pelo plenário do STF, a PF apontou indícios de que Vorcaro teria estruturado uma rede com "potencial infiltração nas mais elevadas instâncias de diversas instituições da República"
No material, Vorcaro pergunta a Moraes, em mensagem a Moraes via Whatsapp, em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de ser preso pela primeira vez, se tinha de deixar o país.
Reprodução de relatório da PF com mensagem enviada por Daniel Vorcado a Alexandre de Moraes dois dias antes de o banqueiro ser preso (Reprodução)
O ex-banqueiro também aparece pedindo, por mensagens, que Moraes interviesse junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para interromper as investigações sobre as fraudes supostamente cometidas pelo Banco Master.