Ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF): Ao solicitar mais tempo para analisar o caso, Dino afirmou que a Corte não tinha condições de continuar a deliberação naquele momento e questionou o andamento da sessão. (Gustavo Moreno/STF/Divulgação)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 15 de setembro de 2026 às 18h46.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu vista durante a sessão extraordinária desta terça-feira, 15, que analisava o relatório da Polícia Federal (PF) sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Ao solicitar mais tempo para analisar o caso, Dino afirmou que a Corte não tinha condições de continuar a deliberação naquele momento e questionou o andamento da sessão.
“Eu tenho que interromper esta situação porque nós temos uma questão de ordem. Nós não temos condições de deliberar. O clima é daí para pior, e a sociedade está assistindo a algo diferente do rito que a lei manda”, afirmou o ministro.
O pedido de vista interrompe temporariamente o julgamento e impede que a Corte avance na análise do processo até que o ministro devolva os autos para continuidade da votação.
O pedido de vista ocorre quando um ministro de um tribunal solicita mais tempo para analisar um processo antes de apresentar seu voto.
Na prática, o ministro retira o processo da pauta de julgamento para estudar melhor os argumentos, documentos e questões jurídicas envolvidas. Após a análise, o caso retorna ao plenário para que os demais integrantes da Corte continuem a votação.
O pedido de vista não representa uma decisão sobre o mérito do processo. O ministro que solicita vista não está necessariamente concordando ou discordando dos argumentos apresentados; ele apenas pede mais tempo para avaliar o caso.
Desde uma mudança aprovada em 2022, o Supremo estabeleceu um prazo de 90 dias para que ministros devolvam processos após pedidos de vista.
A regra foi criada para evitar que julgamentos fiquem paralisados por tempo indeterminado e busca dar mais previsibilidade ao andamento das ações na Corte.
Após o fim do prazo, o processo deve retornar para julgamento, permitindo que o plenário retome a análise.
No STF, os votos de ministros que deixam o cargo durante um julgamento, seja por aposentadoria ou outro motivo, continuam válidos quando a análise é retomada, tanto em sessões presenciais quanto virtuais.
Isso significa que o ministro que assume a vaga deixada pelo aposentado não participa da votação daquele processo, já que o voto do antecessor é mantido.
A regra busca preservar a continuidade dos julgamentos e evitar que mudanças na composição da Corte alterem votos já apresentados em processos que estavam em andamento.
O mecanismo pode ser utilizado quando um ministro considera necessário aprofundar a análise de um caso, especialmente em processos que envolvem grande volume de documentos, questões jurídicas complexas, divergências entre os ministros ou impactos institucionais relevantes.
Em julgamentos de grande repercussão, como o caso envolvendo integrantes do próprio STF, o pedido de vista pode ser usado para permitir uma avaliação mais detalhada antes de uma decisão definitiva.
Sim. Enquanto o ministro que pediu vista não devolve o processo, a votação fica suspensa.
No caso analisado pelo STF, Dino afirmou que a interrupção era necessária diante da discussão sobre o rito adotado pela Corte e sobre a questão de ordem apresentada durante a sessão.
O mecanismo é frequentemente debatido no Judiciário: enquanto ministros defendem que ele garante tempo adequado para análise de temas complexos, críticos apontam que pedidos de vista podem atrasar decisões importantes.
No STF, o pedido de vista faz parte dos instrumentos usados pelos ministros para organizar o andamento dos julgamentos e garantir que decisões sejam tomadas após a análise dos elementos do processo.