(Alejandro Zambrana/STF/Flickr)
Publicado em 15 de setembro de 2026 às 17h07.
Última atualização em 15 de setembro de 2026 às 18h03.
Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, Flávio Dino e Alexandre de Moraes acompanharam Gilmar Mendes votaram para analisar em conjunto os processos de Moraes e André Mendonça.
Os magistrados ainda não analisam se o ministro Alexandre de Moraes deve ou não ser investigado.
Neste momento, a Corte discute uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes pela manhã, na qual o ministro propôs adiar o julgamento e reunir, em uma única análise, os relatórios da Polícia Federal relacionados a Moraes e Mendonça.
Fachin e Mendonça votaram contra o pedido de ordem de Gilmar e defenderam que a tramitação dos dois procedimentos siga separada. Está quatro votos a dois para que os dois procedimentos sejam analisados em conjunto.
Primeiro a se manifestar, o presidente da Corte, Edson Fachin, votou para prosseguir com o julgamento do processo sobre Moraes e manter a relatoria do caso.
O ministro rejeitou a questão de ordem proposta pelos ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino para que o procedimento sobre irregularidades supostamente cometidas por Mendonça fosse julgado juntamente com o de Moraes. A questão será votada pelos demais ministros, à exceção de Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques.
"Voto no sentido de prosseguir o julgamento de hoje, bem como não levar a efeito o apensamento (junção) dos feitos mencionados e, por via de consequência, prejudicada a redistribuição (do processo para o sorteio de outro relator)", afirmou.
Fachin também votou favoravelmente a que magistrados de tribunais superiores mencionados nas investigações das fraudes cometidas pelo Master sejam avisados de que são citados.
Na sequência, o ministro Flávio Dino votou pelo acolhimento da questão de ordem e pela reunião de processos envolvendo os ministros Moraes e Mendonça. Questionou a falta de definição sobre o rito adotado no julgamento e afirmou que não há clareza sobre quando os demais citados no caso serão analisados.
“Então, por que um vai abrir processo hoje, outro na próxima semana e os outros, sabe-se Deus quando? Não tem data. Qual é o problema? O que acontecerá se não há rito? Não há clareza quanto ao rito”, afirmou Dino.
O magistrado disse ainda que o julgamento não deve se restringir ao ministro Alexandre de Moraes, já que outros integrantes do tribunal também podem ser alvo de análises semelhantes. Para ele, a ausência de um procedimento claro para esses casos compromete a segurança institucional do STF.
“Não é só o Moraes que está em igual situação. André e outros tantos também estão. E aí, como vai ser? Vamos escolher um rito para cada um? Como vamos poder escolher um rito caso a caso para vários casos que já surgiram e surgirão?”, afirmou.
Dino afirmou ainda que os poderes do presidente do STF
devem ser exercidos dentro de regras e procedimentos definidos, e não a partir de interpretações individuais.
“O presidente tem poderes, tem, claro, mas é preciso que esses poderes sejam exercidos de modo procedimental, e não ao bel-prazer da interpretação individual”, afirmou Dino.
O ministro disse ainda que não deseja concentrar esse tipo de prerrogativa e defendeu que nenhum integrante da Corte tenha poderes sem limites claros.
“Eu realmente não quero esse poder para mim e também acho que ninguém do Supremo deve ter”, declarou.
Na sequência, Cristiano Zanin abriu sua fala no julgamento, acompanhando Flávio Dino e votando para juntar os processos.
"Não é possível deliberarmos sobre algo que está, digamos assim, ainda sujeito a verificação se esses atos foram praticados de forma legítima", afirma Zanin. O ministro apontou que a lógica dos atos processuais foi invertida.
Ao argumentar para que a sua petição e a contra Mendonça sejam julgadas em conjunto, Moraes disse que questões sobre se ele e seu colega poderiam votar um ou outro nos casos.
Na análise do mérito da petição, Moraes não vota hoje, mas vota na próxima sessão. Mendonça vota somente hoje e fica de fora da próxima sessão.
O ministro disse ainda que não há, nos autos do processo em que está o relatório da PF sobre sua relação com Daniel Vorcaro, nenhum pedido de investigação criminal sobre ele, e sim uma defesa de nulidade do relatório pela Procuradoria-Geral da República.
"O que existe na Pet (processo) é um pedido de nulidade e arquivamento ou extinção da Pet; não existe pedido de investigação, salvo se a presidência, ao assumir a relatoria, está fazendo um pedido de ofício, que não existe nem existiria e jamais Vossa Excelência (Fachin) o fez. Isso é importante, presidente", disse Moraes.
O ministro afirma que não há imputação de crime contra ele. Com isso, Moraes utiliza um argumento para pedir o arquivamento do processo sem abordar o conteúdo do relatório.
O ministro André Mendonça votou com o relator do caso, o presidente Edson Fachin, para manter os procedimentos sobre o ministro Alexandre de Moraes e a ação em que ele próprio é parte de maneira separada. Fachin permitiu que ele e Moraes votassem no caso.
"Ainda que se considerem conexos os fatos (nos procedimentos sobre Moraes e Mendonça), e eu não os considero, pode haver julgamentos separados", afirmou.
Mendonça disse que os relatórios de inteligência da Polícia Federal usados por Alexandre de Moraes para pedir investigação sobre ele são ilegais e "sem valor probatório".
As discussões seguem.