André Mendonça, ministro do STF: De acordo com a nota divulgada por Mendonça, o assunto discutido na reunião foi a Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, processo em análise no Supremo que envolvia créditos de precatórios de interesse do Banco Master. (Nelson Jr./SCO/STF/Flickr)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 1 de setembro de 2026 às 15h03.
Última atualização em 2 de setembro de 2026 às 15h56.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo do processo que inclui as mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, do STF. No mesmo despacho, nesta terça-feira, 1º, Mendonça indica que vai remeter ao plenário da Corte a análise do material, de maneira "pública e transparante, em sessão presencial".
O despacho de Mendonça, relator do caso, aponta que a data de análise deverá ser definida pelo ministro Edson Fachin, presidente do STF. O processo reúne provas e informações da Polícia Federal obtidas a partir da análise de celulares de Daniel Vorcaro, preso no âmbito da operação Compliance Zero.
As mensagens trocadas com Moraes e reveladas nos autos incluem pedidos de Vorcaro para que Moraes intervenha junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao delegado-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para blindá-lo. Não há nos autos respostas do ministro Moraes ao banqueiro.
Segundo Mendonça, independentemente da manifestação que ainda será apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre as informações, o "caminho inevitável" do processo é o plenário do Supremo. O ministro já havia dado prazo de cinco dias para que o procurador-geral Paulo Gonet se manifestasse sobre o material.
Em uma das representações anteriores nos autos, a PF apontou indícios de que Vorcaro teria estruturado uma rede com "potencial infiltração nas mais elevadas instâncias de diversas instituições da República". O material contém mensagens entre o ex-controlador do Banco Master e o ministro Alexandre de Moraes.
No material, agora publicizado, Vorcaro pergunta, em mensagem a Moraes via Whatsapp, em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de ser preso pela primeira vez, se tinha de deixar o país.
Reprodução de relatório da PF com mensagem enviada por Daniel Vorcado a Alexandre de Moraes dois dias antes de o banqueiro ser preso (Reprodução)
O ex-banqueiro também aparece pedindo, por mensagens, que Moraes interviesse junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para interromper as investigações sobre as fraudes supostamente cometidas pelo Banco Master.
Os autos também incluem o contrato celebrado entre o escritório de Viviane Barsi de Moraes, esposa do ministro Moraes, e o Banco Master.
De acordo com a investigação reproduzida por Mendonça em seu despacho, a estrutura de influência montada por Vorcaro poderia permitir ao ex-banqueiro obter informações sigilosas para orientar decisões relacionadas a seus negócios e até preparar um plano de fuga caso suas atividades fossem descobertas pelas autoridades.
Parte desses indícios surgiu da análise técnica do celular apreendido com Vorcaro. O despacho afirma que relatórios da Polícia Federal reproduziram diálogos do ex-banqueiro com uma pessoa que, naquele momento da investigação, ainda não havia sido identificada. Para os investigadores, as conversas indicariam que Vorcaro teve acesso antecipado a informações sobre procedimentos criminais e apurações em andamento no Banco Central que poderiam prejudicá-lo.
A PF também identificou, segundo o despacho, elementos que sustentariam a hipótese de que Vorcaro buscava intervenções junto a autoridades públicas envolvidas nos processos decisórios de seu interesse. As mensagens e outros elementos foram posteriormente utilizados para embasar novas medidas da investigação, inclusive a sexta fase da Compliance Zero, deflagrada em 14 de maio.
Mendonça afirma que, apesar das diligências realizadas desde que os investigadores identificaram a possível existência dessa rede, ainda havia, meses depois, suspeitas de que integrantes do grupo não haviam sido identificados. Diante disso, o ministro determinou à Polícia Federal que apresentasse informações atualizadas sobre o estágio da investigação, especialmente sobre a identificação dos integrantes da suposta estrutura comandada por Vorcaro.
A resposta da PF veio por meio de uma nova Informação de Polícia Judiciária, acompanhada de quatro documentos. Após uma análise preliminar, Mendonça decidiu retirar esse material dos autos originais e determinar a abertura de uma ação autônoma no STF. Em seguida, abriu vista à PGR para que o órgão se manifeste sobre o caso.