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Fachin suspende decisões de Mendonça e Dino e derruba afastamento de diretor-geral da PF

Presidente do STF convocou reunião do plenário do STF para apreciar relatório da PF que expõe relação de Alexandre de Moraes com Vorcaro

Presidente do STF, Edson Fachin (Nelson Jr./SCO/STF/Flickr)

Presidente do STF, Edson Fachin (Nelson Jr./SCO/STF/Flickr)

Ivan Martínez-Vargas
Ivan Martínez-Vargas

Repórter especial em Brasília

Publicado em 9 de setembro de 2026 às 17h30.

Última atualização em 9 de setembro de 2026 às 17h51.

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O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu nesta quarta-feira, 9, liminar a pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) para suspender decisão de André Mendonça, proferida na véspera, que afastou o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Fachin deu ao delegado 48 horas para se manifestar sobre a produção dos relatórios de inteligência questionados por Mendonça.

Leia mais: Fachin retira de Moraes e assume relatoria do inquérito das Fake News

Fachin também suspendeu a decisão do ministro Flávio Dino, desta quarta, que revertia os efeitos do despacho de Mendonça. O presidente do STF criticou Dino ao dizer que "é grave o quadro em que decisões de Ministros passam a ser desafiadas horizontalmente, mormente quando pendentes, tanto o julgamento em curso no âmbito da Segunda Turma deste Tribunal, quanto o pedido de suspensão de liminar que se encontra sob apreciação desta Presidência".

Em sua decisão, Fachin afirmou que as decisões conflitantes dos ministros configuram "lesão à ordem pública e à integridade" do STF.

"Considero necessária a suspensão das decisões ora analisadas (de Mendonça e Dino), porquanto, para além de qualquer juízo meritório sobre o afastamento ou não de autoridades, o qual será realizado oportunamente, cumpre obstar quadro de conflitos e sobreposições processuais que, por si só, configuram lesão à ordem pública e à integridade deste Tribunal".

Fachin admite que a suspensão de decisões de ministros pela presidência do STF é "absolutamente excepcional", mas a justifica ao afirmar que o afastamento das autoridades policiais, no caso, de Andrei e do delegado Leandro Almada, "encadeou decisões monocráticas sucessivas com comandos normativos incompatíveis entre si".

Em outra decisão, o presidente do STF também determinou o sobrestamento do trâmite — ou seja, a suspensão temporária — do processo em que Mendonça anexou o relatório da Polícia Federal que expõe a relação entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Fachin convocou ainda uma sessão extraordinária do plenário do STF, em formato presencial, para 15 de setembro para apreciar o relatório que menciona Moraes.

André Mendonça e Alexandre de Moraes vivem um embate público desde que, na semana passada, Mendonça tirou o sigilo do relatório da PF que expunha mensagens enviadas por Daniel Vorcaro a Moraes.

O relatório divulgado por Mendonça lista dezenas de mensagens de Vorcaro a Moraes, mas não conseguiu recuperar as respostas do ministro. Nas missivas, o banqueiro aparece questionando ao ministro se era possível "reverter" junto a Andrei Rodrigues e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, investigações sobre seu banco e pergunta, dois dias antes de ser preso pela primeira vez, em novembro de  2025, se deveria sair do país. Vorcaro foi detido enquanto tentva embarcar em um jato privado para o exterior.

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