(Luiz Silveira/STF/Flickr)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 9 de setembro de 2026 às 17h33.
Última atualização em 9 de setembro de 2026 às 18h06.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, revogou a delegação que mantinha o ministro Alexandre de Moraes à frente do chamado Inquérito das Fake News, investigação aberta em 2019 para apurar ameaças, ataques e disseminação de informações falsas contra integrantes da Corte.
A decisão determina que os inquéritos, petições e procedimentos de investigação preliminar relacionados ao Inquérito 4.781 retornem à Relatoria da Presidência do STF, no estágio em que se encontram atualmente.
A medida não invalida as decisões tomadas anteriormente por Moraes. Todos os atos praticados regularmente pelo ministro durante o período em que houve delegação da Presidência permanecem válidos, em respeito à estabilidade processual e à segurança jurídica.
Após a análise dos autos, a Presidência do STF deverá encaminhar os materiais à autoridade policial responsável e, posteriormente, à Procuradoria-Geral da República (PGR), que poderá apresentar denúncia ou solicitar o arquivamento dos procedimentos.
A decisão estabelece uma exceção para os processos que já avançaram para a fase de ações penais, quando houve recebimento de denúncia pelo Supremo. Nesses casos, a delegação a Alexandre de Moraes permanece mantida.
Além da mudança da relatoria, o presidente do STF suspendeu a decisão de Mendonça que afastou o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.
A mudança acontece em meio ao mais recente capítulo de uma crise interna que envolve o STF e tem como protagonistas os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, além do caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master.
A tensão aumentou após a divulgação de mensagens extraídas do celular de Vorcaro em uma investigação da Polícia Federal, material que levou Mendonça, relator do caso relacionado ao banco, a determinar a retirada do sigilo de um relatório e abriu uma disputa sobre os limites da atuação dos ministros.
O episódio colocou Moraes no centro do debate institucional, após o surgimento de registros de conversas com Vorcaro, enquanto Mendonça passou a ser questionado por decisões tomadas na condução da investigação. O conflito avançou quando Moraes pediu que Mendonça fosse investigado e vinculou o pedido ao Inquérito das Fake News, justamente o procedimento que agora volta para a Presidência do Supremo com a decisão de Fachin.
A fundamentação apresentada por Fachin cita o artigo 43 do Regimento Interno do STF, que atribui ao presidente da Corte a competência para instaurar inquéritos quando houver infração à lei penal ocorrida nas dependências do Tribunal ou envolvendo seus integrantes, além da possibilidade de delegar a condução desses procedimentos.
O presidente do Supremo também relembrou que o plenário da Corte confirmou a constitucionalidade da Portaria GP nº 69/2019 no julgamento da ADPF 572, ação apresentada para questionar a validade do inquérito.
A decisão destaca que a designação de Alexandre de Moraes era uma delegação de competência regimental e, portanto, poderia ser encerrada por ato da própria Presidência do Supremo.O Inquérito 4.781 se tornou um dos procedimentos mais relevantes da atuação recente do STF. Desde sua abertura, a investigação gerou medidas como operações de busca e apreensão, bloqueios de perfis em redes sociais e decisões contra investigados por ataques às instituições.