A dupla pentacampeã do mundo em foto após a aprovação da SAF (Divulgação)
Repórter
Publicado em 1 de setembro de 2026 às 15h32.
Na noite desta segunda-feira, por meio de Assembleia Geral Extraordinária, a Internacional de Limeira aprovou a constituição da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), bem como o prosseguimento da operação e a celebração dos instrumentos necessários à sua formalização.
A aprovação é resultado de um processo iniciado em 2023, com a constituição da Comissão SAF da Internacional. Desde então, foram realizados estudos, análises, reuniões e negociações envolvendo diferentes propostas e modelos.
A atual operação começou a ser estruturada em 22 de dezembro de 2025. Em 31 de março de 2026, foi aprovada a continuidade das negociações e, em 12 de maio, celebrado o Memorando de Entendimentos que estabeleceu as bases para o desenvolvimento da operação.
De acordo com nota do clube, a operação envolve o proponente Enrico Ambrogini e um grupo de investidores que inclui os pentacampeões mundiais Ronaldo Nazário e Roberto Carlos, além de outros investidores.
A Inter de Lima ganhou fama nacional em 1986 ao ganhar do Palmeiras a final do Paulistão no Morumbi com quase 80 mil pessoas. Na primeira partida, empate por 0 a 0. No segundo jogo, a equipe do interior venceu por 2 a 1, sagrando-se o primeiro clube fora da capital paulista a ser campeão do estadual.A lista de jogadores e ex-atletas e celebridades que investem em clubes de futebol é bem maior do que parece. Há alguns meses, o craque argentino Lionel Messi oficializou a compra de 100% da Unió Esportiva Cornellà, time da Catalunha, que disputa a 3a divisão do Campeonato Espanhol. O motivo da escolha do craque argentino pelo modesto clube espanhol decorre da forte tradição da agremiação na formação de jovens jogadores.
Lionel Messi aumenta a lista de atletas e ex-jogadores proprietários de clubes, que já conta com nomes como Cristiano Ronaldo, Gerard Piqué, Ibrahimović, N'golo Kanté, Didier Drogba, David Beckham, Mbappé e Thierry Henry.
Em fevereiro deste ano, Cristiano Ronaldo seguiu o mesmo caminho ao adquirir 25% do Almería, equipe que disputa a 2a divisão da Espanha, reforçando o plano de se consolidar também como empresário no esporte. A operação foi realizada por meio da CR7 Sports Investments, braço empresarial voltado à gestão de ativos esportivos.
Mas não são apenas profissionais do esporte que têm feito esse movimento. Celebridades de Hollywood e artistas e músicos consagrados também estão adquirindo times de futebol. Um caso que chamou a atenção foi do ator Michael B. Jordan, que ao conquistar seu primeiro Oscar da carreira, ao vencer a categoria de melhor ator pela atuação dupla no filme Sinners, foi homenageado pelo Bournemouth, da Premier League, clube que ele é um dos proprietários minoritários, desde o final de 2022. T
"Mesmo a compra de um percentual irrelevante no processo decisório, se feita por uma celebridade, gera repercussão que extrapola o próprio noticiário esportivo. Traz interesse, ainda que em sub-produtos dos clubes e suas marcas. Veremos ao longo dos próximos anos pelo menos dezenas ou mesmo uma centena de celebridades da indústria da música e do cinema incorporando a sua carteira de investimentos participações minoritárias e pontuais entre os seus ativos alternativos", explica Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, empresa de entretenimento norte-americana.
Outro caso que chamou a atenção foi relacionado ao meia Luka Modric, ex-Real Madrid e atualmente no Milan, e do rapper americano Snoop Dogg, anunciados como novos sócios do Swansea, clube da segunda divisão da Inglaterra. O Swansea pertence a um consórcio norte-americano e já não tem mais chances de conseguir acesso à Premier League nesta temporada - a última vez na elite inglesa foi em 2018.
"Essa ampliação de visibilidade tem potencial de atração de novos fãs e novos patrocinadores, como consequência disso. Potencial porque não é só isso que resolve. Tem outros vários aspectos que fazem com que um patrocinador, um fã possa se interessar", afirmou Ivan Martinho, professor de marketing esportivo da faculdade ESPM.
"Acredito que é bom para o mercado como um todo, pois reúne um poderio financeiro ainda maior em clubes considerados de médio porte, mas com objetivos globais de crescimento a curto prazo, além de envolver uma publicidade muito grande em torno dos nomes dessas celebridades. Nada, no entanto, supera a boa gestão, seja com clubes associativos, SAFs, ou sendo adquiridos por ex-jogadores ou pessoas conhecidas", pontua Claudio Fiorito, CEO da P&P Sport Management Brasil, empresa especializada no gerenciamento da carreira de atletas.
"Nos últimos anos, o futebol passou a despertar o interesse de investidores dos mais diferentes perfis, e é natural que atletas e ex-atletas façam parte desse movimento. Eles conhecem o mercado, entendem o potencial que muitos clubes têm e enxergam oportunidades que vão além do aspecto esportivo. A presença de nomes conhecidos pode ajudar a dar visibilidade ao projeto, mas isso, sozinho, não garante resultado. O que faz diferença é ter uma gestão profissional, planejamento, capacidade de investimento e uma estratégia clara para desenvolver o clube no longo prazo. Quem entra pensando apenas na exposição dificilmente terá sucesso", diz Adalberto Baptista, presidente do conselho de administração do Botafogo-SP.