Flamengo: clube diz que aumento não deveria ocorrer às custas do financiamento do esporte (Rodrigo Valle/Getty Images)
Repórter
Publicado em 31 de agosto de 2026 às 20h58.
Última atualização em 31 de agosto de 2026 às 23h11.
O Flamengo se posicionou nesta segunda-feira, 31, contra uma alteração feita na PEC 18, conhecida como PEC da Segurança, que muda a distribuição dos recursos arrecadados com impostos pagos pelas bets e retira do esporte parte dos valores previstos na legislação.
A mudança foi incluída na etapa final da tramitação da proposta na Câmara dos Deputados, antes do recesso parlamentar de julho. Com a retomada das discussões, o clube voltou a manifestar preocupação com o tema.
Em nota, o Flamengo afirmou apoiar o fortalecimento da segurança pública e a ampliação dos recursos destinados à área. Para o clube, porém, esse aumento não deveria ocorrer às custas do financiamento do esporte.
Segundo a instituição, desde a regulamentação das bets no Brasil, parte dos recursos gerados pela atividade é destinada ao esporte. O Flamengo argumenta que a retirada desses valores reduziria uma fonte de financiamento já incorporada ao setor.
A PEC ainda deve passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e, depois, pelo plenário da Casa. O relator da proposta é o senador Rogério Carvalho (PT-SE), que, segundo o Flamengo, tomou conhecimento das preocupações apresentadas pela comunidade esportiva.
O clube defende que sejam buscados recursos para a segurança pública sem reduzir os valores destinados ao esporte.
"O Flamengo acompanha com preocupação uma alteração incluída na PEC 18, conhecida como PEC da Segurança, durante sua tramitação na Câmara dos Deputados. O texto modificou a distribuição dos recursos provenientes dos impostos pagos pelas BETs, retirando do esporte parte dos valores que lhe eram destinados.
A mudança ocorreu na etapa final da tramitação da proposta na Câmara, antes do recesso parlamentar de julho. Agora, com a retomada da discussão o tema volta a exigir atenção.
O Flamengo considera fundamental deixar clara sua posição: o clube apoia o fortalecimento da segurança pública e a destinação de mais recursos para essa área. O que defende é que isso não aconteça às custas do esporte, já que o mercado de apostas esportivas depende de competições, clubes e jogos e, por isso, desde a regulamentação das BETs no Brasil, parte dos recursos gerados pela atividade foi destinada ao esporte.
Retirar esses recursos significa reduzir uma fonte de financiamento já incorporada ao ecossistema esportivo brasileiro e que contribui para a manutenção e o desenvolvimento do esporte no país.
Durante muitos anos, entidades esportivas lutaram para ampliar as fontes de financiamento disponíveis para o setor. Hoje, o desafio tornou-se ainda mais básico: preservar recursos que já foram destinados ao esporte e que, neste caso, têm sua própria origem diretamente relacionada à atividade esportiva.
A PEC deverá ser analisada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado e, posteriormente, pelo plenário. O Flamengo espera que, ao longo desse processo, seja possível encontrar uma solução. O relator da matéria, Senador Rogério Carvalho, do PT de Sergipe, tomou conhecimento da preocupação da comunidade esportiva, que espera que ele seja receptivo às propostas apresentadas para evitar o corte de verba do esporte.
Defender a segurança pública e defender o esporte não são posições incompatíveis. O caminho deve ser buscar os recursos necessários para financiar os avanços na segurança sem enfraquecer uma atividade que também exerce papel fundamental para o desenvolvimento do país.
Investir no esporte é investir na formação de cidadãos. É ampliar oportunidades, promover educação, saúde, disciplina e convivência, fortalecer vínculos sociais e oferecer perspectivas a crianças e jovens em todo o Brasil. Preservar os recursos destinados ao esporte é, portanto, preservar uma política de enorme alcance social e que também contribui, na sua origem, para a construção de uma sociedade mais segura."