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Pelé em Copas do Mundo: os gols que fez e os gols que não fez

Pelé foi homenageado com uma enorme bandeira no jogo do Brasil contra Camarões na Copa do Mundo do Catar

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 (Robert Cianflone/Getty Images)

(Robert Cianflone/Getty Images)

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Ivan Padilla

Publicado em 29 de dezembro de 2022, 16h00.

Última atualização em 29 de dezembro de 2022, 19h03.

Sócrates morreu na madrugada de 4 de dezembro de 2011, um domingo. Naquela tarde, o Corinthians conquistou o título brasileiro depois de um empate sem gols. Foi uma profecia, impressionante até. O meio-campista sempre disse que queria morrer em um domingo, num dia em que o Corinthians ganhasse um título.

Pelé nunca fez profecia de sua morte. Pelo contrário. Sempre que se falava de sua saúde precária, ou mesmo que a falsa notícia de seu falecimento saía por engano em algum veículo da imprensa, o rei do futebol dizia que todos teriam de aguentá-lo por muito tempo. Era um homem de Três Corações, brincava, em referência à cidade mineira onde nasceu.

Pelé foi internado durante a Copa do Mundo do Catar, para reavaliação da quimioterapia que fez para tratar um câncer no cólon. Antes da partida da seleção brasileira contra Camarões, na fase de grupos, uma bandeira enorme de Pelé com os dizeres “Get well son” ("Fique logo melhor", numa tradução livre) foi estendida pelos torcedores no estádio Lusail.

Teria sido triste coincidência a partida do rei justamente em uma Copa do Mundo. Pelé é o único jogador da história com três conquistas em Mundiais. Marcou 12 gols em quatro Copas do Mundo. É o quinto maior artilheiro, atrás de Miroslav Klose (16 gols), Ronaldo Fenômeno (15), Gerd Muller (14), Just Fontaine e, depois do Catar, Lionel Messi (13).

Gol em Copa aos 17 anos

Se a conquista de uma Copa do Mundo é um acontecimento para os brasileiros, pode-se imaginar o que significou o primeiro título, em 1958, que teve participação decisiva de Pelé e o transformou em ídolo com apenas 17 anos.

O soccer inglês já era o esporte nacional, contrariando o que dissera o escritor Graciliano Ramos, para quem o futebol era “uma estrangeirice, uma roupa de empréstimo que não nos serve”.

O contexto de 1958 também é fundamental. Em 1950, quando sediou a Copa do Mundo, o Brasil perdeu a final para o Uruguai, um acontecimento trágico que ficou conhecido como Maracanazo. Para parte dos preconceituosos torcedores, a culpa era principalmente do goleiro Barbosa, muito em função do fato de ser negro.

A derrota fez o cronista Nelson Rodrigues inventar o termo “complexo de vira-latas”. Na Copa seguinte, em 1954, o Brasil perdeu nas oitavas de final. E assim chegou à Suécia em 1958, apontado como favorito mas só atrás de Alemanha, Hungria, Inglaterra, Suécia e Tchecoslováquia, segundo a revista France Football.

O Brasil ganhou da Áustria por 3 a 0 e empatou contra a Inglaterra, em um jogo sem gols. A terceira partida, contra a União Soviética, era decisiva. E foi aí que o técnico Vicente Feola escalou o menino Pelé, um fenômeno do Santos.

Pelé não marcou contra a União Soviética, mas jogou bem e o Brasil ganhou com dois gols de Vavá. O menino ganhou a posição. Nas quartas de final marcou seu primeiro gol em Mundiais, decisivo no 1 a 0 contra o País de Gales. Na semifinal, contra a França, marcou três gols na goleada de 5 a 2. E então veio a final.

A final contra a Suécia

Estava fresca na memória dos torcedores a final perdida apenas oito anos antes. Mas o resultado foi outro. Para a mídia europeia, a vitória do Brasil por 5 a 2 poderia ter sido ainda maior. Pelé marcou dois gols, um deles lindíssimo de chapéu, e terminou o Mundial chorando sobre os ombros do goleiro Gylmar.

Pelé ainda marcou um gol na Copa de 1962, contra o México, mas se machucou e não teve o mesmo protagonismo da conquista do bicampeonato. Em 1966 marcou contra a Bulgária, mas a o Brasil foi eliminado ainda na primeira fase. E chegou a Copa de 1970.

Pelé na Copa de 1970

Pelé na Copa de 1970: quatro gols e muitas assistências (Alessandro Sabattini/Getty Images)

O tricampeonato mundial do Brasil ficou conhecido, claro, pelos gols de Pelé. Foram quatro no total, um na final contra a Itália, na vitória por 4 a 1. Foi de cabeça, na abertura do placar. Ficou famosa a Pelé comemorando aquele gol com o punho cerrado.

Foi com um passe perfeito de Pelé que o lateral Carlos Alberto Torres marcou o belíssimo gol de encerramento da final, de primeira, no canto do gol. Pelé quase fez um lindíssimo gol do meio de campo no jogo de estreia, contra a Inglaterra. Depois dele, outros jogadores conseguiram marcar dessa maneira. Mas ninguém havia tentado antes. E contra o Uruguai, na semifinal, acabou chutando para fora depois de um inacreditável drible de corpo no goleiro.

Somente Pelé pode ser lembrado pelos gols que fez e também pelos gols que não fez em uma Copa do Mundo.

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