Harry Kane: jogador é a esperança de gols do Bayern na competição (ANGELA WEISS / AFP)
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Publicado em 14 de julho de 2026 às 07h37.
Todo goleiro chega para uma partida com um plano. Antes de enfrentar os principais atacantes do mundo, horas de vídeos ajudam a identificar padrões: qual pé o jogador prefere, para qual canto costuma finalizar, quanto tempo leva para chutar e até como movimenta o corpo antes da conclusão. A intenção é reduzir ao máximo o número de possibilidades durante os 90 minutos.
Segundo o New York Times, o problema é que alguns dos melhores jogadores da Copa do Mundo de 2026 vivem justamente de quebrar esses padrões. Líderes da artilharia do torneio com oito gols cada, Lionel Messi e Kylian Mbappé são exemplos de atacantes que desafiam qualquer preparação. O mesmo vale para Ousmane Dembélé, com cinco tentos, Harry Kane, com seis gols, e Mikel Oyarzabal, com quatro, que obrigam os goleiros a tomar decisões em poucos segundos.
A velocidade continua sendo uma das principais marcas do francês, mas ela está longe de ser seu único diferencial. Mbappé consegue finalizar com pouquíssimo movimento da perna, diminuindo drasticamente o tempo de reação do goleiro. Muitas vezes, quando o adversário percebe que o chute foi executado, a bola já está a caminho da rede.
Além disso, o atacante não precisa de muitos toques para criar uma chance de gol. Basta um espaço mínimo para acelerar, limpar a marcação e concluir, tornando qualquer erro defensivo potencialmente decisivo.
Contra a maioria dos atacantes, os goleiros tentam conduzir a jogada para o pé considerado mais fraco. Com Dembélé, essa estratégia praticamente não existe.
Ambidestro, o francês finaliza com qualidade usando qualquer uma das pernas e mantém diferentes possibilidades abertas até o último instante. A imprevisibilidade faz com que o goleiro tenha dificuldade para antecipar a direção da finalização.
Se Mbappé surpreende pela rapidez, Messi faz o caminho oposto. O argentino costuma esperar o goleiro dar o primeiro passo antes de definir a jogada.
Mesmo depois de quase duas décadas repetindo movimentos parecidos, como cortar para a esquerda e buscar o canto mais distante, o camisa 10 continua encontrando espaços porque observa constantemente o posicionamento do adversário. Um pequeno deslocamento costuma ser suficiente para mudar completamente sua decisão.
Harry Kane obriga a defesa a lidar com diferentes funções ao longo da partida. Em alguns momentos atua como centroavante clássico; em outros, recua para participar da construção das jogadas e abrir espaços para os companheiros. A variedade de recursos também dificulta a vida dos goleiros, já que o inglês finaliza de diferentes maneiras e costuma aproveitar brechas entre os defensores para esconder o chute, de acordo com a reportagem do NYT.
Já Oyarzabal representa um desafio pela inteligência sem a bola. O atacante espanhol muda constantemente de posição e aparece nos espaços livres no momento exato em que a bola chega à área. Muitas de suas finalizações acontecem de primeira, reduzindo ainda mais o tempo de resposta de quem está no gol.