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De interino a candidato ao bi na Copa: como Scaloni mudou a história da Argentina

Escolhido inicialmente por falta de opções da AFA, treinador reconstruiu a seleção, recuperou Messi e pode alcançar um feito histórico na Copa do Mundo

Scaloni: treinador era interino e assumiu posto após crise vivida em 2018 (JUAN MABROMATA / AFP)

Scaloni: treinador era interino e assumiu posto após crise vivida em 2018 (JUAN MABROMATA / AFP)

Gabriella Brizotti
Gabriella Brizotti

Colaboradora

Publicado em 15 de julho de 2026 às 06h28.

Quando Lionel Scaloni assumiu a seleção argentina em 2018, poucos imaginavam que ele permaneceria no cargo por muito tempo. Sem experiência como treinador principal e contratado inicialmente de forma interina, o ex-lateral recebeu a missão de conduzir uma equipe abalada após mais uma eliminação precoce em Copa do Mundo.

O que parecia uma solução provisória acabou se transformando em um dos ciclos mais vitoriosos da história do futebol argentino, segundo reportagem do Guardian.

Crise abriu caminho para Scaloni

A chegada de Scaloni aconteceu logo após a Copa do Mundo da Rússia. A Argentina havia feito uma campanha turbulenta sob o comando de Jorge Sampaoli, avançando às oitavas de final com dificuldades antes de ser eliminada pela França.

Além do desempenho abaixo das expectativas, a Associação do Futebol Argentino (AFA) enfrentava dificuldades financeiras e não tinha condições de contratar um treinador de renome. Scaloni, que integrava a comissão técnica e também comandava a seleção sub-20, assumiu inicialmente apenas para dirigir a equipe em amistosos até o fim daquele ano.

Os resultados e o ambiente criado no grupo, porém, convenceram a AFA a efetivá-lo no cargo.

Reconstrução começou com Messi

Uma das primeiras missões de Scaloni foi convencer Lionel Messi a seguir defendendo a seleção. Depois da frustração na Copa de 2018, o camisa 10 ainda avaliava seu futuro na equipe nacional.

Para aproximar o craque do novo projeto, Scaloni contou com a ajuda de Pablo Aimar, um dos maiores ídolos de infância de Messi e integrante de sua comissão técnica. A conversa foi decisiva para apresentar um plano de renovação que teria o atacante como principal referência dentro e fora de campo, de acordo com o Guardian.

A relação entre treinador e jogador, no entanto, era antiga. Os dois haviam dividido o campo pela primeira vez em 2005, na estreia de Messi pela seleção principal. Naquela partida, o jovem atacante recebeu apenas dois passes antes de ser expulso, ambos feitos por Scaloni.

Ambiente virou marca da seleção

Além das mudanças táticas, Scaloni apostou na construção de um grupo unido. A comissão técnica passou a valorizar o convívio entre os jogadores, acreditando que o fortalecimento das relações fora de campo seria tão importante quanto os treinamentos.

O resultado apareceu dentro das quatro linhas. A Argentina passou a demonstrar força emocional em momentos decisivos, conseguindo superar partidas equilibradas e consolidando um elenco disposto a trabalhar coletivamente em torno de Messi.

Segundo o próprio Scaloni, o grupo enxerga o camisa 10 ao mesmo tempo como o maior jogador da equipe e como alguém próximo, tratado com naturalidade pelos companheiros.

Técnico pode entrar para a história

Depois de conquistar a Copa do Mundo de 2022, no Catar, Scaloni voltou a levar a Argentina às semifinais do Mundial em 2026. Caso conduza a seleção a mais um título, se tornará apenas o segundo treinador da história a vencer duas Copas do Mundo consecutivas, repetindo um feito alcançado apenas pelo italiano Vittorio Pozzo, campeão em 1934 e 1938.

Seria o auge de uma trajetória improvável para um treinador que assumiu a Argentina sem status de estrela, em meio a uma crise esportiva e financeira, e transformou uma oportunidade temporária em uma das histórias mais marcantes do futebol mundial.

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