Realizado no Parque Villa-Lobos, SP Open aposta em experiências para atrair público e patrocinadores. (SP Open/Divulgação)
Publicado em 20 de setembro de 2026 às 09h54.
A cidade de São Paulo ficou 25 anos sem receber um torneio profissional de elite do tênis feminino. Após o retorno bem-sucedido em 2025, o SP Open encerra sua segunda edição neste domingo, 20, com ingressos esgotados e mais patrocinadores. Mas com um objetivo definido para os próximos anos: crescer dentro do circuito mundial.
O torneio de nível WTA 250, realizado até este domingo, 20, ocupa uma área de 30 mil metros quadrados no Parque Villa-Lobos e tem transmissão para mais de 100 países. A competição também passou a integrar o calendário oficial de eventos da cidade de São Paulo. O torneio distribuirá quase US$ 230 mil em premiações, pouco mais de R$ 1,1 milhão.
O avanço comercial aparece principalmente no número de patrocinadores. O SP Open reúne 48 marcas parceiras em 2026, ante 38 na edição de estreia. Entre as novidades está o Bradesco, que entrou na categoria Master, uma das principais cotas comerciais do torneio.
Para Márcia Casz, diretora do SP Open, o crescimento indica que o mercado aprovou o projeto apresentado no primeiro ano.
O plano do SP Open para transformar o Brasil na vitrine do tênis: 'Um país sexy para investidores'“Costumo dizer que temos apenas uma chance de criar uma boa primeira impressão. O mercado reconheceu a qualidade do que construímos na primeira edição: um evento internacional, com jogos de alto nível e uma experiência que transcende a quadra, com áreas de relacionamento, gastronomia, ativações de marcas e interação com o público”, afirma Casz à EXAME.
A transmissão internacional é uma das principais entregas aos patrocinadores, mas a estratégia comercial não se limita à exposição das marcas. O pacote inclui produção de conteúdo, ações nas redes sociais, hospitalidade, relacionamento com clientes e ativações junto aos espectadores.
“A geração de negócios é muito relevante. Ao final da competição, entregamos um relatório completo para cada marca com todos os números e indicadores, incluindo dados de alcance, exposição, engajamento, conteúdo, ativações e relacionamento. A partir dessas informações, a própria marca também faz uma análise mais detalhada do retorno obtido”, explica a executiva.
Além da visibilidade, os patrocinadores usam o torneio para receber clientes e criar oportunidades de networking. Segundo Casz, essa combinação ajuda o SP Open a atrair empresas de setores distintos, como bancos, bebidas, varejo, automóveis, hotelaria, moda e artigos esportivos.
Kaitlin Quevedo disputou o SP Open, no Parque Villa-Lobos, neste sábado, 20 de setembro. (SP Open/Divulgação)
As cotas de patrocínio respondem por mais de 60% da receita total do SP Open. A bilheteria e a hospitalidade representam entre 20% e 25%, enquanto os 15% restantes vêm de outras fontes, como venda de produtos oficiais, alimentos e bebidas.
O modelo mostra a dependência do torneio em relação ao investimento das empresas, mas também reforça o potencial comercial da competição. A alta taxa de renovação dos patrocinadores, a entrada de novas marcas e a procura por ingressos e hospitalidade são alguns dos indicadores utilizados pela organização para medir o desempenho do evento.
Na edição de 2025, mais de 33 mil pessoas passaram pelo complexo. Neste ano, os ingressos se esgotaram para todos os dias da competição. A organização também realiza pesquisas de satisfação com os espectadores e acompanha indicadores de engajamento e repercussão na mídia.
“Quando vemos os ingressos sendo desejados, as marcas querendo investir no produto e o nível de engajamento alcançado pelo torneio, conseguimos analisar o sucesso do evento. A mídia também acompanha cada vez mais não apenas os jogos, mas as novidades em torno da competição”, diz Casz.
Para a segunda edição, a organização acrescentou 400 lugares à arquibancada da quadra central e ampliou a capacidade das quadras secundárias. A área coberta destinada ao público praticamente dobrou, enquanto os espaços reservados a atletas e jornalistas foram reforçados.
O complexo também ganhou mais opções gastronômicas, uma área interativa maior e uma nova sala destinada a influenciadores e suas equipes. A Praça SP Open, onde o público pode acompanhar as partidas em um telão, também foi ampliada.
“O tênis é a espinha dorsal. Além de trazer atletas e jogos de alto nível, investimos para proporcionar uma experiência em uma área interativa onde as marcas podem se aproximar dos fãs. O espaço não deixa nada a desejar aos grandes torneios de tênis do mundo”, afirma a diretora.
A estratégia busca ampliar o tempo de permanência dos espectadores e transformar o campeonato em um programa de entretenimento, inclusive para quem não acompanha regularmente o circuito. Neste ano, as ativações também avançaram para fora do complexo, com ações realizadas por parceiros em lojas e no Shopping Villa-Lobos.
Apesar de reconhecer que a montagem de um torneio em um parque público traz desafios operacionais, Casz considera o Villa-Lobos parte fundamental da identidade e do desempenho comercial do evento.
“O Villa-Lobos não é apenas o endereço do SP Open. Ele faz parte da experiência do torneio e da nossa proposta de aproximar o tênis da cidade e das pessoas. É um lugar arborizado, com localização privilegiada e integração com São Paulo. Isso também tem grande valor para as marcas que investem no evento.”
Anna Rogers e Allura Zamarripa no SP Open 2026. (SP Open/Divulgação)
O público do SP Open é predominantemente das classes A e B, mas a organização afirma que trabalha para tornar o evento mais acessível. Os ingressos começaram em aproximadamente R$ 50, com possibilidade de meia-entrada, e a fase classificatória teve entrada gratuita mediante retirada antecipada.
As mulheres representam cerca de metade dos espectadores, participação superior à registrada normalmente em outros torneios, segundo a organização.
“Na definição dos preços, pensamos muito em democratizar o esporte. O qualifying gratuito permite que o público vá ao evento e vivencie toda a experiência do complexo”, diz Casz.
Para a executiva, o crescimento do torneio também pode ajudar a formar um ciclo de investimentos no tênis feminino. A presença de atletas internacionais e brasileiras cria referências para meninas e mulheres, enquanto a visibilidade desperta o interesse de novas empresas.
“Um evento desse porte tem a capacidade de inspirar mais meninas e mulheres a praticarem esporte e oferece a oportunidade de ver os ídolos de perto. Um evento forte atrai grandes marcas, que passam a investir não apenas no torneio, mas no esporte como um todo.”
Esses recursos, segundo Casz, ajudam a fortalecer confederações e federações, ampliar o número de competições e criar mais oportunidades para atletas. Com maior exposição, o esporte volta a atrair patrocinadores e alimenta novamente esse processo.
No curto prazo, a prioridade da organização é consolidar o SP Open como um dos principais torneios femininos da América Latina e ampliar sua estrutura. A realização de uma competição masculina não está nos planos atuais.
O projeto de longo prazo, porém, é mais ambicioso: elevar o torneio de WTA 250 para WTA 500, categoria que distribui mais pontos no ranking, oferece premiação superior e costuma atrair tenistas mais bem colocadas no circuito.
“É um sonho nosso elevar o torneio para o WTA 500 nos próximos cinco anos”, afirma Casz.
Para chegar a esse patamar, o SP Open aposta no crescimento conjunto de público, estrutura e receitas comerciais. A expansão da base de patrocinadores, que saltou de 38 para 48 marcas em apenas um ano, é o primeiro sinal de que o mercado está disposto a acompanhar essa trajetória.