Alibaba: empresa anuncia novo chip para rivalizar com a Nvidia (Wikimedia Commons)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 22 de setembro de 2026 às 09h24.
A Alibaba apresentou o Zhenwu V900, chip de inteligência artificial que a empresa chama de o mais poderoso da China, e anunciou um plano para ampliar sua capacidade de data centers para mais de 20 gigawatts até 2032. A companhia quer reduzir a dependência de chips estrangeiros e disputar espaço com a Nvidia no mercado global de IA.
A Alibaba apresentou nesta terça-feira, 22, o que chama de "chip de inteligência artificial (IA) mais poderoso da China", peça central de um plano para ampliar a capacidade dos seus data centers a mais de 20 gigawatts até 2032 e rivalizar diretamente com a Nvidia. O anúncio foi feito pelo CEO do grupo, Eddie Wu, durante a Apsara Conference, evento anual da empresa em Hangzhou, que vai até quinta-feira.
O novo processador, batizado de Zhenwu V900, foi desenvolvido pela T-Head, divisão de chips da Alibaba, e tem desempenho três vezes superior ao do modelo anterior, segundo a empresa. Ele pode ser combinado em grupos de até 500 mil unidades para treinar modelos de fronteira, e a produção em massa está prevista para o primeiro trimestre de 2027. A família Zhenwu já soma 560 mil unidades entregues e é usada por mais de 650 clientes de setores como automotivo, financeiro e de energia.
A meta de 20 gigawatts se justifica, nas palavras de Wu, por uma demanda por IA que deve crescer de forma exponencial. Para efeito de comparação, a Meta anunciou em julho um data center de 1 gigawatt em Alberta, no Canadá, com custo estimado em US$ 9 bilhões.
O plano da Alibaba, embora gigante para uma empresa chinesa, ainda é menor que alguns projetos americanos: só o SoftBank planeja um centro de computação de 10 gigawatts em Ohio.
A empresa também quer escalar seus modelos. A Alibaba pretende desenvolver um modelo de IA com 5 trilhões a 10 trilhões de parâmetros, muito acima do que é comum hoje entre modelos abertos, voltado a tarefas mais longas e complexas. A companhia já é dona do Qwen, a família de modelos de IA mais baixada do mundo, e reafirmou no evento a ambição de chegar à chamada superinteligência artificial. "AI coding é simplesmente a lâmpada da era da inteligência das máquinas", comparou Wu.
O movimento tem um alvo estratégico claro: reduzir a dependência de chips estrangeiros. Com as restrições dos Estados Unidos à venda de processadores avançados da Nvidia para a China, desenvolver hardware próprio virou prioridade para as empresas chinesas de IA. A Alibaba também planeja abrir o capital da T-Head para aproveitar o interesse dos investidores no mercado de aceleradores de IA, segundo a Bloomberg.
O anúncio acontece às vésperas da cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping, marcada para esta semana, em que a IA deve ocupar lugar de destaque. Executivos como Jensen Huang, da Nvidia, e Satya Nadella, da Microsoft, devem participar de um jantar de Estado na Casa Branca com os dois líderes.
O tema é sensível, uma vez que o governo americano acusa a Alibaba e outras desenvolvedoras chinesas, como a DeepSeek, de acessar ilicitamente modelos avançados dos Estados Unidos para desenvolver os próprios produtos. Pequim nega as acusações e promete retaliar caso Washington adote medidas contra empresas chinesas de IA.
O Zhenwu V900 é um processador de inteligência artificial desenvolvido pela T-Head, divisão de chips da Alibaba. Segundo a empresa, o modelo tem desempenho três vezes superior ao chip anterior e poderá ser combinado em grupos de até 500 mil unidades para treinar modelos avançados de IA.
A produção em massa do Zhenwu V900 está prevista para o primeiro trimestre de 2027, segundo a Alibaba. A família de chips Zhenwu já entregou cerca de 560 mil unidades e atende mais de 650 clientes.
A Alibaba pretende ampliar sua capacidade de data centers para mais de 20 gigawatts até 2032. O objetivo é atender ao crescimento da demanda por inteligência artificial e ampliar sua infraestrutura computacional.
O plano de 20 gigawatts da Alibaba é um dos maiores projetos chineses de infraestrutura de IA, mas ainda é menor que alguns projetos americanos. O SoftBank, por exemplo, planeja um centro de computação de 10 gigawatts em Ohio.
A Alibaba busca reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros, especialmente após as restrições dos Estados Unidos à venda de processadores avançados da Nvidia para a China. O desenvolvimento de hardware próprio virou prioridade para empresas chinesas de IA.
O Qwen é a família de modelos de inteligência artificial da Alibaba. A empresa afirma que os modelos estão entre os mais utilizados do mundo em código aberto e pretende desenvolver sistemas ainda maiores, com 5 trilhões a 10 trilhões de parâmetros.
Sim. O investimento em chips próprios e infraestrutura de data centers faz parte da estratégia da Alibaba para ampliar sua posição na cadeia global de inteligência artificial e reduzir a dependência de aceleradores produzidos por empresas estrangeiras.