Redação Exame
Publicado em 9 de maio de 2026 às 16h16.
Última atualização em 9 de maio de 2026 às 16h17.
A poucas semanas do início da Copa do Mundo de 2026, China e Índia ainda não fecharam acordos de transmissão com a Fifa, deixando em aberto a exibição oficial do torneio em dois dos maiores mercados do planeta.
As negociações seguem em andamento, mas sem definição pública sobre os direitos de TV da competição.
A situação é considerada incomum para um evento do porte da Copa do Mundo, cujos contratos de transmissão normalmente são fechados muitos meses — ou até anos — antes do início do torneio.
Em nota enviada à BBC, a Fifa afirmou que as negociações com emissoras chinesas e indianas continuam, mas classificou as conversas como confidenciais. A entidade informou que já concluiu acordos de transmissão em 180 territórios para a edição de 2026.
Ainda assim, os dois países mais populosos do mundo seguem sem definição. Juntos, China e Índia representam cerca de um terço da população global.
Na China, o principal impasse envolve a emissora estatal CCTV. Segundo o jornal Beijing Daily, a Fifa teria inicialmente pedido cerca de US$ 300 milhões pelos direitos de transmissão da Copa. Posteriormente, o valor teria sido reduzido para uma faixa entre US$ 120 milhões e US$ 150 milhões.
Mesmo assim, segundo a imprensa local, o montante continua acima do orçamento previsto pela emissora chinesa para o evento. A ausência da seleção chinesa na Copa e o impacto do fuso horário sobre a audiência são apontados como fatores que reduziram o interesse comercial pelo torneio no país.
Como a competição será disputada na América do Norte, parte dos jogos ocorrerá durante a madrugada no horário chinês — cenário que historicamente afeta receitas publicitárias e audiência televisiva.
A demora contrasta com os ciclos anteriores da Copa. Em 2017, por exemplo, a Fifa anunciou com antecedência o acordo da CCTV para transmitir as edições de 2018 e 2022.
Na Índia, embora as negociações também sigam indefinidas, veículos locais afirmam que um acordo ainda pode ser fechado nos próximos dias.
Os direitos de TV continuam sendo uma das principais fontes de receita da Fifa, especialmente em torneios globais como a Copa do Mundo. Ao mesmo tempo, emissoras tradicionais têm pressionado por contratos mais flexíveis diante da concorrência do streaming, da queda de audiência linear e do aumento dos custos esportivos.
No caso da China, o impasse também expõe uma mudança importante no futebol local. Após anos de investimentos bilionários para transformar o país em potência esportiva, o interesse do mercado chinês por grandes torneios internacionais perdeu força diante da ausência da seleção nacional e da desaceleração econômica.
(Com O Globo)