Público brasileiro terá mais opções de assistir ao torneio nesta edição (Montagem IA)
Repórter
Publicado em 24 de junho de 2026 às 06h23.
A Copa do Mundo sempre foi tida como o evento esportivo que molda as tendências de consumo para o setor. Ou seja, tudo que se tornaria "popular" com a Copa, poderia ser replicado para outras categorias.
Isso vem acontecendo quando falamos em hábitos para consumir eventos esportivos. Na transmissão de Brasil e Haiti na última sexta-feira, 19, por exemplo, as plataformas de streaming chegaram aos 13,7 pontos de média de audiência e 20,9% de share (indicador que mede a fatia de televisores ligados a um canal no momento da transmissão), consolidando-se como a segunda forma de acesso mais popular entre o público, segundo dados obtidos pelo Notícias da TV.
Na liderança, a TV Globo manteve-se intacta, com 33,3 pontos de média e 51% de share. Apesar da dominância da emissora carioca ainda se fazer valer, os números alcançados pelos canais de streaming na transmissão da partida tornam-se relevantes na medida em que chegou a superar até mesmo o SBT, que registrou 11,7 pontos de média e 17,8% de Share.
Quem puxou a alta dos streamings foi a CazéTV, que chegou a registrar pico de 16,1 milhões de acessos simultâneos durante a partida, marca que tornou-se o novo recorde do Youtube. Os números representam alta de 28% na audiência simultânea em comparação ao primeiro jogo do Brasil transmitido pela plataforma. O recorde anterior já pertencia ao próprio canal.
Para Bruna Simões, especialista em inovação digital e CEO da Thunder Games, empresa de desenvolvimento de jogos e soluções gamificadas, o atual patamar atingido pelo streaming, apesar de ainda não chegar a ameaçar a audiência da TV, é histórico.
“Os números mostram que mesmo que a TV aberta siga em posição de liderança, já há um grande espaço que foi ocupado pelo streaming, o que era difícil de imaginar há alguns anos. Hoje, fica claro que a tendência pelo consumo digital, em plataformas online, torna-se cada vez maior, independentemente de dificuldades como o delay das transmissões. Existe toda uma nova geração vindo que já nasceu nesse ambiente, e as oportunidades são enormes”, diz.
Já Ivan Martinho, professor de marketing esportivo pela ESPM, destaca que “a verdadeira transformação aconteceu no comportamento do consumidor”. “O fenômeno da CazéTV mostra que a disputa não é mais entre televisão e internet. A disputa é pela atenção. O público, especialmente o mais jovem, passou a valorizar autenticidade, interação e linguagem mais próxima da sua realidade. A tecnologia foi apenas o meio”, pontua.
Outro fator marcante para as transmissões no Youtube é que a CazéTV também já triplicou o alcance na plataforma durante a primeira fase em relação ao Mundial de 2022: Enquanto há quatro anos o canal atingiu 22 milhões de espectadores, na atual edição já ultrapassou os 64 milhões.
Ainda para efeito de comparação, o crescimento da audiência da CazéTV de 2022 para 2026 também pode ser exemplificado por meio do recorde de acessos simultâneos na edição de quatro anos atrás: seis milhões de espectadores na partida entre Brasil e Croácia. O recorde atual supera em 166% a marca de 2022.“Os recordes de audiência registrados no streaming ajudam a demonstrar que o valor econômico do futebol não está apenas dentro de campo. O alcance das transmissões tem impacto direto na atratividade do produto para patrocinadores, anunciantes e parceiros comerciais. Quando uma competição consegue mobilizar milhões de pessoas simultaneamente em diferentes plataformas, ela fortalece sua capacidade de gerar receitas e ampliar o valor de mercado de todo o ecossistema do futebol”, explica Moisés Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e especialista em finanças do futebol.
“O público mais jovem deixou de ser apenas espectador para se tornar participante da conversa, buscando formatos mais leves, linguagem nativa das plataformas digitais e uma experiência que mistura entretenimento, informação e interação em tempo real”, diz Bruno Brum, CMO da Agência End to End, empresa que faz a gestão de clubes e entidades esportivas.
Robson Carlo, sócio-fundador da FutebolCard, plataforma que faz gestão de ingressos e programas de sócio-torcedor, também adota raciocínio parecido e destaca também as formas de cativar o público e gerar conexão real com os torcedores. “A grande questão quando se fala em captar a atenção dos consumidores no mundo atual é a capacidade de gerar conexão. As plataformas de streaming perceberam isso e já há uma série de ações voltadas a cativar esse público, de forma a fazer com que ele se sinta parte da transmissão, seja a partir da linguagem, da venda de camisas personalizadas tal como faz a CazéTV, ou inúmeras outras iniciativas”, explica.