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Jornal dos EUA faz obituário 'atrasado' e homenageia Garrincha

texto destaca as características físicas que tornaram sua história ainda mais singular: a perna esquerda arqueada para fora e a direita mais curta

Texto sobre o jogador acabou saindo na edição de segunda-feira do jornal (ullstein bild/ullstein bild/Getty Images)

Texto sobre o jogador acabou saindo na edição de segunda-feira do jornal (ullstein bild/ullstein bild/Getty Images)

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 14 de julho de 2026 às 14h55.

Quarenta e três anos após a morte de Garrincha, o jornal americano The New York Times publicou um obituário dedicado ao ex-jogador brasileiro. O texto foi disponibilizado no site da publicação em 10 de julho e chegou à edição impressa da última segunda-feira com o título “Garrincha, o brilhante e ferido herói brasileiro das Copas do Mundo”.

A homenagem integra a série Overlooked No More (“Não mais esquecidos”), criada para resgatar histórias de personalidades que não receberam obituários do jornal à época de suas mortes.

Lançado em 2018, no Dia Internacional da Mulher, o projeto surgiu a partir do reconhecimento de que, desde a fundação do periódico, em 1851, a seção privilegiou majoritariamente homens brancos, deixando de registrar figuras relevantes de diferentes grupos e origens.

O texto sobre Garrincha

Assinado pelo jornalista Jeré Longman, o obituário percorre a trajetória de Manoel Francisco dos Santos desde a infância em Pau Grande, na Baixada Fluminense, até sua consagração como um dos maiores ídolos da história do futebol brasileiro.

O texto destaca as características físicas que tornaram sua história ainda mais singular: a perna esquerda arqueada para fora e a direita mais curta, voltada para dentro. Segundo a publicação, foi justamente dessa combinação incomum que nasceu o estilo de jogo imprevisível que transformou Garrincha em um driblador quase impossível de ser marcado.

A reportagem relembra ainda a importância do ponta-direita nas campanhas dos títulos mundiais de 1958 e 1962. No segundo triunfo, após a lesão de Pelé, Garrincha assumiu papel central na seleção brasileira e foi decisivo em partidas como as disputadas contra Inglaterra e Chile. Mais do que pelos números, o New York Times descreve o brasileiro como um talento raro, capaz de transformar o futebol em espetáculo com sua maneira irreverente e criativa de jogar.

O texto também aborda os episódios mais difíceis de sua vida fora dos gramados. A publicação relembra os problemas familiares e financeiros enfrentados pelo ex-jogador, além da longa luta contra o alcoolismo. Com a saúde cada vez mais debilitada, Garrincha morreu no Rio de Janeiro em 20 de janeiro de 1983, aos 49 anos, em decorrência de complicações relacionadas à dependência de álcool.

Ao incluir o brasileiro na série Overlooked No More, o jornal busca corrigir uma ausência em seu próprio arquivo, e não a falta de reconhecimento de um personagem que segue reverenciado no Brasil.

Publicado durante a reta final da Copa do Mundo de 2026, o obituário reforça a dimensão internacional do legado de Garrincha e apresenta sua trajetória a novas gerações, resgatando a história do “Anjo das Pernas Tortas” décadas após sua morte.

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