Esporte

Brasileirão chega a 172 estrangeiros utilizados no ano e vai quebrar recorde

Número de europeus e africanos no país também cresce e representa quase 20% do total

Flaco López é um dos estrangeiros que atuam no Brasileirão (Reprodução)

Flaco López é um dos estrangeiros que atuam no Brasileirão (Reprodução)

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 19 de agosto de 2026 às 19h28.

Última atualização em 19 de agosto de 2026 às 20h04.

Após a 23ª rodada disputada no último final de semana, o Campeonato Brasileiro chegou a 172 estrangeiros utilizados na competição deste ano, igualando os números de 2025. Os dados do Transfermarkt. Trata-se de um número que deverá virar recorde, já que alguns clubes ainda têm atletas de outras nacionalidades para estrear, caso do atacante sueco Niclas Eliasson, anunciado pelo Internacional nesta semana.

Atualmente, o Brasileirão conta com 165 estrangeiros nos 20 clubes da Série A. O número de 172 utilizados incluem jogadores que já foram negociados. Este número, por si só, supera o recorde anterior da temporada 2025, que registrou 157 estrangeiros. A tendência é que esse total aumente ainda mais, já que o prazo para novas contratações vai até o dia 11 de setembro.

Em 2003, quando a principal competição nacional passou a ser por pontos corridos, apenas 3 jogadores de outras nacionalidades podiam ser utilizados simultaneamente pelos clubes. A partir de 2014, esse número aumentou para 5. Em 2023, subiu para 7. A partir de 2024, após aprovação por unanimidade pelos clubes, o limite passou a ser de 9 atletas estrangeiros relacionados por jogo.

Atualmente, o país que mais fornece jogadores estrangeiros ao país é a Argentina, com 46. É seguido pelo Uruguai, com 31, Colômbia, com 29, Paraguai, com 12, e Equador, com 9. Chama a atenção a grande quantidade de jogadores da Europa e África, 29 no total, sendo 18 europeus e 11 africanos. Entre os europeus, o recorde é de atletas portugueses, 7 no total, seguido por italianos e espanhóis, com 3 cada um.

Entre os times com mais jogadores de fora do país, a lista é encabeçada por Athletico-PR, Botafogo, Grêmio e Vasco, com 12 cada um, seguido por Fluminense e Palmeiras, com 11, e Internacional, com 10. O Grêmio, no entanto, é o que mais possui atletas de nacionalidades distintas, 8 no total.

O que dizem os especialistas

"Com o fluxo cada vez maior de atletas brasileiros saindo para o exterior, o Brasil também passou a assumir um papel mais forte como comprador. A necessidade de repor essas saídas aumentou bastante na última década, fazendo com que jogadores da América do Sul, da América Central e também de mercados como Europa e África passassem a ser mais requisitados pelos clubes brasileiros. É um movimento natural de oferta e demanda e que acompanha uma tendência mundial. Ao mesmo tempo, é preciso ter cuidado para que esse crescimento não comprometa a formação e o desenvolvimento dos jogadores brasileiros”, diz Roger Machado, treinador e professor da CBF Academy.

"O Brasil voltou a ser uma vitrine atrativa. Clubes daqui têm conseguido oferecer bons contratos e uma projeção esportiva que não deixa de ser estratégica", diz Claudio Fiorito, presidente da P&P Sport Management Brasil, especializada no gerenciamento da carreira de atletas.

“Nos últimos anos, o futebol brasileiro deixou de ser apenas um exportador de talentos e passou a se posicionar também como um mercado estratégico dentro da cadeia global do esporte. Hoje, os clubes estão mais organizados, as competições mais estruturadas e a exposição internacional muito maior", afirma Alexandre Frota, CEO da FutPro Expo, evento direcionado para negócios no futebol.

Marcos Casseb, sócio da Roc Nation Sports Brazil, que gerencia a carreira de centenas de atletas, deixa claro que existe uma demanda real por qualidade competitiva, mas ela é amplificada pela regra que facilita a entrada de estrangeiros e pelos fatores financeiros e de visibilidade do mercado brasileiro.

"É o resultado de uma combinação de competitividade com aproveitamento de oportunidade de mercado. A busca por um campeonato mais competitivo, por títulos continentais e resultados imediatos fez com que o Brasil olhe mais para fora, e o lucro pela valorização de jogadores estrangeiros é na maioria das vezes muito maior que dos brasileiros", explica.

Para Casseb, um detalhe importante a ser colocado é a visibilidade que o Brasil fornece a esses atletas sul-americanos. Segundo ele, ao contrário das principais ligas europeias, o Brasil não é o destino final de grande parte deles.

"O Brasil é, na maioria das vezes, o mercado intermediário, principalmente os que fazem sucesso por aqui. Os grandes brasileiros não tem tantos concorrentes no continente quanto os ingleses, que competem com clubes como Real Madrid, Barcelona, Bayern, PSG, entre muitos outros", diz o executivo.

"Eu diria que, dentro do ecossistema sulamericano, não é exagero afirmar que o Brasil hoje exerce um papel semelhante ao da Premier League em relação à Europa periférica. Ele atrai, desenvolve, expõe e vende melhor. Um exemplo é que o Brasileirão teve mais jogadores convocados na seleção do Uruguai do que a própria liga inglesa em determinado momento das Eliminatórias, mostrando que atuar no país dá relevância futebolística continental", fala Casseb.

Times com mais gringos nos elencos:

Athletico-PR: 12 (2 nacionalidades)
Botafogo: 12 (7 nacionalidades)
Grêmio: 12 (8 nacionalidades)
Vasco: 12 (6 nacionalidades)
Fluminense: 11 (5 nacionalidades)
Internacional: 10 (7 nacionalidades)
Atlético-MG: 9 (5 nacionalidades)
Bahia: 9 (3 nacionalidades)
Cruzeiro: 9 (6 nacionalidades)
Flamengo: 9 (7 nacionalidades)
Palmeiras: 9 (4 nacionalidades)
São Paulo: 9 (5 nacionalidades)
Red Bull Bragantino: 8 (5 nacionalidades)
Santos: 7 (4 nacionalidades)
Corinthians: 7 (6 nacionalidades)
Remo: 5 (3 nacionalidades)
Chapecoense: 5 (4 nacionalidades)
Vitória: 5 (2 nacionalidades)
Coritiba: 4 (3 nacionalidades)
Mirassol: 0

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