Estudo aponta que atletas desenvolvidos nas categorias de base movimentam bilhões em negociações e seguem como ativos relevantes para equipes espanholas. (Ina Fassbender/AFP)
Repórter
Publicado em 19 de agosto de 2026 às 17h34.
Última atualização em 19 de agosto de 2026 às 17h35.
As categorias de base dos clubes espanhóis ligados à LALIGA estão no centro de uma movimentação financeira que já soma R$ 2,8 bilhões apenas em taxas de transferência de jogadores da seleção campeã mundial em 2026.
O levantamento da liga associa a formação de atletas não só aos resultados esportivos da Espanha, mas também à geração e à preservação de valor dentro dos clubes.
Segundo a análise, os clubes que participaram da formação dos jogadores espanhóis campeões do mundo e depois negociaram esses atletas receberam mais de € 466 milhões, o equivalente a cerca de R$ 2,8 bilhões, ao longo das carreiras dos jogadores. O cálculo não considera receitas de mecanismos de solidariedade, compensações por formação ou outras formas de pagamento relacionadas às transferências.
LALIGA bate receita de 5,46 bi de euros e público de 17,5 milhões na temporada 2025/26Outro componente aparece entre os atletas que permaneceram nas equipes responsáveis por sua formação. Nove jogadores da seleção campeã em 2026 continuam nos clubes de origem e representam, segundo a LALIGA, aproximadamente € 545 milhões, ou R$ 3,3 bilhões, em valor esportivo e patrimonial. Nesse caso, o montante não representa dinheiro recebido em negociações, mas o valor de ativos mantidos pelos próprios clubes e a redução da necessidade de contratar substitutos no mercado.
O levantamento considera que 25 dos 26 jogadores convocados pela Espanha para a Copa do Mundo de 2026 passaram por estruturas de formação antes de chegar ao futebol profissional. Ao todo, 11 clubes da LALIGA participaram diretamente da formação dos atletas do elenco campeão.
A participação das categorias de base também aparece no uso dos jogadores durante a temporada 2025/26. A Espanha registrou a maior proporção de minutos disputados por atletas formados nos próprios clubes entre as cinco principais ligas europeias: 20,1%. A Ligue 1 apareceu com 16,1%, seguida pela Bundesliga, com 11,9%, Premier League, com 8,3%, e Serie A, com 7,6%.
Entre os clubes espanhóis, o Athletic Club concentrou 69,5% de seus minutos em jogadores formados internamente. A Real Sociedad registrou 55,2%, o FC Barcelona, 47,5%, o RC Celta, 43,1%, e o CA Osasuna, 26,1%. Sevilla FC, Valencia CF e Real Madrid tiveram 25%, 23,8% e 23,1%, respectivamente.
Após faturar R$ 32 bilhões, LaLiga vê o Brasil como nova fronteira. Mas enfrenta a pirataria digitalO mesmo recorte aparece na LALIGA HYPERMOTION, segunda divisão profissional da Espanha. Real Racing Club, RC Deportivo e Málaga CF, promovidos à LALIGA EA SPORTS, estavam entre as equipes que mais utilizaram atletas formados em suas próprias categorias de base.
O Málaga liderou o campeonato nesse indicador, com 57,3% dos minutos destinados a jogadores formados pelo clube. Racing e Deportivo registraram 21,4% e 17,7%, respectivamente. Os três também estavam entre as equipes com maior presença desses atletas no elenco: 11 no Málaga, nove no Racing e seis no Deportivo.
Os números apresentados pela LALIGA colocam a formação de jogadores dentro de duas frentes financeiras: a receita obtida com transferências e o valor patrimonial mantido quando o atleta permanece no clube que o desenvolveu.A política faz parte do Plano Nacional para a Melhoria e Otimização das Categorias de Base, lançado pela LALIGA em 2022 em parceria com os 42 clubes profissionais. O programa estabelece indicadores para infraestrutura, proteção de jogadores, formação acadêmica paralela e transição ao futebol profissional.
Juan Florit, diretor de Projetos de Futebol da LALIGA, afirmou que a entidade trabalha com os clubes na estruturação dos processos de formação e no compartilhamento de conhecimento. Segundo o executivo, a proposta é ampliar as oportunidades para jogadores e clubes por meio de projetos de desenvolvimento mantidos no longo prazo.
“Os dados mostram que um compromisso de longo prazo com o desenvolvimento de jovens é uma estratégia comprovada, capaz de gerar resultados tanto dentro de campo quanto financeiramente. Na LALIGA, trabalhamos ao lado dos clubes para ajudá-los a fortalecer seus processos de desenvolvimento, compartilhar conhecimento e elevar os padrões de qualidade de suas categorias de base, sempre respeitando a identidade e a filosofia de cada clube", declarou Florit.