Esporte

Brasil bate recorde de contratações acima de 15 milhões de euros

Flamengo, Palmeiras, Botafogo e Cruzeiro contemplam lista de reforços midiáticos

Lucas Paquetá: o Flamengo lançou campanha para o torcedor criar um novo uniforme (Gilvan de Souza/Flamengo)

Lucas Paquetá: o Flamengo lançou campanha para o torcedor criar um novo uniforme (Gilvan de Souza/Flamengo)

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 13 de agosto de 2026 às 16h53.

Priorizar nos meus resultados Google

Nos últimos anos, o futebol brasileiro passou a competir com os gigantes europeus ao trazer alguns nomes importantes que vinham atuando no futebol europeu, liderados, é verdade, por uma parcela de clubes com maior poderio financeiro, casos especialmente de Flamengo, Palmeiras, Botafogo e Cruzeiro.

Gastar 15 milhões de euros ou mais em atletas que atuam fora do país era uma propriedade que não pertencia aos clubes do Brasil, mas isso mudou nas últimas temporadas. Desde 2024, foram nove contratações com esses valores, sendo que três delas aconteceram neste ano:

Lucas Paquetá, 2026 (Flamengo): 42 milhões de euros
Gerson, 2026 (Cruzeiro): 27 milhões de euros
Jhon Arias, 2026 (Palmeiras): 25 milhões de euros
Vitor Roque, 2025 (Palmeiras): 25 milhões de euros
Samuel Lino, 2025 (Flamengo): 22 milhões de euros
Danilo, 2025 (Botafogo): 22 milhões de euros
Alcaraz, 2024 (Flamengo): 18 milhões de euros
Paulinho, 2025 (Palmeiras): 18 milhões de euros
Luiz Henrique, 2024 (Botafogo): 16 milhões de euros

Antes dessas movimentações, não eram comuns os reforços correspondente aos valores acima de 15 milhões. Foram os casos de Gabigol, trazido pelo Flamengo em 2019 por 17,5 milhões de euros, e Arrascaeta, contratado no mesmo ano por 15 milhões de euros. Alguns anos antes, Alexandre Pato reforçou o Corinthians, em 2013, por 15 milhões de euros, e indo mais para trás, Carlos Tevez veio para o Corinthians, em 2004, também por 15 milhões de euros.

Segundo Moisés Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e especialista em finanças do esporte, esse cenário não é obra do acaso: “A evolução da receita de clubes brasileiros nos últimos anos, em especial por meio de direitos de televisão e patrocínios, criou um novo patamar de investimento. Hoje, times do Brasil conseguem negociar e até competir com clubes europeus por nomes de alto nível, algo impensável há menos de uma década”, explica Assayag.

Apesar de valores um pouco menores, outros jogadores que tinham potencial para permanecer na Europa acabaram vindo jogar no país, casos dos meias De La Cruz (Flamengo, 14,5 milhões de euros) e Jorge Carrascal (Flamengo, 13 milhões de euros), e dos atacantes Ramón Sosa (Palmeiras, 10 milhões de euros), Santiago Rodríguez (Botafogo, 13 milhões de euros) e Arthur Cabral (Botafogo, 9 milhões de euros).

"O Brasil voltou a ser uma vitrine atrativa. Clubes daqui têm conseguido oferecer bons contratos e uma projeção esportiva que não deixa de ser estratégica. Para muitos atletas jovens, ficar ou retornar significa jogar em alto nível, estar mais próximo da seleção e ainda garantir segurança financeira, algo que, no passado, só o futebol europeu parecia proporciona", analisa Claudio Fiorito, presidente da P&P Sport Management Brasil, especializada no gerenciamento da carreira de atletas.

A relação de jogadores importantes que vieram atuar no Brasil não está restrita a esses clubes. O Corinthians trouxe o atacante da seleção holandesa Memphis Depay, que já deixou o clube, e tirou Yuri Alberto do Zenit. Já o Vasco contou há alguns anos com o retorno de Philippe Coutinho e a chegada do meia francês Dimitri Payet, ex-Olympique de Marseille.

"Hoje, o futebol brasileiro é capaz de movimentar cifras cada vez mais elevadas, impulsionado pelo aumento das receitas dos clubes e pela chegada das SAFs ao cenário nacional. Com uma gestão financeira mais estruturada, os clubes passaram a competir de forma mais efetiva no mercado internacional, consolidando o Brasil como um destino atrativo, tanto do ponto de vista econômico quanto esportivo, para grandes jogadores", explica Veridiano Pinheiro, diretor executivo da FutPro Expo, evento anual que reúne clubes, entidades, empresas e profissionais ligados ao futebol.

Outras repatriações

Quem se destaca nesta relação é o São Paulo, que também trouxe nomes que estavam na Europa, caso do meia Marcos Antônio, ex-Lazio e hoje pretendido por vários clubes brasileiros, do meia Lucas Moura e do lateral-esquerda Wendell, ex-Porto. O Fluminense repatriou o ídolo Thiago Silva. Também vale mencionar a volta de Willian José, que deixou o Spartak Moscou para atuar no Bahia.

Além das contratações, o Palmeiras também bateu o pé e segurou atletas importantes que, de acordo com alguns portais esportivos, receberam propostas acima de 30 milhões de euros do futebol europeu, casos do meia-atacante Alan e de Flaco López. Já o Flamengo recusou uma proposta oficial do Besiktas, da Turquia, no valor de 10 milhões de euros.

"Temos alguns clubes com finanças equilibradas, em círculo virtuoso, e alguns outros que receberam aportes extraordinários, para serem amortizados ao longo de uma década. É natural que esses, os que seguirão disputando os principais titulos, busquem se consolidar nas primeiras posições de todos os torneios, que invistam mais, e se distanciem cada vez mais do que seria o 'segundo bloco' do nosso futebol, com contratacões equivalentes as do segundo escalão europeu", analisa Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, empresa de entretenimento norte-americana. O executivo, porém, faz uma ressalva. "Sugerir que estamos competindo em igualdade com europeus é um engano. Nossos jovens mais promissores seguirão deixando os maiores clubes do país para servir até mesmo os clubes que lutam contra o rebaixamento na Inglaterra, por exemplo."

Acompanhe tudo sobre:FutebolFutebol europeu

Mais de Esporte

Brasil é campeão do Pré-Olímpico de vôlei feminino e garante vaga em LA28

Antonelli ganhou ou a McLaren perdeu?

Madring impressiona como palco, mas decepciona como circuito