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Por que as grifes de luxo voltaram a apostar nas sapatilhas de jazz

Do desfile de estreia de Michael Rider na Celine às releituras de Gucci, Loewe e Miu Miu, o calçado inspirado em salas de ensaio ganha força nas ruas

O Ballet Lace-Up branco, com cadarço e logo da Celine, um dos modelos que marcaram a estreia de Michael Rider na grife (Divulgação)

O Ballet Lace-Up branco, com cadarço e logo da Celine, um dos modelos que marcaram a estreia de Michael Rider na grife (Divulgação)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 23 de julho de 2026 às 07h57.

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A estreia de Michael Rider à frente da Celine, em julho do ano passado em Paris, trouxe um modelo discreto de sapato que acabou dividindo atenção com os vestidos e a alfaiataria da grife. Eram sapatilhas de couro, com sola fina e construção maleável, que lembravam tanto o calçado usado por bailarinos em salas de ensaio quanto os simples sapatos de lona que muita gente calçou na infância. Rider, que passou pela Polo Ralph Lauren antes de assumir a direção criativa da casa francesa, definiu suas peças como objetos que acompanham a vida de quem os usa e carregam memórias de diferentes momentos.

Desde aquele desfile, a sapatilha ganhou variações em couro vermelho, amarelo e branco, além de versões em verniz croc e camurça, e voltou a aparecer nas passarelas masculinas da Celine em junho deste ano, dessa vez em um acabamento propositalmente desgastado.

Um símbolo que vem do palco

Loewe sapato de ballet

Sapatilha em couro macio da Loewe, com tira e fivela metálica no anagrama da marca (Divulgação)

O apelo do formato está ligado à própria função original do calçado, criado para saltos e giros de bailarinos e dançarinos de jazz. Além da Celine, marcas como Loewe, Proenza Schouler, Gucci e Miu Miu também apostaram na estética nesta temporada. A Repetto, fundada em 1947 como fabricante de sapatilhas de balé, viveu um momento de retomada, puxado principalmente pelo modelo Zizi, queridinho de Mick Jagger e Jane Birkin nos anos 1970.

A Repetto vende a Zizi em couro macio por R$ 2.295, enquanto a Loewe, hoje sob o comando dos americanos Jack McCollough e Lazaro Hernandez, oferece uma versão em couro com aplicação metálica do anagrama da marca por R$ 5.651.

Reinterpretações de grifes de luxo

Margiela sapato de ballet

Sapatilha em tule e couro da Margiela, com laço frontal e a etiqueta numérica que identifica as linhas da marca (Divulgação)

Na Celine, o modelo com cadarço batizado de Ballet Lace-Up está disponível em camurça, couro branco óptico e vermelho sinal, sempre com o monograma da casa, por R$ 4.727. A Maison Margiela trouxe sua própria leitura ao acrescentar uma etiqueta numérica característica da marca e um bico de formato inusitado, inspirado no clássico modelo Tabi, por R$ 3.357.

A Proenza Schouler batizou seu modelo de Glove, feito sem palmilha interna aparente para se ajustar ao pé como uma luva, vendido por R$ 3.528. Já a Gucci, sob direção criativa de Demna, uniu o clássico laço horsebit da casa, criado por Aldo Gucci em 1953, a uma sapatilha de bailarina, resultando no modelo Prima, por R$ 3.768.

Gucci sapato de ballet

O modelo Prima, da Gucci, une o laço horsebit clássico da casa a uma sapatilha de bailarina em couro preto (Divulgação)

Opções mais acessíveis também entraram na lista

Miu Miu sapato de ballet

Tênis baixo Plume, da Miu Miu, em cetim rosa claro, tecido associado aos estúdios de dança (Divulgação)

A sueca Arket, conhecida por unir bom design a preços mais acessíveis, lançou uma versão em couro macio com sola flexível por R$ 993. No espectro mais alto está a Miu Miu, com o modelo Plume, um tênis baixo em cetim rosa claro por R$ 5.001, tecido historicamente associado aos estúdios de dança.

Um estilo que atravessa gerações

A onda também dialoga com um histórico da moda que já flertou com o universo da dança em outros momentos, caso da Van Cleef & Arpels, que há anos mantém ligação com o ballet em suas coleções de joalheria, e de parcerias recentes como a da Celine com lojas de departamento durante o verão europeu. O formato, que circula entre grifes de diferentes faixas de preço, deve seguir presente nas próximas coleções, à medida que marcas continuam explorando a estética confortável e despojada dos sapatos de ensaio.

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