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Oceanos em crise: ondas de calor e espécies invasoras ameaçam alimentação e biodiversidade

Relatório do Copernicus revela recordes de temperatura, derretimento polar e o risco crescente para cidades costeiras e ecossistemas marinhos

Aquecimento global favoreceu derretimento do gelo marinho no Ártico e Antártida, segundo pesquisa, o que gera aumento do nível do mar (Sebnem Coskun/Anadolu Agency//Getty Images)

Aquecimento global favoreceu derretimento do gelo marinho no Ártico e Antártida, segundo pesquisa, o que gera aumento do nível do mar (Sebnem Coskun/Anadolu Agency//Getty Images)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 30 de setembro de 2025 às 16h32.

Última atualização em 30 de setembro de 2025 às 16h46.

Na última semana, cientistas do Instituto de Pesquisa do Clima de Potsdam alertaram que o planeta já ultrapassou sete dos nove limites planetários, impulsionados pelo aumento da acidificação dos mares.

Agora, um novo estudo do Copernicus Marine Service confirma que os impactos das mudanças do clima nos oceanos representam riscos diretos para a vida humana, a produção de alimentos e a biodiversidade marinha.

Todos os oceanos estão sob pressão da tripla crise planetária: aquecimento global, perda de biodiversidade e poluição. Eles absorvem cerca de 90% do excesso de calor causado pelos gases de efeito estufa, registrando um aquecimento acelerado desde 1960.

Durante a primavera de 2024, a temperatura da superfície do mar atingiu 21 °C, o nível mais alto já registrado, um sinal do desequilíbrio no sistema terrestre.

De acordo com a Dra. Karina von Schuckmann, conselheira sênior da Mercator Ocean International e diretora do Informe sobre o Estado da Copernicus, o oceano está mudando rapidamente, com extremos sem precedentes e consequências gradativas. "Sabemos por que isso acontece e o que significa. Esse conhecimento não é apenas um aviso, mas um plano para restaurar o equilíbrio entre as pessoas e o oceano", disse.

Ondas de calor marinhas ameaçam a produção de alimentos

As ondas de calor marinhas tornaram-se mais frequentes e intensas. Entre 2023 e 2024, algumas regiões do Oceano Atlântico registraram mais de 300 dias de calor extremo em um único ano.

Segundo o relatório, esses fenômenos comprometem ecossistemas, prejudicam a pesca e elevam o risco para a segurança alimentar global. Espécies vulneráveis enfrentam ameaças crescentes, com impactos que podem afetar cadeias alimentares inteiras e comunidades costeiras.

Derretimento do gelo e elevação do nível do mar

O gelo marinho está diminuindo rapidamente. No Ártico, entre dezembro de 2024 e março de 2025, foram registradas quatro mínimas históricas, resultando em 1,94 milhão de km² a menos de gelo — quase seis vezes a área da Polônia.

Na Antártida, 2024 marcou o terceiro ano consecutivo com baixa extensão de gelo marinho, após o mínimo histórico de 2023.

O nível do mar cresce em ritmo sem precedentes, afirma ainda a pesquisa. Entre 1901 e 2024, houve uma elevação de 228 mm, aumentando o risco de inundações e erosão em regiões costeiras densamente povoadas.

O relatório alerta que até locais considerados como Patrimônio Mundial da Unesco podem ser inundados nos próximos séculos caso a tendência continue.

Espécies invasoras e impactos econômicos

As mudanças nos oceanos também favorecem a proliferação de espécies invasoras, prejudicando a economia local e a pesca artesanal.

Em 2023, a presença dos caranguejos azuis do Atlântico provocou perdas superiores a 75% na produção de mexilhões no delta do Rio Pó, na Itália; os vermes de fogo também afetaram a pesca artesanal na Sicília.

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