Rembrandt: gravuras raras do pintor chegam a São Paulo (The Art Co)
Repórter de Casual
Publicado em 29 de julho de 2026 às 10h01.
Última atualização em 29 de julho de 2026 às 17h39.
Rembrandt van Rijn (1606–1669) é um dos nomes mais importantes da história da arte ocidental. Foi ele quem revolucionou a pintura e a gravura no século 17, ao dominar o contraste entre luz e sombra. Agora, 69 obras originais do mestre holandês chegam a São Paulo para a exposição gratuita Rembrandt – O Mestre da Luz e da Sombra, em cartaz na Caixa Cultural a partir desta quarta-feira, 29.
A mostra traz um conjunto raro de gravuras em água-forte e ponta-seca, produzidas entre 1629 e 1665, acompanhado de salas imersivas. A curadoria é do historiador da arte italiano Luca Baroni, diretor da Rete Museale Marche Nord. O acervo já passou por Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Vitória, e teve mais de 235 mil visitantes.
Na Europa Setentrional – península escandinava, região norte do continente – do século 17, a gravura era utilizada, principalmente, para reproduzir pinturas célebres em uma época anterior à fotografia. Para Rembrandt, a técnica de água-forte era um espaço de investigação. As matrizes eram retrabalhadas ao longo do tempo, alteradas na luz, na densidade e no ritmo da linha.
“Observar suas obras é, de muitas maneiras, entrar diretamente no ateliê do artista”, comenta Baroni.
A mostra combina as obras históricas com recursos contemporâneos, como ambientação imersiva e uma representação holográfica de Rembrandt em tamanho natural. O percurso expositivo divide-se em dois eixos temáticos: "o humano" e "o divino".
As gravuras vão dos autorretratos às cenas bíblicas, dos retratos de pessoas comuns às figuras marginalizadas, na Amsterdã do século 17, e revelam um olhar sensível sobre a condição humana. Baroni destaca que, embora tenham dimensões reduzidas e aparência monocromática, os desenhos exigem um olhar atento. Rembrandt conseguiu produzir diferentes intensidades de luz, sombra e atmosfera apenas com tinta preta sobre o papel — um poder dramático para a época.
Entre os destaques do acervo em exibição estão as obras Autorretrato com Saskia (1636), A Descida da Cruz (1633), A Ressurreição de Lázaro (1632), O Jogador de Cartas (1641), O Manto de José Trazido a Jacó (1633) e Cristo Expulsando os Cambistas do Templo (1635).
Para aproximar as dimensões reduzidas das gravuras do público contemporâneo, a montagem inclui lupas de aumento para observação detalhada e uma sala imersiva com projeção holográfica de Rembrandt em tamanho natural. A estrutura conta ainda com recursos para acessibilidade, como matrizes táteis em 3D de autorretratos do artista, audioguias, textos em braille e videoguias em Libras.
A exposição fica em cartaz na Caixa Cultural de São Paulo até o dia 27 de setembro, de terça a domingo, das 9h às 18h. A entrada é gratuita.