Gestão sustentável produz eficiência e resiliência (pcess609/Getty Images)
Diretor-geral da Beon - Colunista Bússola
Publicado em 29 de julho de 2026 às 10h00.
Há duas preocupações estruturais que ditam o ritmo de qualquer diretoria executiva: gestão de custos no presente e continuidade dos negócios no futuro.
São demandas que muitas vezes concorrem entre si.
Afinal, táticas como renegociação feroz com fornecedores, cortes sistêmicos de gastos e downsizing podem minar a capacidade de a organização sobreviver a momentos desafiadores e mudanças de mercado.
Contudo, há um tipo de estratégia que entrega comprovados benefícios em ambas as frentes e de forma concomitante.
Sim, é possível conciliar eficiência financeira e resiliência organizacional.
E o caminho para isso passa necessariamente por uma boa estratégia de sustentabilidade.
O que por muito tempo foi tratado como um pedágio corporativo tem se mostrado um eficaz escudo para mitigação de riscos e alavanca de geração de valor.
Para quem ainda acredita que é só retórica, vamos aos números.
Um relatório recente do Carbon Disclosure Project (CDP) demonstrou que empresas já economizaram entre 80 e 94 bilhões de dólares desde 2024 apenas com iniciativas de redução de emissões.
Projetos de redução de resíduos e reutilização de materiais despontam como as iniciativas financeiramente mais atraentes, gerando retornos médios de 3,90 dólares para cada dólar investido, com um período de retorno sobre o investimento de 1,3 anos.
Quando ampliamos a para o horizonte da perenidade, percebemos que estratégias de sustentabilidade são o alicerce da continuidade dos negócios.
O recente estudo do Boston Consulting Group (BCG) sobre a construção de resiliência financeira climática joga luz sobre essa dimensão existencial: a capacidade de uma empresa sobreviver e prosperar nas próximas décadas está diretamente atrelada à sua habilidade de se antecipar aos choques climáticos e estruturar operações à prova de falhas sistêmicas.
É necessário, portanto, uma adaptação profunda do modelo de negócios.
Não se trata apenas de consumir menos energia em uma planta industrial para abater custos fixos, mas garantir que as cadeias de suprimentos não sejam paralisadas por eventos climáticos extremos, que o custo de capital não se torne proibitivo frente a novos riscos e que os ativos físicos não virem passivos irrecuperáveis do dia para a noite.
Esse alerta dialoga intensamente com o que já vivenciamos no mundo real: a resiliência corporativa é umbilicalmente dependente da resiliência da própria sociedade.
Ignorar a adaptação climática significa terceirizar um risco gigantesco para as comunidades, esquecendo-se da máxima inescapável de que não existem mercados prósperos em sociedades colapsadas.
O custo da inércia deixou de ser uma abstração filosófica.
A análise do CDP calcula que a falta de ação por parte das companhias poderá resultar em perdas acumuladas da ordem de 1,24 trilhão de dólares até 2030, saltando para 1,77 trilhão até 2040.
Em termos práticos, ignorar os riscos ambientais é abrir mão da competitividade no presente e flertar com a insolvência no futuro.