ESG

Parceiro institucional:

logo_pacto-global_100x50

Reino Unido anuncia 400 milhões de libras em Fundo para Florestas Tropicais

Recursos serão concedidos como empréstimo, e liberação ainda depende da definição das regras de governança, da estrutura financeira e das condições da operação

TFFF: Iniciativa prevê pagamentos pela conservação e recuperação das florestas e determina que ao menos 20% dos recursos nacionais sejam destinados a povos indígenas e comunidades tradicionais (Leandro Fonseca /Exame)

TFFF: Iniciativa prevê pagamentos pela conservação e recuperação das florestas e determina que ao menos 20% dos recursos nacionais sejam destinados a povos indígenas e comunidades tradicionais (Leandro Fonseca /Exame)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 4 de setembro de 2026 às 11h22.

Última atualização em 4 de setembro de 2026 às 11h25.

Priorizar nos meus resultados Google

O Reino Unido anunciou a intenção de investir 400 milhões de libras no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), mecanismo lançado pelo Brasil durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em novembro do ano passado, em Belém.

O dinheiro, no entanto, não será uma doação. O governo britânico pretende fazer o aporte na forma de empréstimo, em uma operação que ainda depende da conclusão da estrutura de governança e das regras operacionais do fundo, além de processos de análise e outras condições estabelecidas pelo país.

A decisão reflete uma mudança na estratégia britânica para o financiamento climático. Segundo o governo do Reino Unido, a escolha pelo empréstimo busca aumentar o volume de recursos disponíveis para iniciativas climáticas sem ampliar os custos para os contribuintes. A nova abordagem prevê que o país passe a atuar mais como investidor do que como doador.

US$ 7,2 bilhões ao TFFF

O compromisso, portanto, ainda não significa que os £ 400 milhões estejam garantidos ao TFFF. A operação está condicionada à definição de aspectos como o tamanho final do fundo, os mecanismos de crédito, a estrutura financeira e os termos do empréstimo. O Reino Unido também pretende participar dos mecanismos de supervisão da iniciativa.

Com o recente aporte, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre chega a US$ 7,2 bilhões em investimentos. Só restam US$ 2,8 bilhões para atingir a base de US$ 10 bilhões necessária para que o mecanismo comece a operar.

Além do Reino Unido, outros países já se comprometeram a apoiar o fundo, como Noruega (com investimentos de US$ 3 bilhões ao longo de dez anos), o próprio Brasil (com aporte de US$ 1 bilhão) e Indonésia, que não apresentou valores, mas sugeriu investir o mesmo que o Brasil.

Os Países Baixos se comprometeram a investir 5 milhões de euros, enquanto Portugal indicou o aporte de 1 milhão de euros. A França anunciou também que vai investir 500 milhões de euros, distribuídos até 2030.

Como funciona o TFFF

O TFFF foi estruturado para remunerar países que recuperem e mantenham suas florestas em pé. Para receber os pagamentos, os participantes terão de comprovar níveis de desmatamento inferiores a limites previamente definidos.

A verificação será feita por meio de imagens de satélite. Assim, os recursos são liberados depois da comprovação dos resultados de conservação, e não apenas a partir de compromissos assumidos pelos governos.

Do lado dos investidores, o modelo prevê a emissão de títulos pelo fundo, com pagamento de juros fixos e estáveis. É nessa estrutura que se insere a intenção britânica de participar do mecanismo por meio de um empréstimo.

Outra regra prevista pelo TFFF envolve a distribuição dos recursos dentro dos países participantes. Pelo menos 20% dos pagamentos nacionais deverão ser destinados a populações indígenas, povos e comunidades tradicionais, grupos que atuam diretamente na proteção das florestas.

Para Mauricio Voivodic, diretor-executivo do WWF-Brasil, a entrada do Reino Unido pode contribuir para ampliar a iniciativa e atrair outros participantes.

“É muito significativo ver o Reino Unido se somar ao TFFF neste momento decisivo. Este compromisso reforça uma mudança necessária na forma como o mundo reconhece e financia a conservação das florestas tropicais: valorizando quem as protege e garantindo recursos de longo prazo para que essa proteção seja efetiva”, afirmou.

Voivodic também disse esperar que o movimento britânico seja acompanhado por outros países. “Esperamos que o compromisso do Reino Unido seja um estímulo para que outros países avancem também e ajudem a levar essa solução à escala que a crise exige.”

Acompanhe tudo sobre:FlorestasAmazôniaReino Unido

Mais de ESG

Por que a Fundação Dom Cabral aposta na longevidade para transformar os negócios

Entre novos negócios e proteção financeira, Itaú olha para a longevidade e público 50+

Vem aí uma nova forma de comprar energia elétrica

Dia do lixo eletrônico: na Vivo, aposta é escalar o 'trabalho de formiguinha'