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Natura troca verso de figurinhas da Copa do Mundo por descontos em produtos

Ação roda até 19 de julho em mais de mil lojas e franquias; resíduo, que levaria cerca de 100 anos para se decompor se descartado incorretamente, vira insumo para cartuchos da marca

Com a Polpel, empresa pioneira na reciclagem do liner na América Latina, Natura passa a aceitar liners de figurinhas em troca de cupom de R$ 15 em compras acima de R$ 100 (MARCO BERTORELLO / AFP via Getty Images)

Com a Polpel, empresa pioneira na reciclagem do liner na América Latina, Natura passa a aceitar liners de figurinhas em troca de cupom de R$ 15 em compras acima de R$ 100 (MARCO BERTORELLO / AFP via Getty Images)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 25 de junho de 2026 às 11h00.

Última atualização em 25 de junho de 2026 às 11h09.

O verso das figurinhas do álbum da Copa do Mundo agora pode reverter em descontos na Natura. A fabricante de beleza passa a aceitar, em lojas próprias e franquias, os liners das figurinhas como parte do programa de logística reversa "Recicle com a Natura".

Entre 5 de junho e 19 de julho, quem levar 21 liners ou mais a uma loja participante recebe um cupom de desconto de R$ 15 em compras acima de R$ 100 — desde que a compra seja feita no mesmo momento da entrega do material.

O liner é o verso siliconado que sobra do pacote de figurinhas depois que o colecionador descola o adesivo e cola a imagem no álbum.

Essa camada de silicone que dá liga ao adesivo é também o que o torna praticamente impossível de reciclar pelas vias convencionais: as fibras de celulose não se separam adequadamente no processo padrão de reciclagem de papel, então o material é classificado como rejeito já na triagem e termina em aterro sanitário.

Segundo a Natura, se descartado incorretamente, o liner pode levar cerca de 100 anos para se decompor no ambiente.

Natura: liner vai ser reaproveitado na fabricação dos cartuchos que envolvem produtos da fabricante de cosméticos (Natura/Divulgação)

Reciclagem que rende descontos

A ação tem uma origem pessoal. Foi o próprio Sérgio Talocchi, gerente sênior de cadeias sustentáveis da Natura, quem começou a recolher liners de figurinhas em 2022, separando o material no condomínio onde mora e na escola dos filhos para enviá-lo à Polpel Fibras — empresa que já conhecia por uma parceria anterior da Natura.

A iniciativa pessoal virou campanha e se espalhou pelo país, atraindo outras empresas. Agora, para a Copa do Mundo de 2026, a Natura institucionaliza esse movimento incorporando-o à própria rede de lojas.

"A Natura tem como premissa transformar desafios socioambientais em oportunidades de negócio. E não é diferente neste caso, em que o liner das figurinhas não é um material amplamente reciclado e enxergamos o potencial de mobilização da sociedade neste tema", afirma Talocchi.

De acordo com o gerente sênior, o processo faz parte do programa robusto de logística reversa da Natura. "Contamos com pontos de coleta de materiais recicláveis em nossas mais de mil lojas físicas e, ao integrarmos esses liners ao nosso programa, evitamos o impacto de um resíduo que demora décadas para se decompor", explica.

Em parceria com a Polpel, o resíduo dos liners vai ser transformado em matéria-prima dos cartuchos de materias na Natura, a caixinha de papel que envolve os produtos. Com a parceria, a fabricante de beleza ajuda a fechar a cadeia circular das figurinhas.

Dá para reciclar as figurinhas do álbum da Copa do Mundo? Essas empresas podem ajudar

Verso das figurinhas como matéria-prima

A Polpel, sediada em Guarulhos (SP), se apresenta como a única operadora da América Latina com tecnologia para reciclar liner com base na lógica da economia circular: um processo proprietário separa a celulose do silicone, e a celulose certificada resultante é comercializada para a produção de papel. Além dos cartuchos da Natura, o resíduo também pode usado na fabricação de papel-cartão e de papel toalha.

Para Ailton Alves, diretor-executivo da Polpel, o setor de reciclagem, estratégico para a redução da geração de resíduos no Brasil, ainda enfrenta muitos obstáculos para escalar. "O primeiro desafio da reciclagem vem da vontade de fazer, da responsabilidade das pessoas e das empresas em dar um destino adequado aos materiais após o consumo", diz Alves.

Álbum da Panini

Álbum colecionável da Panini: se descartado incorretamente, o verso das figurinhas pode levar cerca de 100 anos para se decompor no ambiente (Bruno Fahy/Belga/AFP via Getty Images) ((Foto: Bruno Fahy / Belga / AFP via Getty Images) )

O custo que esse reaproveitamento das matérias-primas demanda é outro desafio, como explica. "Precisamos tirar da cabeça o conceito de que material reciclável precisa ser mais barato do que o produzido com material virgem. Esse é um grande desafio para a cadeia como um todo."

A escala do desafio ajuda a entender por que a entrada da Natura no movimento é vista como salto de capilaridade. Em 2023, um ano após a Copa do Mundo no Catar, a campanha espontânea reunida por Talocchi e outras empresas chegou a 244,5 kg de liners coletados — o equivalente a quase 1 milhão de versos de figurinha.

Como vai funcionar

A ação com os liners de figurinha é adicional ao trabalho perene do Recicle com a Natura, que já oferece cupom de desconto de R$ 15 em compras acima de R$ 100 a clientes que levam três ou mais embalagens vazias de cosméticos às lojas.

As duas mecânicas não são cumulativas entre si — o cliente escolhe uma delas por compra.

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