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Agenda climática ganha espaço entre eleitores diante do aumento de eventos extremos no país; Primeiro turno acontece em 4 de outubro (Imagem gerada por IA)
Repórter de ESG
Publicado em 4 de setembro de 2026 às 16h15.
Última atualização em 3 de outubro de 2026 às 18h54.
As eleições não são o fim em si, mas o ponto de partida e a porta de entrada para o cidadão ser protagonista do futuro.
A frase é de Beatriz Pagy, diretora executiva do Instituto Clima de Política, e resume o espírito por trás do Vote pelo Clima, plataforma que chega à sua quarta edição em 2026 com a missão de conectar eleitores a candidaturas comprometidas com o combate à crise climática.
"Queremos estar a serviço da democracia, para ajudar a moldar o futuro do país", afirma, em entrevista à EXAME.
A um mês do primeiro turno, a iniciativa do Instituto Clima de Política já soma mais de 137 candidaturas inscritas e o apoio de 90 organizações da sociedade civil, entre elas Oxfam, Greenpeace, Observatório do Clima, Instituto Marielle Franco, Comitê Chico Mendes e O Tempo Virou.
O contexto em que a plataforma se encontra não deixa dúvidas sobre a urgência da pauta: em pouco mais de dez anos, o Brasil registrou 70.361 decretos de emergência ou estado de calamidade por eventos climáticos extremos, expedidos por 5.279 municípios.
Segundo a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), quase 70% desses decretos tiveram como causa secas, estiagens ou excesso de chuvas.
O prejuízo financeiro cresceu na mesma proporção: saltou de R$ 8,5 bilhões em 2013 para R$ 732,2 bilhões em 2024, uma média anual de R$ 61 bilhões.
Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul concentram a maior parte dessas perdas, somando R$ 323 bilhões e quase metade do total registrado.
"O custo da inação é muito mais caro do que agir antes com a adaptação das cidades e mitigação das emissões. Alguns estados, como o Rio Grande do Sul, sentiram isso pesar", destaca Beatriz.
Pesquisas recentes mostram que a população já sente esse impacto no dia a dia: segundo o Datafolha, 9 em cada 10 brasileiros consideram que já sofreram consequências das mudanças climáticas em suas vidas.
Outro levantamento, feito após a tragédia histórica do Rio Grande do Sul em 2024, apontou que 99% dos brasileiros associaram o desastre à um clima alterado pelas ações humanas.
O Vote pelo Clima nasceu em 2020, na esteira das eleições municipais daquele ano, a partir de uma constatação: faltava, entre o eleitorado, uma cultura mais forte de cobrança e engajamento com pautas climáticas nas urnas.
Desde então, a cada novo ciclo eleitoral seja municipal ou presidencial, a equipe do Instituto Clima de Política observou um maior interesse tanto de candidatos quanto de eleitores pelo tema.
"Vivemos uma crise de informação e de credibilidade sobre o que podemos acreditar ou não. Por isso é tão importante termos uma referência confiável", diz Beatriz, ao explicar por que a plataforma se tornou ainda mais relevante num momento de polarização e desinformação nas redes.
O cadastro é gratuito e pode ser feito diretamente pelo candidato ou por sua equipe, no site votepeloclima.org, até 25 de setembro. A organização recomende a inscrição o quanto antes, para que a candidatura ganhe visibilidade por mais tempo na plataforma.
Cada candidatura pode registrar até cinco propostas próprias, alinhadas a uma das 20 bandeiras temáticas, que vão de Água e Saneamento a Energia Renovável, passando por Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais, Redução de Desastres e Transparência e Combate à Corrupção.
Para ser validada, a candidatura passa por quatro critérios: ter registro válido no TSE; não ter histórico de discurso de ódio na internet; não ter histórico de crimes ambientais; e assumir publicamente quatro compromissos mínimos: defesa da democracia, enfrentamento da crise climática, proteção dos direitos humanos e da justiça climática, e respeito aos limites ecológicos do planeta.
A plataforma também funciona como um "filtro" para o próprio eleitor, reforça a diretora. Diferentemente de candidatos ao Executivo, que são obrigados por lei a apresentar um plano de governo, candidatos ao Legislativo não têm essa exigência e "isso faz plataforma um espaço raro onde essas propostas ficam concentradas e visíveis", segundo Beatriz.
O eleitor pode ainda filtrar candidaturas por recorte, como gênero, para encontrar quem mais representa seus valores.
"Poucas pessoas teriam tempo de olhar candidato por candidato. Só para deputado federal em São Paulo são 1.114 nomes. Criar uma curadoria confiável é o maior valor que entregamos", complementa a diretora.
Para 2026, a plataforma passa a contar com um painel que atualiza automaticamente a lista de candidaturas cadastradas a cada nova inscrição, além de uma aba de materiais de apoio, com conteúdos produzidos por organizações parceiras para ajudar o eleitor a se informar antes de decidir seu voto.
"Se não participamos da política, essas decisões serão tomadas sem nós. Não é preciso ser candidato, mas é preciso acompanhar e cobrar", conclui a diretora executiva. Para conferir as candidaturas alinhadas à agenda climática, acesse aqui.