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Setor elétrico: leilão reforça debate sobre segurança energética e fontes renováveis.
Colunista
Publicado em 4 de setembro de 2026 às 16h56.
Última atualização em 4 de setembro de 2026 às 16h56.
A eletrificação e a inteligência artificial vêm impactando o setor de energia de forma significativa, uma vez que deslocaram a geopolítica das commodities dos hidrocarbonetos para os minerais críticos e estratégicos. A demanda mundial por cobre deve crescer 50% até 2040, atingindo 42 milhões de toneladas anuais, uma projeção endossada pela International Energy Agency (IEA) e pelo Goldman Sachs. Esse salto é puxado pela expansão das redes elétricas, dos veículos elétricos e dos data centers de hyperscalers globais que sustentam a corrida da Inteligência Artificial (IA).
A magnitude dessa transformação estrutural é tão expressiva que a BHP, maior mineradora do mundo, reportou recentemente que seus lucros operacionais com o cobre ultrapassaram os do minério de ferro pela primeira vez na história da companhia. Apenas na divisão do metal vermelho, a empresa gerou mais de US$ 18 bilhões em ganhos operacionais, consolidando a commodity como o principal motor financeiro do setor. Com oferta restrita, envelhecimento de minas e preços rompendo a barreira de US$ 10.500 por tonelada4, o Brasil emerge como player decisivo. Esse movimento é impulsionado pela ambição da Vale de expandir massivamente sua produção de cobre, posicionando o país na vanguarda da transição energética.
A estratégia reflete a onda de consolidação global e a busca por escala. Ao expandir o hub de Carajás, com os projetos Salobo, Sossego e Alemão, o Brasil garante o suprimento de um ativo que se consolidou como a espinha dorsal da economia de baixo carbono. A agilidade nessa execução ficou evidente quando a Vale Base Metals (VBM) anunciou a antecipação para o primeiro semestre de 2028 do projeto de Flotação de Partículas Grossas no complexo de Salobo, no Pará. Com um Capex otimizado para US$ 215 milhões, a iniciativa adicionará 30 mil toneladas anuais de cobre à produção, elevando a capacidade de processamento da planta para 42 milhões de toneladas. Esse portfólio robusto sustenta a meta da companhia de atingir cerca de 700 mil toneladas anuais do metal até 2035. O movimento é catalisado por investimentos bilionários e atrai parcerias estratégicas, como o Memorando de Entendimento entre a Manara Minerals, joint venture atrelada ao fundo soberano saudita PIF, e a Vale. A parceria prevê aportes em exploração mineral vitais para reduzir o déficit de mapeamento geológico brasileiro, que cobre apenas cerca de 30% do território na escala adequada.
A relevância do cobre brasileiro é amplificada pelo contexto diplomático favorável. O acordo de minerais críticos entre Brasília e Washington, aliado ao financiamento da DFC (Corporação Internacional de Financiamento do Desenvolvimento dos Estados Unidos, a agência governamental focada em projetos estratégicos), sinaliza a intenção norte-americana de construir cadeias resilientes face à China. O país asiático ainda detém cerca de 50% do refino e consumo global da commodity. Em paralelo, a perspectiva de ratificação do acordo entre Mercosul e União Europeia abre o mercado europeu sob tarifas preferenciais. A autonomia do Brasil é crucial para formular políticas de agregação de valor local, o que permite a exportação de produtos processados com baixa pegada de carbono, uma vantagem garantida pela nossa matriz elétrica predominantemente renovável9.
Na inovação, o setor mineral se prepara para tecnologias disruptivas. Processos avançados de lixiviação de minérios de baixo teor e biometalurgia prometem aumentar a eficiência operacional no cobre, enquanto a Extração Direta de Lítio (DLE) revoluciona a cadeia de baterias. Conjuntamente, a economia circular e a rastreabilidade tornam-se exigências contratuais inegociáveis sob o Green Deal europeu. Os Projetos de Lei da Política Nacional de Minerais Críticos, como o PL 2.780/2024, criam garantia financeira e segurança jurídica fundamentais para atrair parte dos US$ 500 bilhões em investimentos globais que, segundo projeções da International Energy Agency (IEA) e consultorias como a S&P Global, serão necessários na próxima década para viabilizar a oferta de minerais estratégicos da transição energética.
Tornar-se uma superpotência mineral depende da convergência entre exploração em larga escala e governança responsável. O sólido plano de expansão da produção nacional de cobre, somado à exploração estratégica de terras raras, lítio e outros minerais críticos e estratégicos, colocará o Brasil em uma posição geopolítica privilegiada. Ao equilibrar descarbonização e verticalização industrial, o país assegura seu papel como fornecedor essencial para a era da IA, dando um passo concreto rumo à liderança na nova ordem energética e digital.