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A menos de 20 dias para a Assembleia da ONU, não há tratativas para encontro entre Lula e Trump

Último contato entre presidentes foi telefonema em 21 de agosto

Os presidentes Donald Trump e Lula durante encontro na Casa Branca, em maio de 2026 (Ricardo Stuckert/PR/Divulgação)

Os presidentes Donald Trump e Lula durante encontro na Casa Branca, em maio de 2026 (Ricardo Stuckert/PR/Divulgação)

Ivan Martínez-Vargas
Ivan Martínez-Vargas

Repórter especial em Brasília

Publicado em 4 de setembro de 2026 às 20h01.

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A 18 dias da abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, que tradicionalmente tem como primeiro discurso o do chefe de Estado brasileiro, não há tratativas para um encontro bilateral entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder americano Donald Trump.

Lula vai a Nova York para participar da Assembleia da ONU, que será em 22 de setembro, e não houve até o momento nenhuma movimentação, nem do Brasil, nem dos EUA, para que haja uma conversa entre os dois líderes, afirmaram à EXAME duas pessoas familiarizadas com o tema. O presidente do Brasil deve partir para os EUA dois dias antes da abertura do evento e deverá ter reuniões bilaterais com outros chefes de Estado.

O último contato direto entre Lula e Trump foi um telefonema em 21 de agosto, solicitado por Lula, no qual o presidente do Brasil pediu a reabertura do diálogo com autoridades americanas sobre o tarifaço imposto em julho às importações brasileiras. As duas tarifas importas, de 25% e 12,5% são consideradas pelo Palácio do Planalto injustificadas e politicamente motivadas.

Na conversa por telefone, que foi classificada por integrantes do governo brasileiro como cordial, Trump afirmou a Lula que o brasileiro pode procurá-lo "a qualquer momento" e indicou que determinaria aos seus principais assessores que voltassem a conversar com representantes brasileiros sobre o tarifaço. O telefonema durou 1h20 e foi a conversa mais longa entre os líderes. A avaliação no governo brasileiro é de que o gesto representa uma reabertura de canal em alto nível, como buscava Lula.

Em seguida, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, procurou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e ambos tiveram uma reunião virtual na última segunda-feira, 31. No encontro, Greer disse que havia uma determinação de Trump para retomar o diálogo, mas a conversa, que durou menos de 40 minutos, terminou sem definições nem demandas por parte dos americanos.

Não houve, por exemplo, a repetição de propostas sobre a abertura de mercado a produtos industriais americanos, nem pedidos para que o Brasil limite o acesso chinês às reservas de minerais críticos e de terras raras. Esses pontos chegaram a ser discutidos ao longo das negociações e foram rejeitados pelas autoridades brasileiras.

No final da reunião, a sexta entre Greer e o ministro Márcio Elias, ficou acertado que as equipes terão mais encontros técnicos. É esperado que os dois tenham uma conversa pessoal ainda neste mês, durante um encontro ministerial do G20 a ser realizado em Milwaukee, nos Estados Unidos.

A expectativa do governo brasileiro de reversão do tarifaço no curto prazo é baixa, embora haja a interpretação de que é possível construir espaço para uma discussão técnica se houver menor participação do secretário de Estado americano, Marco Rubio, nas negociações. O republicano é considerado mais próximo do bolsonarismo e, no governo do Brasil, é visto como entusiasta de atitudes intervencionistas.

Discurso de Lula na ONU

De acordo com um integrante do governo Lula, o presidente brasileiro deverá aproveitar a tribuna da Assembleia Geral da ONU para reforçar o discurso de defesa da soberania contra eventuais tentativas de intervenção estrangeira.

De acordo com pessoas próximas, o presidente não deverá fazer críticas diretas a outros chefes de Estado, nem pretende usar seu discurso para defender publicamente a candidatura de Michelle Bachelet a secretária-geral da ONU, a despeito do apoio formal do Brasil à ex-presidente chilena.

A expectativa é que Lula faça uma fala de estadista e, como fez no ano passado, volte a defender a criação de um Conselho vinculado à Assembleia Geral para discutir ações de mitigação de mudanças climáticas. O órgão, cuja criação Lula defendeu em sua fala no ano passado, poderia monitorar os compromissos internacionais dos países.

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