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Estratégia reúne tecnologia, ações preventivas e colaboração com Defesa Civil e comunidades fornecedoras diante da intensificação dos eventos climáticos (Leandro Fonseca/Exame)
Repórter de ESG
Publicado em 31 de agosto de 2026 às 05h38.
Diante da previsão de maior intensidade do fenômeno El Niño e do avanço dos eventos climáticos extremos, a fabricante de cosméticos Natura passou a incorporar ferramentas de inteligência artificial e protocolos preventivos à sua estratégia de adaptação climática.
A companhia, que desde 2020 mantém um protocolo para responder a emergências como enchentes, secas extremas e queimadas, agora busca antecipar possíveis impactos antes que eles ocorram.
O movimento ocorre por meio do Radar de Riscos Sócio-climáticos, ferramenta desenvolvida em parceria com a startup MeteoIA. A plataforma utiliza inteligência artificial para analisar possíveis impactos climáticos e gerar informações para o mapeamento de riscos corporativos e operacionais.
Segundo a companhia, a tecnologia permite fortalecer a preparação para eventos que podem afetar tanto suas operações quanto sua rede de relacionamento, formada por consultoras de beleza, fornecedores e comunidades ligadas às cadeias da sociobiodiversidade.
Criado em 2020, o Protocolo de Calamidades já foi acionado mais de 30 vezes em situações de emergência. Até então, a atuação estava concentrada principalmente em respostas após a ocorrência dos eventos. Com o uso de ferramentas preditivas, a Natura pretende deslocar parte dessa atuação para uma lógica de prevenção.
A estratégia também envolve o acompanhamento das cadeias de fornecimento de ativos naturais utilizados pela companhia. Para isso, a Natura utiliza a Natura-GIS, plataforma baseada em sistema de informação geográfica que permite rastrear ativos da sociobiodiversidade e acompanhar períodos de safra.
A ferramenta é usada para monitorar possíveis impactos sobre o fornecimento e apoiar decisões relacionadas à segurança das cadeias produtivas.
Além da gestão operacional, a companhia afirma que busca ampliar ações voltadas às pessoas mais expostas aos efeitos dos eventos climáticos.
Na frente de justiça climática, termo usado para tratar da distribuição desigual dos impactos das mudanças climáticas entre diferentes grupos sociais, a Natura passou a incentivar suas Consultoras de Beleza a utilizarem seguros disponíveis no ecossistema Emana Pay.
Entre as soluções citadas pela companhia está o seguro Estoque+Casa, voltado à proteção de residências e estoques de produtos em casos de incêndios ou enchentes, e o Saúde Protegida, que oferece serviços de telemedicina e descontos em medicamentos.
Para as comunidades fornecedoras, a empresa afirma que realiza um mapeamento de doações financeiras preventivas para apoiar a compra antecipada de mantimentos e água potável em regiões sujeitas a períodos de seca severa.
“A Natura tem um compromisso socioambiental histórico e a evolução de mitigação para antecipação de riscos climáticos reforça nossa crença de que um negócio só é resiliente se a sua rede de pessoas e o território onde ele opera também forem”, afirma Ana Costa, vice-presidente de Sustentabilidade, Jurídico e Reputação Corporativa da Natura.
Outra frente da estratégia envolve colaborações com instituições públicas e comunidades. Em abril, a companhia anunciou uma parceria com a Defesa Civil de São Paulo para estruturar Núcleos de Proteção e Defesa Civil (NUPDECs), grupos comunitários voltados à prevenção e resposta a riscos.
A proposta é capacitar Consultoras de Beleza para atuarem como agentes voluntárias em seus bairros, apoiando ações de preparação para situações de emergência.
A Natura também afirma atuar com o Corpo de Bombeiros na formação de brigadistas voluntários em comunidades agroextrativistas da região Norte.
Apesar do avanço de ferramentas de previsão e protocolos de preparação, a companhia reconhece limitações diante da escala dos eventos climáticos.
“Embora a inteligência preditiva e as parcerias estratégicas fortaleçam nossa preparação, a natureza sem precedentes das mudanças climáticas impõe incertezas que ultrapassam a capacidade de previsão absoluta”, afirma Ana Costa.
A empresa defende que a adaptação climática depende de ações conjuntas entre empresas, governos e sociedade civil, em um cenário no qual eventos extremos passam a exigir novas formas de planejamento e resposta.