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BYD leva capacitação em energia solar ao interior do Amazonas e forma 367 profissionais

Iniciativa faz parte de um conjunto de investimentos de mais de R$ 1,1 milhão da companhia em pesquisa, desenvolvimento e inovação na região Norte

Projeto usa barco-escola para aproximar qualificação técnica de regiões onde comunidades ainda enfrentam limitações no acesso à eletricidade

Projeto usa barco-escola para aproximar qualificação técnica de regiões onde comunidades ainda enfrentam limitações no acesso à eletricidade

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 30 de agosto de 2026 às 07h53.

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No interior do Amazonas, onde os deslocamentos entre comunidades e cidades podem exigir horas de navegação, a formação de profissionais para trabalhar com novas tecnologias de energia também passa pelos rios. Uma parceria entre a BYD e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) capacitou 367 pessoas em Tefé, Coari, Codajás e Parintins, com parte da estrutura de ensino instalada em um barco-escola.

Os cursos abordaram sistemas fotovoltaicos, inversores, eletricidade, Indústria 4.0, tecnologia da informação, segurança e sustentabilidade. A iniciativa teve ainda apoio da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e do Centro Internacional de Tecnologia de Software (CITS).

A capacitação faz parte de um conjunto de investimentos da BYD em pesquisa, desenvolvimento e inovação na região Norte que, segundo a companhia, já supera R$ 1,1 milhão. A empresa mantém uma fábrica de baterias em Manaus e desenvolve projetos relacionados a soluções de energia adaptadas às características da Amazônia.

A escolha da energia solar como uma das áreas da formação ocorre em um território no qual o fornecimento de eletricidade ainda enfrenta limitações. Em comunidades do interior amazonense, geradores movidos a diesel são usados para abastecimento de energia. Além das emissões associadas ao combustível, seu transporte enfrenta uma logística condicionada pelas grandes distâncias e pelo acesso predominantemente fluvial a determinadas localidades.

Nesse cenário, formar profissionais capazes de instalar e fazer a manutenção de sistemas fotovoltaicos cria uma mão de obra local para uma tecnologia que pode ser utilizada em áreas distantes da infraestrutura elétrica convencional.

Mas levar o curso para o interior não elimina todas as barreiras de acesso à qualificação. Para alguns participantes, estudar ainda significou deixar temporariamente suas comunidades.

Instalação e manutenção de paineis solares

Foi o caso de Dhierli Gomes dos Santos, de 29 anos. Moradora de Caburini, comunidade localizada a cerca de 45 minutos de lancha de Tefé, ela deixou temporariamente a casa onde vive e o filho de 8 anos para fazer a formação ao lado do irmão.

Durante o período das aulas, os dois alugaram uma kitnet em Tefé. A decisão adicionou despesas à rotina da família, mas permitiu que participassem de uma capacitação que, segundo Dhierli, dificilmente estaria disponível onde vivem.

“Não foi uma decisão simples, porque significa ficar longe de casa e assumir um custo que não teríamos normalmente, mas enxergamos nessa formação uma oportunidade que dificilmente chegaria até nós de outra forma”, afirma.

As dez maiores usinas de energia solar do mundo — e quantas são brasileiras

A expectativa dela agora é utilizar o conhecimento adquirido na própria região. “Queremos levar esse conhecimento de volta e poder trabalhar com uma tecnologia que pode melhorar a vida de muita gente na nossa região”, diz.

A trajetória ajuda a mostrar um dos desafios para ampliar a formação técnica no Amazonas: mesmo quando cursos avançam para além de Manaus, as distâncias entre municípios e comunidades continuam impondo custos e deslocamentos aos estudantes.

Formação para trabalhar com energia solar

Keyvison de Souza, de 21 anos, também precisou se deslocar para buscar especialização. Morador de Alvarães, ele conciliou duas graduações com o curso de instalador de sistemas fotovoltaicos do Senai.

A aposta está na possibilidade de trabalhar com uma tecnologia para a qual, segundo ele, ainda existem poucos profissionais especializados em sua cidade.

“Em Alvarães, vou ser um dos poucos profissionais com formação específica para trabalhar com sistemas fotovoltaicos. Há comunidades que dependiam de geradores e tinham energia apenas por algumas horas à noite”, afirma.

A formação de trabalhadores locais é uma das frentes da parceria entre BYD e Senai. Em vez de depender apenas do deslocamento de profissionais de outros centros, a proposta é criar conhecimento técnico entre moradores das próprias localidades onde essas tecnologias podem ser instaladas.

“Levar essa atuação ao interior do Amazonas é criar condições para que o conhecimento permaneça nas próprias comunidades e se transforme em oportunidade”, afirma Rogério Pereira, diretor regional do Senai Amazonas.

Para a BYD, a capacitação também se conecta à presença industrial da companhia no estado. Tyler Li, presidente da empresa no Brasil, afirma que o investimento em formação profissional integra a estratégia da companhia para a região.

“Ser do Brasil é produzir e investir aqui, mas também entender as diferentes realidades do país e fazer com que a tecnologia gere oportunidades para as pessoas”, diz.

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