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Electrolux: fabricante pretende incorporar 35% de aço e plástico reciclados aos novos produtos até 2030 e estuda ampliar a cobertura da coleta no país
Repórter de ESG
Publicado em 4 de setembro de 2026 às 05h51.
Quatro anos depois de criar um serviço para retirar eletrodomésticos antigos da casa dos consumidores durante a entrega de produtos novos, a Electrolux chegou à marca de mais de 800 toneladas de resíduos encaminhados para reciclagem.
Desde 2022, foram coletados mais de 17 mil aparelhos pelo programa, que aceita equipamentos de qualquer marca. A informação foi divulgada com exclusividade para a EXAME.
As máquinas de lavar respondem pela maior parte desse volume: representam cerca de 60% dos produtos recolhidos no país.
O serviço funciona aproveitando a própria viagem de entrega. Quando um eletrodoméstico novo chega ao consumidor, o aparelho antigo pode ser retirado no mesmo frete e posteriormente encaminhado à reciclagem. O modelo busca evitar uma viagem adicional para realizar a coleta, um dos pontos sensíveis da logística reversa de produtos grandes e pesados.
Segundo a Electrolux, mais de 95% dos materiais provenientes dos equipamentos recolhidos são recuperados durante os processos de reciclagem e manufatura reversa, processo no qual produtos descartados são desmontados para que componentes e matérias-primas possam ser recuperados.
A companhia estima ainda ter evitado a emissão de mais de 113 toneladas de CO₂ desde o início do serviço. O cálculo considera o aproveitamento da malha logística de entrega e a recuperação dos resíduos.
O programa é uma parte de uma operação de logística reversa mais ampla mantida pela fabricante.
Desde fevereiro de 2020, quando foi assinado o Decreto 10.240, que regulamentou a logística reversa obrigatória de produtos eletroeletrônicos de uso doméstico e seus componentes no Brasil, a Electrolux afirma ter coletado e tratado mais de 120 mil toneladas de eletrodomésticos, equivalentes a aproximadamente 3,5 milhões de produtos.
A diferença é que o serviço lançado em 2022 permite que o consumidor entregue um equipamento antigo de qualquer fabricante no momento em que recebe o novo produto, uma operação que, segundo a empresa, vai além da exigência prevista no decreto.
Depois de retirados das residências, os equipamentos seguem para recicladoras parceiras, onde são desmontados e separados. Materiais como aço, plástico, cobre e outros metais podem voltar ao mercado como matérias-primas secundárias.
O processo também precisa lidar com componentes que exigem tratamento específico. A norma estabelece procedimentos específicos para o tratamento de gases encontrados em circuitos de refrigeração e no isolamento térmico dos equipamentos.
Essa operação, porém, tem um custo. A Electrolux afirma que a logística e a manufatura reversa exigem investimentos relevantes para tornar possível a recuperação dos materiais.
A tentativa agora é fazer com que uma parcela maior dessas matérias-primas retorne à própria fabricação de eletrodomésticos.
A meta global do grupo é incorporar 35% de aço e plástico reciclados em seus novos produtos até 2030. No Brasil, alguns modelos de lavadoras já utilizam plástico reciclado pós-consumo em componentes selecionados.
Na categoria Floor Care, aspiradores de pó, há linhas que ultrapassam 50% de conteúdo plástico reciclado na composição. Já as embalagens das lavadoras Top Load, modelos de abertura superior, fabricadas no Brasil utilizam 30% de resina reciclada pós-consumo.
A companhia trabalha ainda em projetos para criar ciclos de reaproveitamento de quatro materiais utilizados na fabricação dos equipamentos. Entre eles estão o polipropileno (PP), um tipo de plástico empregado em diferentes aplicações industriais, e o poliuretano (PU), material que pode ser usado, entre outras funções, no isolamento dos eletrodomésticos.
“Já temos projetos em estágio avançado, em parceria com nossa rede de manufatura reversa, para fechar o ciclo de quatro materiais essenciais, com destaque para o polipropileno (PP) e o poliuretano (PU)”, afirma João Zeni, diretor de Sustentabilidade do Electrolux Group América Latina.
Segundo o executivo, a intenção é incorporar os materiais recuperados diretamente à fabricação de novos equipamentos e diminuir o uso de matérias-primas virgens.
Os números também mostram a diferença de escala entre o serviço oferecido diretamente ao consumidor e toda a operação de logística reversa da companhia.
Enquanto a Electrolux contabiliza aproximadamente 3,5 milhões de equipamentos tratados desde 2020 em sua operação mais ampla, o serviço criado em 2022 recolheu e reciclou pouco mais de 17 mil produtos em quatro anos.
A empresa pretende manter uma média de aproximadamente 5 mil aparelhos coletados por ano por meio desse modelo e afirma estudar a ampliação da cobertura nacional. Entre os fatores que podem contribuir para essa expansão, cita a Declaração de Conteúdo Eletrônica (DC-e), documento relacionado à operação de transporte.
Para a companhia, aumentar a coleta também está ligado à disponibilidade futura de matéria-prima reciclada.
Clima já pesa no caixa, mas ESG ainda precisa convencer o CFO, dizem executivos“A economia circular é essencial em nossa estratégia de descarbonização e eficiência de recursos”, diz Zeni. “O compromisso sustentável não se encerra no momento em que o produto chega à casa do consumidor; ele abrange todo o ciclo de vida útil.”
A relação entre circularidade e redução de emissões vai além dos eletrodomésticos. Segundo estudo da Ellen MacArthur Foundation citado pela companhia, a adoção da economia circular nos setores produtivos de maior intensidade material poderia reduzir em até 48% as emissões de gases de efeito estufa até 2030 em economias desenvolvidas.
No caso da Electrolux, o próximo passo será aproximar duas pontas que ainda aparecem em escalas diferentes: ampliar a quantidade de aparelhos que retornam depois do uso e transformar uma parcela maior dos materiais recuperados em insumos para os novos produtos.