(Adobe Stock/Divulgação)
Redatora
Publicado em 4 de setembro de 2026 às 05h24.
Treinar funcionários para usar inteligência artificial virou prioridade em grandes empresas. Mas, para a Principal Financial Group, preparar profissionais para a nova tecnologia resolve apenas metade do problema.
Depois de capacitar mais de 90% de seus cerca de 19 mil funcionários em fluência em IA e dados, a companhia passou a reforçar habilidades como empatia, comunicação, autoconhecimento, adaptabilidade e construção de confiança.
A estratégia parte de uma mudança importante no mercado de trabalho: se ferramentas de inteligência artificial conseguem acelerar análises, automatizar tarefas e organizar grandes volumes de informação, o profissional precisa gerar valor justamente nas situações em que uma resposta automática não basta.
Julgar contextos, negociar, colaborar e conduzir conversas difíceis entram nessa conta. As informações foram retiradas da Inc.
O investimento da Principal em inteligência artificial é significativo. Mais de nove em cada dez funcionários receberam treinamento para utilizar IA e trabalhar melhor com dados.
A estratégia, porém, foi acompanhada por outro movimento: desenvolver competências humanas para que os profissionais consigam aproveitar o tempo liberado pela tecnologia em atividades de maior valor.
A lógica é que uma ferramenta pode organizar dados para uma tomada de decisão. Ainda será necessário determinar quais informações merecem confiança, considerar consequências e escolher um caminho.
A IA pode produzir uma primeira versão de uma mensagem difícil para um cliente. Alguém ainda precisa decidir o tom, entender o contexto daquela relação e perceber como a informação pode ser recebida.
Pode também sugerir soluções para um problema de equipe. Mas não necessariamente percebe uma tensão que ninguém verbalizou durante a reunião.
É nesse intervalo entre produzir uma resposta e saber o que fazer com ela que competências humanas ganham espaço.
A expansão da IA pode dar a impressão de que conhecimentos tecnológicos passaram a ocupar praticamente toda a agenda de desenvolvimento profissional.
Os dados mostram uma realidade mais equilibrada. O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, coloca IA e big data entre as habilidades cuja demanda deve crescer mais rapidamente até 2030.
Ao mesmo tempo, competências como resiliência, flexibilidade, liderança, curiosidade, pensamento analítico e autoconsciência permanecem entre as capacidades consideradas importantes pelos empregadores.
No levantamento, 67% das empresas apontam resiliência, flexibilidade e agilidade como competências centrais. Liderança e influência social aparecem para 61%; motivação e autoconsciência, para 52%; e empatia e escuta ativa, para metade dos empregadores consultados.
O mercado, portanto, não parece caminhar para uma escolha entre tecnologia e habilidades humanas — a tendência é exigir as duas.
Empatia pode parecer distante de produtividade até surgir uma situação em que uma pessoa precisa convencer outra. Uma negociação com cliente, uma discordância entre colegas ou um feedback difícil dependem da capacidade de perceber como a mensagem está sendo recebida.
É por isso que a Principal incluiu empatia e construção de confiança entre as competências desenvolvidas junto com a formação tecnológica.
Segundo Lisa Coulson, diretora de recursos humanos da empresa, a ideia é permitir que, à medida que a IA libere tempo para conversas mais relevantes com clientes e colegas, os funcionários tenham repertório para lidar melhor com essas interações.
Para a carreira, a consequência é importante. Conhecimento técnico pode colocar um profissional dentro de uma discussão. A capacidade de ouvir, influenciar e construir confiança pode determinar quanto espaço ele conquista dentro dela.
Uma das características da transformação provocada pela IA é a velocidade. Ferramentas mudam, tarefas são reorganizadas e funções podem incorporar responsabilidades que não existiam alguns anos antes.
Nesse cenário, inteligência emocional também aparece como capacidade de adaptação.
Autoconhecimento permite perceber como alguém costuma reagir diante de incerteza, pressão ou perda de controle. Regulação emocional ajuda a impedir que essa reação inicial determine toda a resposta.
O Fórum Econômico Mundial projeta que quase 40% das habilidades utilizadas atualmente no trabalho devem mudar ou perder relevância até 2030. O mesmo levantamento aponta que 59 em cada 100 trabalhadores precisarão de algum tipo de capacitação ou requalificação no período.
Saber aprender novas ferramentas será necessário. Conseguir lidar emocionalmente com a própria necessidade de reaprender também.
No fim das contas, dominar a inteligência emocional é dominar a si mesmo. Esse curso é uma oportunidade gratuita para aprender a se automotivar diante de dificuldades, manter o equilíbrio em momentos de alta pressão e liderar com empatia e impacto.
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