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Agentes de inteligência artificial já são usados para conduzir entrevistas de triagem e avaliar respostas de candidatos. (Thinkstock/Wavebreakmedia)
Redatora
Publicado em 4 de setembro de 2026 às 05h00.
Você entra na chamada esperando encontrar um recrutador e, no lugar dele, aparece uma voz ou um avatar fazendo perguntas sobre sua experiência profissional. Essa situação já faz parte de processos seletivos reais.
Empresas começaram a utilizar agentes de inteligência artificial para conduzir entrevistas de triagem por vídeo, telefone ou texto, coletando informações que depois podem ser analisadas pela equipe de recrutamento.
A tecnologia pode perguntar, ouvir a resposta, fazer uma nova questão com base no que foi dito e produzir uma avaliação estruturada.
O funcionamento, porém, não significa necessariamente que uma máquina terá a palavra final sobre a contratação.
Os agentes costumam seguir critérios definidos previamente para a vaga. Entre eles podem estar competências técnicas, experiências profissionais, capacidade de resolver problemas e comportamentos relacionados ao cargo.
Perguntas sobre situações vividas também ganham espaço. Em vez de responder apenas se possui determinada habilidade, o candidato pode precisar explicar quando utilizou aquele conhecimento, qual problema enfrentou, o que fez e qual foi o resultado.
A resposta precisa, portanto, trazer elementos concretos. Dizer que possui “boa capacidade de liderança” informa pouco. Explicar que coordenou uma equipe de cinco pessoas durante determinado projeto, tomou uma decisão específica e conseguiu reduzir um prazo em 20% oferece evidências que podem ser avaliadas.
A presença de um agente na entrevista não significa que a seleção inteira tenha sido automatizada. Há processos nos quais a IA conduz a conversa e organiza os dados, enquanto um profissional de recrutamento analisa o resultado antes de decidir quem avança.
Um experimento de campo publicado em 2026 acompanhou mais de 70 mil candidatos distribuídos entre entrevistas conduzidas por recrutadores e por agentes de voz. Nos dois grupos, a decisão final continuou nas mãos de recrutadores humanos.
O resultado reforça uma distinção importante: conduzir a entrevista e decidir pela contratação são tarefas diferentes. A IA pode reunir informações e ajudar a organizar os candidatos; a responsabilidade pela escolha pode continuar com uma pessoa.
A preparação muda em alguns detalhes. Antes da conversa, vale revisar a descrição da vaga e separar exemplos reais que demonstrem suas principais competências.
Praticar as respostas em voz alta também ajuda, já que a clareza da fala ganha importância quando não existe um recrutador humano para interpretar uma resposta vaga ou incompleta.
Uma estrutura útil é o método STAR: situação, tarefa, ação e resultado. A técnica ajuda a transformar respostas genéricas em relatos objetivos, com começo, desenvolvimento e conclusão.
Também é importante prestar atenção à pergunta antes de responder. Se algo não estiver claro, pedir que o entrevistador repita ou esclareça a questão é melhor do que tentar adivinhar o que foi solicitado.
Aqui existe uma diferença importante entre usar inteligência artificial para se preparar e recorrer a ela para responder durante a seleção.
Plataformas de recrutamento podem identificar respostas excessivamente artificiais ou sinais de que o candidato está recebendo auxílio externo. Algumas empresas já adotam mecanismos para verificar a autenticidade das respostas, especialmente em entrevistas remotas.
A própria orientação do LinkedIn, por exemplo, incentiva o uso de IA para pesquisar vagas e praticar entrevistas, mas estabelece situações em que a resposta deve vir exclusivamente do candidato.
Por isso, a melhor preparação continua sendo conhecer a própria trajetória. Quanto mais domínio o candidato tiver sobre projetos, decisões, resultados e erros que viveu, menos dependerá de respostas decoradas, seja diante de um recrutador, seja diante de uma IA.