ESG

Oferecimento:

LOGO SITE YPÊ
LOGO SITE COPASA
LOGO SITE COCA COLA FEMSA
LOGO SITE AFYA
LOGO SITE PEPSICO

Parceiro institucional:

logo_pacto-global_100x50

El Niño ameaça repetir isolamento de comunidades ribeirinhas da Amazônia

Seca de 2024 quebrou recorde histórico na região e deixou famílias sem acesso a remédios e água, acendendo um alerta para os efeitos potenciais do fenômeno no Brasil

Seca histórica de 2024 afetou 186 mil famílias e comprometeu navegabilidade dos rios (Alex Pazuello/Secom)

Seca histórica de 2024 afetou 186 mil famílias e comprometeu navegabilidade dos rios (Alex Pazuello/Secom)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 3 de julho de 2026 às 18h30.

Última atualização em 3 de julho de 2026 às 18h33.

Botos mortos na beira do rio, famílias isoladas, pescadores sem peixe para vender: esse foi o retrato da Amazônia em 2024, quando uma seca histórica atingiu a região.

Agora, com a Organização Meteorológica Mundial (OMM) monitorando um novo El Niño potencialmente recorde em formação, o temor é que o cenário volte a se repetir.

A cena marcou o auge de uma das piores estiagens já registradas no Norte, impulsionada por um El Niño persistente aliado ao aquecimento das águas do Atlântico Norte e agravado pelas mudanças climáticas. Ao todo, 186 mil famílias foram afetadas no Amazonas.

Nesta sexta-feira, 3, a OMM elevou sua previsão quanto ao rápido desenvolvimento de um forte El Niño nos próximos meses.

++ Leia mais: Super El Niño à vista? Planeta superaquecido eleva temor de efeitos climáticos extremos no Brasil

O fenômeno se caracteriza por um aquecimento periódico do mar no Pacífico que costuma durar entre nove e 12 meses, elevando as temperaturas globais e aumentando o risco de condições climáticas extremas.

No início de junho, a organização metereológica havia previsto um El Niño moderado ou possivelmente forte. As previsões mais recentes, no entanto, não são animadoras.

Segundo a OMM, a probabilidade de um evento forte em 2026 é de 30%, enquanto a chance de intensidade muito forte chega a 37%, e pode ser necessário ainda revisar a previsão para cima caso novas informações confirmem esse cenário.

Os efeitos devem ser sentidos em diferentes regiões até o final do ano e se estender até 2027.

O impacto já é visível fora da América do Sul: a Europa passou pela pior onda de calor já registrada na sua história durante a Semana do Clima de Londres na última semana de junho, com interrupções na geração de energia e danos à infraestrutura e a serviços básicos.

Isolamento como primeiro reflexo

Na Amazônia, o primeiro impacto de um novo ciclo de seca tende a ser o isolamento. A redução dos níveis dos rios compromete o acesso à água potável, dificulta o deslocamento e o transporte de bens essenciais, e pode isolar comunidades inteiras, afetando serviços como saúde e educação.

O caso de Envira, no Amazonas, ilustra esse colapso: em 2024, um barco carregando oxigênio e medicamentos levou mais de 10 dias para chegar à cidade.

A base produtiva que sustenta ribeirinhos, indígenas e agricultores familiares também corre risco de entrar em colapso. A pesca artesanal foi duramente golpeada pela seca de 2024, com redução significativa na quantidade de peixes capturados, o que compromete tanto a segurança alimentar quanto a economia regional.

Além disso, o aumento da temperatura da água levou à alta mortandade de peixes ao longo da estiagem e também dos botos, símbolos do bioma.

No Rio Xingu, no Pará, a coleta de castanha simplesmente não ocorreu em 2025, resultando na menor safra já registrada na região.

Nessa conta, os impactos mais severos tendem a ser sentidos pelas comunidades mais vulneráveis e que menos contribuem para a crise do clima. São os periféricos, indígenas, ribeirinhos e agricultores familiares, justamente a população que sustenta a economia de subsistência da Amazônia.

Para conter as consequências mais imediatas de uma nova estiagem, especialistas sugerem que a dragagem dos rios surge como uma possível solução rápida, capaz de manter corredores mínimos de navegabilidade em meio à seca.

Além disso, reforçam a importância da adaptação climática e das infraestruturas frente a um possível Super El Ninõ. 

Acompanhe tudo sobre:ESGSustentabilidadeClimaMudanças climáticasAmazôniaSecasEl Niño

Mais de ESG

Fim do desmatamento não precisa esperar pelo mapa do caminho da COP30

Amazon combina IA, logística e eletrificação para reduzir emissões nas entregas

Como os EUA estão ampliando a rede de transmissão sem fazer nenhuma grande obra?

O preço do 'hype' nos Lençóis Maranhenses: como equilibrar turismo recorde e sustentabilidade