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Sem plano da Fifa, Copa do Mundo é ameaçada por incêndios na Califórnia

Condições críticas prevalecem nos EUA nos próximos dias quando acontecem quatro partidas nas cidades de Los Angeles e San Francisco e não há nenhum protocolo de qualidade do ar

Fumaça negra sobe de um incêndio em um armazém em Boyle Heights, visto do centro de Los Angeles, em 17 de junho de 2026 (AFP)

Fumaça negra sobe de um incêndio em um armazém em Boyle Heights, visto do centro de Los Angeles, em 17 de junho de 2026 (AFP)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 19 de junho de 2026 às 19h00.

A Copa do Mundo tem protocolo para calor, mas nenhum plano para a fumaça dos incêndios florestais.

A edição de 2026 é a mais ambiciosa da história: 48 seleções, três países, 104 jogos. E também, a conta cobra: se tornou a mais poluente e exposta à crise climática, com 1 em cada 4 partidas previstas para acontecer em condições de calor extremo.

Agora, um novo risco entra em campo. E a fatura pode ser ainda mais alta do que se previa. Enquanto o torneio avança para sua segunda semana, condições críticas de incêndio se espalham pelo oeste dos Estados Unidos.

Nesta sexta-feira, 19, o Centro de Previsão de Tempestades emitiu alertas vermelhos para a Califórnia do Norte, Oregon, Idaho, Nevada, Utah e Arizona, com a região dos Quatro Cantos como Utah, Novo México, Colorado e Arizona sob a maior ameaça.

A previsão é que ventos nas montanhas da região devem atingir até 89 quilômetros por hora, e raios secos sobre vegetação ressecada aumentam o risco de novos focos a cada hora.

"A grande quantidade de raios em vegetação seca provavelmente criará novos focos de incêndio em toda a região", alertou o Serviço Meteorológico Nacional. "Qualquer incêndio que se desenvolva poderá se espalhar rapidamente".

O maior incêndio em curso na Califórnia é o Lost Fire, no condado de Kern, que já consumiu mais de 1.740 hectares e está apenas 5% contido, localizado aproximadamente a meio caminho entre Bakersfield e San Luis Obispo, no sul do estado.

Poluição do ar e riscos potenciais

O problema não é apenas o fogo em si, mas o que ele carrega no ar. No mês passado, quase uma dúzia de incêndios irrompeu no sul da Califórnia, lançando fumaça e partículas em suspensão sobre Los Angeles.

Autoridades de saúde pública emitiram alerta de qualidade do ar para o condado por vários dias e a zona afetada incluía o SoFi Stadium, um dos principais palcos do Mundial.

Especialistas destacam que os jogadores e torcedores podem sentir queimação na garganta, tosse e dor de cabeça. Grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios, são ainda mais afetadas.

O calendário da competição torna o cenário mais delicado. Nos próximos dias, quatro partidas estão programadas para as duas sedes californianas: Turquia x Paraguai (19 de junho, no Levi's Stadium, na Bay Area), Bélgica x Irã (21 de junho, no SoFi Stadium, em Los Angeles), Jordânia x Argélia (22 de junho, novamente na Bay Area) e Escócia x Brasil (24 de junho, no SoFi).

Com as condições secas e quentes persistindo, a probabilidade de novos focos de fogo e de fumaça sobre os estádios é real.

A FIFA afirma estar preparada para os "riscos relacionados ao clima" e trouxe protocolos para o calor extremo, incluindo pausas obrigatórias para hidratação dos jogadores.

Mas não mencionou a qualidade do ar em nenhum de seus planos públicos.

"Seria sensato que a FIFA pensasse com antecedência e implementasse padrões de qualidade do ar que influenciassem as decisões sobre a realização ou não dos jogos", diz Dominik Kulakowski, geógrafo que estuda incêndios florestais na Universidade Clark, ao portal The Grist.

Segundo o especialista, o tempo de alerta para eventos de fumaça pode ser de apenas algumas horas.

O fogo agravado pela crise do clima

A temporada de incêndios do verão deste ano no hemisfério Norte já era apontada como potencialmente grave antes mesmo de começar.

O Centro Nacional Interagências de Incêndios Florestais projetou risco elevado em grandes áreas do oeste americano após um inverno ameno e com a chegada de um El Niño potencialmente recorde agravado pelas mudanças climáticas. 

Autoridades canadenses fizeram previsões semelhantes, visto que a fumaça pode se deslocar por milhares de quilômetros, colocando desafios extras para praticamente todas as cidades sedes da Copa.  "Há muito poucos lugares na América do Norte imunes a esses efeitos", destaca Kulakowski.

Os incêndios florestais estão se tornando cada vez mais comuns nessa época do ano e a ciência é clara sobre a causa. A crise climática alonga as temporadas de seca, aumenta a intensidade dos ventos e eleva as temperaturas, criando as condições perfeitas para que o fogo avance mais rápido e mais longe.

A Copa do Mundo de 2026, a mais ambiciosa e a mais poluente da história, está sendo disputada em meio a essa realidade que preocupa. E, por ora, [grifar]sem um plano para ela.

Quatro jogos estão na mira dos incêndios

  • 19 de junho — Turquia x Paraguai | Levi's Stadium, Bay Area
  • 21 de junho — Bélgica x Irã | SoFi Stadium, Los Angeles
  • 22 de junho — Jordânia x Argélia | Levi's Stadium, Bay Area
  • 24 de junho — Escócia x Brasil | SoFi Stadium, Los Angeles
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