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Só 1 em cada 3 brasileiros quer dirigir carros elétricos; saiba o motivo

Estudo da Ipsos aponta que média de brasileiros que querem comprar VEs é abaixo da média mundial, puxado pela infraestrutura e preços

Os desafios de infraestrutura ainda atrasam o crescimento do setor (Leandro Fonseca/Exame)

Os desafios de infraestrutura ainda atrasam o crescimento do setor (Leandro Fonseca/Exame)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 21 de abril de 2026 às 08h01.

Um novo estudo da companhia de pesquisas de mercado Ipsos aponta que o consumidor ainda não está empolgado com a ideia de comprar um carro elétrico.

Nos 31 países ouvidos pela pesquisa Mobility Report, 47% dos entrevistados se dizem atraídos em dirigir um veículo movido a eletricidade. Ao contrário da expectativa, a aprovação aos eletricos é menor entre as grandes economias do mundo e maior em países emergentes, como na Ásia e América Latina.

O Brasil figura em 11º lugar na lista, com apenas 36% dos consumidores se dizendo atraídos a conduzir veículos elétricos.

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Alta dos carros elétricos

Segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico, o mercado de eletrificados fechou 2025 com 223.912 unidades vendidas, uma alta de 24% frente a 2024. Esse total é dez vezes maior do que o crescimento dos veículos leves, que só avançaram 2,6% no mesmo período.

A participação no mercado brasileiro também se mostrou forte. Os eletrificados chegaram a 9% das vendas domésticas de veículos leves no ano passado.

Os desafios de infraestrutura ainda atrasam o crescimento do setor. Além da baixa quantidade de carregadores disponíveis, a localização deles também é um desafio: a concentração é maior no Sul, Sudeste e capitais, o que impossibilita viagens de longa distância, pelo interior do país ou que dependam de recarga pública.

A predominância de carregadores lentos, que aumentam o tempo de espera, também reduz a praticidade no dia a dia ou em estradas.

A pesquisa da Ipsos aponta que as mulheres da geração Baby Boomer são as menos interessadas em VEs, com apenas 31% demonstrando interesse. Na comparação, os homens da mesma geração demonstram 39% de interesse no tema, enquanto a média entre todas as pessoas chega a 54%.

Elétricos na China

Na China, país que mais aceitou os carros elétricos, 67% afirmam se sentir atraídos por um veículo movido a baterias. Em 2025, o país teve mais vendas de veículos elétricos e híbridos plug-in do que entre os carros a combustão.

73% dos entrevistados acreditam que muitos consumidores vão adotar esta categoria de carro nos próximos cinco anos. A alta presença no país asiático é sustentada por uma rede de recarga muito mais robusta do que a brasileira.

Ao fim de 2025, a China já contava com cerca de 16 milhões de pontos de recarga, enquanto no Brasil chega a cerca de 15 mil eletropostos. Uma última atualização considera que o país pode já ter ultrapassado os 20 milhões de postos de recarga.

O país ainda conta com políticas urbanas e fiscais que favorecem o modelo elétrico, como restrições para carros a combustão em determinadas áreas, além de regras de licenciamento mais favoráveis aos veículos movidos a eletricidade.

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